São Paulo, 29 de Maio de 2017

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Faturamento de shopping centers atingiu R$ 157,9 bi
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Apesar da desaceleração em relação a 2015, as vendas nos centros de compras obtiveram desempenho superior às do varejo em geral, que recuaram 6,4% entre janeiro e novembro de 2016

O faturamento do setor de shopping centers no País totalizou R$ 157,9 bilhões em 2016, um crescimento nominal de 4,3% em comparação com o ano anterior.

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Em meio à crise econômica, a expansão das receitas teve uma desaceleração frente aos 6,5% registrados em 2015. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 31, pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

Apesar da desaceleração, as vendas nos shopping centers tiveram desempenho melhor que as do varejo em geral, que recuaram 6,4% entre janeiro e novembro de 2016, segundo as pesquisas mais recentes do IBGE.

"Assim como outros setores, sentimos os efeitos da crise, mas mantivemos nossa resiliência", afirmou o presidente da Abrasce, Glauco Humai.

O Brasil chegou ao fim de 2016 com um total de 558 shopping centers em operação, sendo que 20 novas unidades foram abertas ao longo do ano.

O número de inaugurações ficou um pouco acima de 2015, quando 18 empreendimentos entraram em funcionamento, porém distante do pico do setor, em 2013, quando 38 shopping centers foram inaugurados.

A crise também aumentou a dificuldade na atração de lojistas. A vacância em novembro de 2016 correspondia a 4,6% da área bruta locável (ABL) das unidades em operação.

O patamar ficou 0,3 ponto percentual acima de 2015 e bastante acima da média dos cinco anos anteriores, na faixa de 2,5%, de acordo com dados da Abrasce.

MAIS 30 SHOPPINGS EM 2017

Os empresários do setor de shopping centers devem inaugurar 30 unidades em 2017, totalizando 588 centros de compras em operação no país até o fim deste ano, de acordo com estimativa da Abrasce.

A abertura dos novos empreendimentos mesmo em meio à crise econômica decorre da retomada de projetos que já foram postergados nos anos anteriores, além da identificação de oportunidades de investimentos em cidades onde a economia permanece resiliente ao cenário adverso, de acordo com o presidente da Abrasce, Glauco Humai.

Em 2016, a associação previa a abertura de 30 empreendimentos, mas apenas 20 foram abertos, de fato.

"O shopping center é um empreendimento grande, que exige um planejamento longo, que pode levar mais de três ou cinco anos. Parte dos novos shoppings foram planejados em anos anteriores ao da crise ou acabaram adiados", diz Humai.

"A outra parte será aberta porque o Brasil continua sendo uma terra de oportunidades. Ainda há cidades carentes de um shopping, ou que têm uma economia forte."

Dos 30 shoppings previstos para 2017, 80% estarão localizados em cidades do interior do país, sendo 77% em municípios de até 500 mil habitantes.

Neste ano, 13 cidades receberão o primeiro shopping center, como são os casos de Três Lagoas (MS), Camaragibe (PE), Ananindeua (PA) e Paragominas (PA).

Humai admite que os shoppings inaugurados há menos de 24 meses têm uma vacância acima da média do portfólio total, que está em 4,6%. Ele considera, no entanto, o patamar de espaços vagos em níveis ainda saudáveis.

"A curva de ocupação dos novos shoppings é um pouco mais lenta em momento de crise. Com a melhora da economia, essa curva deve ficar menor", dz.

O presidente da Abrasce também procurou minimizar as dificuldades de atrair e manter lojistas nos shoppings. Para ele, a renegociação de contratos e a flexibilização dos aluguéis para combater a inadimplência dos lojistas é normal.

"À medida que a economia não dá sinais de melhora, ela (flexibilização dos pagamentos) vai continuar. Essa negociação sempre existiu e é salutar. Vai continuar acontecendo até chegar a um ponto de equilíbrio. Nós esperamos que a partir do terceiro trimestre, a economia vai melhorar", diz.

TENDÊNCIAS

A superintendente da Abrasce, Adriana Colloca, avalia que uma das principais tendências do setor é o crescimento no número de outlets.

"São shoppings especializados, que normalmente apresentam preços mais baixos do que os tradicionais, estão fora das capitais e atraem consumidores mais exigentes", diz. Em 2016, foram abertos cinco outlets e mais cinco estão previstos até 2019.

A segunda grande tendência são os complexos multiuso, que reúnem shoppings e prédios residenciais, empresariais e/ou hotéis.

"É uma relação de simbiose. O shopping gera conveniência para os prédios, que, por sua vez, geram fluxo de visitantes aos shoppings", afirma Adriana.

Foto: Thinkstock



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