São Paulo, 30 de Setembro de 2016

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Indústria de embalagens, termômetro do consumo, está em queda
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Vestuário, acessórios e alimentos estão entre os que recuaram em 2014. Neste ano, as perspectivas são pouco otimistas, com previsão de queda de 1,5% na produção

A produção de embalagens, um dos setores que funciona como termômetro da temperatura econômica, evidencia um cenário desfavorável já nos primeiros meses de 2015. No ano passado, o volume bruto de produção física, avaliado em R$ 55,1 bilhões --um recuo de 1,47% comparado a igual período de 2013. A queda ficou ainda maior que se previa há seis meses, de -0,7%.

Para 2015, a perspectiva mais otimista aponta uma queda de 0,5%, e a mais pessimista, de 1,5%, dadas as incertezas do cenário – principalmente no que diz respeito ao racionamento de água e energia. Nesse último quadro, o volume de produção previsto é de R$ 58,2 bilhões.

Os dados emergem do estudo macroeconômico semestral “Desempenho da Indústria de Embalagens: retrospectiva 2014 e perspectivas 2015”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), por encomenda da Associação Brasileira de Embalagem (ABRE).

A confiança do consumidor, que vem diminuindo a cada mês, a política econômica restritiva e fiscal, e o cenário internacional ainda caminhando a passos lentos, sinalizam que uma melhora para a indústria de embalagem só deve ocorrer a partir de 2016.

“Esse cenário de juros mais altos, restrição do crédito e a percepção de que alguma coisa começa a afetar o mercado de trabalho mostram que parece inevitável que em 2015 esse quadro se aprofunde”, afirma o economista Salomão Quadros, coordenador de análises econômicas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da FGV.

Entre os materiais que tiveram variação positiva em 2014, o de vidro cresceu 4,92%, puxado pelo setor de bebidas devido à Copa do Mundo. Comparado a 2013, o crescimento foi de 1,86%. Além dele, apenas plástico, papel e papelão cresceram 0,57% em produção. Os demais (madeira, metal e plástico) tiveram variação negativa. Por estar inserido no quadro geral da indústria, que caiu 3,23% no ano passado, e ser mais voltado aos bens de consumo não duráveis, o setor de embalagens está sujeito a oscilações, diz Quadros.

QUADROS, do IBRE/FGV: ANO POUCO ANIMADOR

Porém, entre as principais indústrias usuárias de embalagens, as quedas foram registradas em alimentos (-1,42%), fumo (-1,46%) e vestuário e acessórios (-3,19%). Já outros tiveram alta, como bebidas (0,8%), perfumaria e produtos de limpeza (0,88%) e farmacêutica (2,12%).

Agora, segundo Quadros, essa retração pode não afetar todos os segmentos. Mas dá uma escala que vai acontecer, e que em breve deve afetar todas as atividades.

“Se o consumidor diminui as compras, também diminui o consumo de embalagens”, afirma, lembrando que ainda há expectativa de mais impactos devido à retração do mercado de trabalho e dos investimentos.

PESSIMISMO

Na sondagem da indústria da embalagem, realizada entre 2 e 31 de janeiro de 2015 com 25% das empresas do setor, as expectativas não são muito animadoras. A diferença entre as empresas que acham que a demanda vai ser fraca e as que acham que vai ser forte alcançou 14 pontos percentuais.

Já o peso das que consideram os estoques excessivos daquelas que consideram suficientes é de 10 pontos percentuais. Quanto à utilização de mão de obra, a diferença entre os que pretendem diminuir e os que pretendem aumentar é de 17 pontos percentuais. Por sua vez, a utilização da capacidade prevista da indústria é 84,1 pontos percentuais, ante 86,3 da média de 2014.

Quadros menciona ainda as projeções Focus (do Banco Central) para delinear o cenário econômico, de inflação de 7,15% e PIB zero em 2015. Somente em 2016, segundo afirma, a projeção deve evoluir  para 5,6% e 0,5%, respectivamente.

 “É um começo de ano não muito animador, para dizer o mínimo”, diz Quadros. “Estamos em um momento onde a inovação não é apenas necessária: é questão de sobrevivência”, afirma Gisela Schulzinger, presidente da ABRE. 



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