São Paulo, 01 de Outubro de 2016

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Estudo global aponta as tendências do varejo para 2015
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Prazos de entrega mais curtos, moda cada vez mais rápida e, sim, a tecnologia digital se tornando ainda mais decisiva para clientes e empresas. É o que revela levantamento da consultoria Deloitte divulgado no primeiro dia da NRF Big Show, o maior evento mundial do varejo

A consultoria Deloitte Touche Tohmatsu, em conjunto com a STORES Media, apresentou na convenção promovida pela National Retail Federation (NRF), em Nova York, os resultados de sua 18ª pesquisa Global Powers of Retailing (potências globais do varejo). A edição deste ano tem como tema “abraçando a inovação” e aponta as tendências da indústria para o ano de 2015. Um dos números que mais chamam a atenção é a importância da tecnologia: metade das vendas globais do varejo – US$ 1,5 trilhão– é influenciada pela tecnologia digital.

A Deloitte identificou cinco tendências que vão moldar a indústria no ano que está começando. Elas podem não ser necessariamente novas, mas existe uma distinta disposição de consumidores e empresas de experimentar e adotar as inovações, especialmente no que diz respeito à tecnologia digital.

 

 

Estima-se que 65% da população mundial tenha um celular na mão em 2015, e 83% do uso da internet acontecerá por meio de dispositivos móveis. Nos próximos três anos, o varejo móvel (compras feitas por smartphones ou tablets) devem atingir US$ 638 bilhões, o tamanho do mercado global de e-commerce um ano atrás.

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Além dos celulares, novas categorias de eletrônicos estão surgindo, e a que gera a maior expectativa são os relógios inteligentes, simbolizados pelo Apple Watch, que deve começar a ser vendido ainda no primeiro trimestre deste ano. “Os varejistas terão de responder oferecendo Wi-Fi grátis nas lojas e sites otimizados para diferentes tipos de aparelhos”, diz o estudo.

Os consumidores querem informações e ofertas relevantes e em tempo real – mas o outro lado da moeda é a segurança dos dados pessoais e a privacidade. “Confiança, transparência e proteção das informações será crítica para a manutenção da fidelidade em um mundo em que o varejo móvel será a norma”, afirma o relatório.

A Deloitte também aponta a agilidade como uma tendência cada vez mais importante. Isso inclui a fast fashion (moda rápida), com o encurtamento do tempo entre a passarela e as araras das lojas, lojas pop-up, para gerar burburinho entre os clientes, e também quiosques de autoatendimento e pagamento, para reduzir ou eliminar a espera.

Prazos de entrega cada vez mais curtos também crescem em importância. A Amazon entrega pedidos no mesmo dia em cidades dos Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha e Canadá – a Deloitte acredita que outras empresas seguirão esse caminho. A empresa já testou táxis como veículos de entrega. “Atender a demanda por velocidade dos consumidores aumenta a importância de uma cadeia de suprimentos eficiente.”

Outro item destacado pela Deloitte é a inovação. O termo é propositalmente genérico: a empresa afirma que não existe fórmula única para o sucesso. O estudo aponta os laboratórios de inovação criados por empresas americanas como Nordstrom, Wal-Mart e Staples e menciona o exemplo de um robô multilíngue criado pela rede de materiais de construção Lowe’s: ele escaneia o produto ou peça levado pelo cliente e indica onde encontrá-lo na loja.

Finalmente, a consultoria aponta uma tendência que não tem a ver com tecnologia, mas sim com mobilidade. Mais de 1 bilhão de pessoas viaja todo os anos, cerca de 15% da população mundial, totalizando despesas de US$ 1 trilhão. A nova classe média de países emergentes como China e Índia representa um enorme potencial para o segmento do varejo, em especial o de luxo. Empresas como Pernod Ricard (bebidas) e L’Oréal (cosméticos) já se referem a esse varejo de viagens como o “sexto continente”.


RANKING

O levantamento também identifica as maiores empresas de varejo por regiões do mundo.

MEGALIQUIDAÇÃO NO MAGAZINE LUIZA: ENTRE AS QUE MAIS CRESCEM NO MUNDO. Foto: EC

 

No ranking das 250 maiores empresas de varejo do mundo (compilado com informações referentes ao ano fiscal de 2013), o Wal-Mart segue na primeira posição, com folga. O clube de compras Costco passou o Carrefour e agora ocupa o segundo lugar, com os franceses caindo para a terceira posição. As duas empresas brasileiras que figuram da lista são as Lojas Americanas, na 150a posição, e o Magazine Luiza, na 247º. No ranking das 50 empresas que mais crescem, porém, o Magazine Luiza ocupa uma posição de destaque: 13º lugar. A varejista que mais cresceu no mundo em 2013 foi a chinesa JD.com.

O relatório aponta um cenário econômico global difícil, com a perspectiva de aumentos dos juros nos Estados Unidos, desaceleração da economia chinesa e estagnação na Europa. No que diz respeito ao Brasil, a perspectiva apresentada pela consultoria é igualmente sombria. “Existem dúvidas se o novo governo vai fazer as reformas para desonerar o setor privado. O custo de mão-de-obra é alto e a produtividade não cresce, o que diminui a competitividade do país”, disse Ira Kalish, economista-chefe da Deloitte Research, na apresentação dos resultados do estudo.



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