São Paulo, 30 de Setembro de 2016

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Faturamento de franquias avança 7% puxado por beleza e alimentos
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Em um ano de pibinho, as vendas das redes de franchising, que participam com pouco mais de 2% do Produto Interno Bruto, batem em R$ 125 bilhões, de acordo com a ABF, a entidade que representa o setor

Até parece que o Brasil não está em período de retração econômica. Pelo menos três redes de norte-americanas de restaurantes chegaram ao país neste ano: a Olive Garden, especializada em pratos italianos, a P.F Chang´s (comida asiática) e a Red Lobster (peixes e frutos do mar).

Seus franqueadores sabem que brasileiro está bem mais contido com os gastos. Analisaram muito bem seus hábitos antes de aterrissar por aqui. Com recessão ou sem recessão, porém, optaram por não ficar fora de um mercado de 210 milhões de consumidores, dos quais uma boa parte só mais recentemente passou a comer e a se vestir melhor.

Redes de alimentação com estas, internacionais ou nacionais, estão contribuindo para estimular o setor de franchising no Brasil. Veja os números: estimativas mais otimistas projetam crescimento de no máximo 1% para o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro em 2014. As franquias, no entanto, estimam crescer 7% este ano, de acordo com a Associação Brasileira de Franchising (ABF). Isso significa que o setor, que participa com pouco mais de 2% do PIB do pais, deve faturar perto de R$ 123,5 bilhões em 2014.

As franquias de alimentação estão entre as que mais contribuem para a expansão. Mas não são mais as primeiras do ranking. Atualmente, a liderança cabe às redes especializadas em saúde e beleza.

 

 

Afirma Cristina Franco, presidente da ABF: “A mulher entrou com força para o mercado de trabalho e, por isso, gasta mais com produtos de beleza. O curioso é que esse comportamento também está estimulando as franquias de calçados e acessórios. Nós, mulheres, temos a síndrome de centopeia”, brinca.

Os pontos de venda devem crescer  cerca de 10% neste ano, o que significa fechar 2014 com cerca de 125 mil unidades franqueadas, segundo a ABF. E o número de redes deve crescer 8%, de 2.703 para algo próximo de 2.920.“Nosso setor, agora reconhecido pelo governo, está mais estruturado e vigoroso. Emprega diretamente mais de 1,1 milhão de profissionais. Sem contar os demais envolvidos na cadeia logística”.

A organização do setor de franquias no país começou, diz ela, quando os franqueadores e seus franqueados concluíram que a relação não deveria ser conflituosa, mas do tipo ganha-ganha, capaz de criar um círculo virtuoso.

Também amadureceu quando os fundos de investimento, como o Carlyle, passaram a ter interesse no setor, forçando as empresas a obter um grau de governança corporativa a que não estavam acostumadas, pelo menos aqui no Brasil. O Carlyle tem participação, por exemplo, nas redes de brinquedos Ri Happy e PB Kids e na cadeia de móveis Tok&Stok.

Um caso emblemático que marcou um forte conflito entre franqueado e franqueador e, portanto, revelou falta de amadurecimento nas relações do setor, ocorreu com a cadeia Mc Donald´s nos anos 1990, quando franqueados chegaram a ir para a Justiça discutir cláusulas e rescisões de contratos. A rede americana argumentava então que os franqueados é que não respeitavam as regras do negócio. “O setor evoluiu muito, pois encontrou o equilíbrio e por isso cresceu dois dígitos por anos seguidos."  
Cristina Franco, presidente da ABF

Cristina Franco, presidente da ABF 

Ela mesma foi dona de uma rede de escolas de qualificação, a Bit Company, que chegou a espalhar-se em 279 franquias, com operações em Portugal e Angola. Uma boa oferta do então controlador do grupo Multi, Carlos Wizard Martins, fez Cristina vender o negócio, permanecendo por um período na empresa como diretora de relações governamentais. “Quando começou o movimento de consolidação deste setor, percebi que não dava mais para ficar sozinha.”

O Brasil já ocupa a terceira posição no ranking mundial por número de marcas

No terceiro trimestre deste ano, o faturamento do setor de franchising cresceu 9,3%, na comparação com igual período do ano passado, e 10,6% em relação ao segundo trimestre deste ano. De janeiro a setembro de 2014, o crescimento foi de 6,8% sobre igual período de 2013. No terceiro trimestre deste ano, segundo o levantamento da ABF, 69% das redes ampliaram o faturamento em relação ao segundo trimestre deste ano.

O Brasil já está em terceiro lugar no ranking mundial em número de marcas, atrás da China e da Coreia do Sul. E é o sexto colocado em unidades franqueadas no mundo, com cerca de 115 mil unidades em 2013. Os Estados Unidos estão em primeiro lugar, com 770,4 mil unidades. Depois, seguem, por ordem, China (330 mil), Coreia do Sul (310 mil), Japão (234,1 mil) e Filipinas (125 mil). 

O que faz também o mercado de franquias crescer no Brasil, de acordo com a presidente da ABF, são os chamados bolsões econômicos. Quando o agronegócio prospera em determinada região do país, as franquias seguem para lá a fim de aproveitar as oportunidades de consumo. “As pessoas querem cada vez mais consumir onde estão as suas raízes, não querem mais se deslocar para São Paulo, por exemplo, para comprar”, diz.

A ABF identificou que a região Sudeste é onde ocorre a maior expansão de franquias no Brasil, mas já começa a constatar crescimento também no Nordeste. A associação, diz ela, tem feito um trabalho agora para levar as franquias para o interior e para fora do país, como forma de ajudar a manter o vigor do setor nos próximos anos. Cerca de cem marcas já são exportadoras. Agora, com o dólar mais favorável às vendas externas, a tendência é desse número crescer ainda mais em 2015. Para o ano que vem, a ABF prevê aumento entre 7,5% e 9% para o faturamento do setor e de 9% e 10% para abertura de novas unidades.

CASO HABIBS

A ABF ainda não consegue medir o impacto que possa vir a ter no setor a investigação do Ministério Público sobre sonegação fiscal que envolve o Habib´s, uma das maiores franquias de alimentação do país. “O que a gente espera é que o Ministério Público cumpra o seu papel nas investigações. Agora, independentemente deste caso, nós da ABF estudamos cases e mantemos um programa contínuo de orientação com cursos de governança”, diz ela.

A ABF, ainda segunda Cristina Franco, está empenhada em fazer com que as franquias façam a lição de casa antes de entrar ou crescer no mercado brasileiro. As redes que não fizeram isso no passado, diz ela, tiveram de ir embora do país, como a Arby´s (especializada em sanduíches de rosbife), a KFC (frango frito) e a Subway. “A Subway fez a lição de casa, voltou e agora opera 600 unidades no país.” A KFC está no Rio de Janeiro e em São Paulo.  A  Arbys também planeja retornar.

 



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