São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

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Levantamento põe no mapa 4,5 milhões de empreendedores
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Com movimentação de R$ 41,6 bilhões no ano passado, a venda direta se consolida como o mais capilarizado canal de comercialização de produtos e serviços no Brasil

De acordo com a ABEVD, a associação que reúne empresas como a Natura, de Luiz Seabra (no centro da foto, cercado por revendedoras), a venda direta movimentou R$ 41,6 bilhões no ano passado, 7,2% acima do registrado no ano anterior. Mais de meio século depois de implantada no Brasil, essa modalidade de venda se consolida como sistema dinâmico, abrangente e o mais capilarizado canal de comercialização de produtos e serviços no Brasil, um país de extensão continental.

Ainda mais relevante é o impacto socioeconômico que produz, traduzido pela potencialidade de gerar a cada ano milhares de novas ocupações, combater as ciclotimias da economia, reforçar o orçamento doméstico de milhões de lares, promover mobilidade social e disseminar o empreendedorismo entre as camadas da base da pirâmide social. É o que revela o primeiro censo nacional da venda direta, conduzido pela Fundação Getúlio Vargas/RJ, por encomenda da Associação Brasileira de Venda Direta (ABEVD). Do estudo emergem dados que supreendem, por ampliar significativamente as estimativas até então consideradas:

*As estimativas indicavam a existência de 2,9 milhões de revendedores ou consultores. Formam, na verdade, uma legião de 4,504 milhões --a grande maioria de mulheres, que trabalham para mais de uma centena de empresas, em número duas vezes superior ao estimado. É interessante notar que cerca de 43% desses empreendedores encontram na venda direta sua única fonte de remuneração. Se somado o contingente de empregos indiretos gerados na cadeia produtiva, esse número se multiplica por 2,2. Para ter uma ideia do que representa: a indústria de produtos de higiene pessoal e beleza, que responde por cerca de 90% das vendas do sistema, emprega 75 mil funcionários

*O setor de vendas diretas movimentou R$ 41,6 bilhões em vendas no ano passado, de acordo com a ABEVD – crescimento de 7,2% em relação ao ano anterior, superior ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado do período, de 5,9%. Esse montante, porém, se amplia em mais de seis vezes quando se adiciona a receita gerada pelos demais setores interligados à venda direta –da produção de itens e embalagens ao transporte.

*Para calcular quão impressionante é o impacto multiplicador da venda direta por seus efeitos indiretos que se propagam em uma cadeia que compreende outros 47 setores, os especialistas da FGV fizeram o seguinte exercício: o que aconteceria se, hipoteticamente, esse canal desaparecesse?  De acordo com o estudo, ocorreriam perdas equivalentes a mais de R$ 159,5 bilhões em PIB e a supressão de 9,2 milhões de empregos.

“É importante ressaltar que se trata de um setor ancorado na sustentabilidade, dada sua capilaridade social e o potencial para gerar novas ocupações e renda e de impostos na extensa cadeia produtiva”, afirma Fernando Blumenschein, professor da FGV/RJ e coordenador do levantamento, que entrevistou 2.350 revendedores em onze Estados.

Em um país continental como o Brasil, a venda direta emerge como o canal por excelência para a comercialização de itens de beleza e cuidados pessoais. “Simplesmente não há lojas especializadas em número suficiente para se adquirir maquiagem e perfumes”, afirma Juliana Rozenbaum, analista de consumo do Itaú BBA. Com ela concorda o Alberto Serrentino, consultor especializado em varejo. “As consumidoras não encontram no varejo tradicional experiências de compras tão envolventes quanto a venda direta”, afirma. “Não há, como nos mercados maduros, a grande loja de departamentos que faz do piso térreo um verdadeiro parque de diversão para as mulheres, reunindo quiosques de diferentes marcas.”

As farmácias, que poderiam exercer esse papel, são em geral muito pequenas. “Sendo assim, é improvável que possam oferecer em algum momento uma experiência de compra em que uma consumidora possa experimentar perfumes, diferentes cores de batons e até mesmo contar com uma maquiagem completa realizada por uma demonstradora”, afirma Juliana. Além disso, as redes de drogarias não atingem municípios remotos, limitando-se a cidades de médio e grande porte. O mesmo sucede com as cadeias de hiper e supermercados, como lembra Serrentino. “A venda direta democratizou entre os brasileiros a experiência de comprar produtos de beleza de cosméticos”. A médio prazo os trunfos do canal sobre as demais modalidades estão garantidos. De acordo com o relatório do Itaú BBA, uma rede de varejo de abrangência nacional demanda ao menos uma década para ser desenvolvida.

“Nos últimos dez anos a venda direta tem sido a mola propulsora de crescimento do setor de higiene, perfumaria e cosméticos no Brasil”, afirma João Carlos Basílio, presidente da Abihpec, a associação nacional do setor. Estudos da entidade demonstram que, neste período, enquanto outros setores da indústria cresceram ao ritmo de 2,5% ao ano, em média, descontando a inflação, o de cuidados pessoais avançou 10%.

Em nenhum outro país a categoria de beleza e cuidados pessoais tem tanta representatividade no canal de venda direta como no Brasil, de acordo com levantamento do Euromonitor International. Mais da metade da produção brasileira de cosméticos, fragrâncias, e cuidados da pele é comercializada pelo sistema de venda direta. A média mundial para o conjunto da categoria é de apenas 12% ante 28,6% da nacional. Outro estudo, conduzido pela consultoria Gouvêa de Souza, projeta que nos próximos seis anos as vendas nacionais do setor oscilarão entre R$ 93 bilhões e R$ 137 bilhões de reais, uma expansão anual de 11%, em média.

Segundo dados do Euromonitor, o setor de beleza e cuidados pessoais foi o carro-chefe do crescimento de 15,7% anuais da venda direta no Brasil nesta década, atraindo para o sistema empresas com extensas redes de lojas como O Boticário, que lançou, em fevereiro de 2011, sua marca Eudora, visando a classe C, assim como a Jequiti, do grupo Silvio Santos.

Mas o levantamento também revela que neste mesmo período as vendas diretas de outras categorias tiveram crescimento relativo ainda mais expressivo. O maior crescimento, de 20% a cada ano, envolveu a indústria de alimentos e bebidas, impulsionado pela entrada da Nestlé com suas cestas vendidas porta a porta nas periferias de grandes cidades –uma estratégia similar foi adotada pela Danone em 2010.

Segundo projeções do Euromonitor, essa categoria de produtos crescerá a taxas de 8,7% ao ano até 2016, pouco acima de beleza e cuidados pessoais. Em um futuro próximo será mais visível que a venda direta se tornará uma opção estratégica para que os varejistas com lojas possam expandir sua presença para ampliar suas áreas de atuação, prevê o estudo do Euromonitor.



No total, mais de 2 milhões de empreendedores receberam orientação para os negócios em 2016

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