São Paulo, 25 de Setembro de 2016

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“Exportar é questão de sobrevivência das empresas”
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É o que afirma Roberto Ticoulat, presidente do CECIEx, que capacita e ajuda as companhias a encontrar a melhor forma de levar seus produtos mundo afora

Por décadas, as exportações só eram consideradas pelas companhias brasileiras quando o mercado interno estava em recessão. Se o consumidor estava mais retraído, as empresas corriam atrás de clientes no exterior, uma forma de repor o dinheiro no caixa e se livrar dos altos custos para manter os estoques. Assim que a economia se tornava mais aquecida, as indústrias esqueciam o cliente lá fora.

Hoje exportar se tornou uma questão de sobrevivência para as empresas brasileiras, até mesmo para as de menor porte, independentemente de o país estar ou não em recessão. A avaliação é de Roberto Ticoulat, vice-presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e presidente do CECIEx (Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras).

As exportações tornam as companhias mais competitivas, mais profissionais. Para ajudá-las a exportar, a ACSP criou há dez anos a São Paulo Chamber of Commerce (SPCC), com o objetivo de capacitar as empresas para a conquista de outros mercados.

Como a legislação brasileira para o comércio exterior é extremamente complexa, era necessário também aproximar essas empresas das tradings, especializadas no trabalho de levar os produtos para o exterior, assim como o caminho inverso, o de trazer os produtos de fora para o país.

Foi então que nasceu, há seis anos, o Conselho Brasileiro das Empresas Comerciais Importadoras e Exportadoras da ACSP, e que, há três anos, se transformou no CECIEx, uma instituição com abrangência nacional.Além de desenvolver ações para aproximar as tradings das empresas que desejam exportar, o CECIEx também cumpre o papel de coordenar as reivindicações da categoria, levando-as para os órgãos competentes.

“Agora o ciclo se fechou. Estamos preparados para capacitar as empresas e para levar os produtos delas para outros mercados”, afirma Ticoulat. Ao CECIEx estão filiados  80 sócios que pagam uma trimestralidade de R$ 150, mas do cadastro do conselho constam 150 empresas comerciais exportadoras e importadoras. Desde que nasceu, o CECIEx realiza cerca de cinco missões comerciais por ano para o exterior, representando aproximadamente 200 empresas potenciais exportadoras.

Na esteira desse projeto, cerca de 100 empresas brasileiras já deram início às exportações, principalmente dos setores de alimentos e de manufaturados. Boa parte delas escolheu exportar por meio de tradings, mas também há casos de embarques feitos diretamente.

Não precisa ser grande para exportar. Ticoulat conta o caso de um ex-funcionário de trading que enxergou uma boa oportunidade na exportação de óleos para uso alimentício e para o setor de cosméticos. Sozinho, ou com a ajuda de mais uma pessoa, esse microempresário produz hoje óleos de cupuaçu, café e outros e os exporta, principalmente, para a França. “Ele demorou seis meses para começar a produzir, pois precisou de autorização da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), mas agora já está operando. É daquelas pessoas que nadam no mar de tubarões”, diz.

O CECIEx trabalha também em parceria com o Projeto Extensão Industrial Exportadora (PEIEx), desenvolvido pela Apex-Brasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), com a qual realiza ainda eventos nacionais e internacionais de promoção de exportações. As empresas que participam do conselho podem:

  • Propor moções políticas voltadas para a remoção de obstáculos que impeçam o pleno exercício das atividades empresariais e o desenvolvimento de negócios.
  • Fortalecer e ampliar a rede de relacionamento (networking) com outras empresas e profissionais de comércio internacional estabelecidos em outros países.
  • Participar de encontros nacionais para aproximar as indústrias das comerciais importadoras e exportadoras.
  • Participar das missões comerciais ao exterior.
  • Participar de encontros de negócios no Brasil com empresas estrangeiras.
  • Receber informações de oferta e demanda de empresas em outros países.

Para Ticoulat, o Brasil ainda tem um longo caminho a percorrer no campo do comércio exterior, até porque as exportações brasileiras participam com pouco mais de 1% do mercado mundial, percentual praticamente estabilizado há anos. “Agora, para participar deste mercado, é preciso se preparar, conhecer a legislação brasileira de comércio exterior, mercado de câmbio, correr atrás de certificações”, diz. É possível driblar todas essas questões. Vale o exemplo da Itália, um país em que as pequenas e médias empresas representam mais de 60% das exportações.

 

 



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