São Paulo, 28 de Setembro de 2016

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Eles estão ganhando dinheiro na crise
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Enquanto o mercado chora a retração econômica, os jovens sócios da gráfica Printi esperam triplicar o faturamento neste ano. Duvida?

A economia brasileira não está nos seus melhores dias. O mercado espera retração de 1,27% para o PIB (Produto Interno Bruto) deste ano e as vendas do comércio caíram 5,8% em maio. Com uma recessão a caminho, o mau humor generalizado e a queda da confiança dos consumidores, há anos empresários brasileiros não sentiam tanta pressão de uma crise econômica. 

No entanto, o mercado não está totalmente estéril – pelo menos não para todos. Há negócios que não só não sofrem com a crise, como ampliam seus ganhos com ele. Esse é o caso da Printi, gráfica online que opera no mercado brasileiro há dois anos e meio. Para esse mal humorado 2015, a empresa projeta triplicar o faturamento, que deve ultrapassar os R$ 40 milhões – com uma margem bruta estimada em 40%, segundo reportagem publicada pelo Tech Crunch.

Esse otimismo todo mora no modelo de negócio escolhido pelos jovens empreendedores Florian Hagenbuch, de 27 anos, e Mate Pencz, de 28 anos. Embora sejam estrangeiros – o primeiro alemão, o segundo húngaro –, eles são os únicos representantes do Brasil na lista dos 30 executivos mais promissores com menos de 30 anos. 

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MATE PENCZ E FLORIAN HAGENBUCH. Foto: Divulgação

 A dupla escolheu um mercado bastante tradicional – a indústria gráfica – para dar um novo olhar com cores de startup. Ao contrários das gráficas comuns, que preferem os pedidos em grande quantidade ou cobram preços exorbitantes por pequenas tiragens,a Printi quer o pequeno cliente, que ainda não pode se comprometer com centenas de milhares de panfletos nem tem orçamento para isso.

Pioneira neste modelo de negócio no mercado gráfico brasileiro, a Printi já teve inclusive seu modelo replicado. 
Com o encolhimento economia brasileira, este tipo de entrega também tem chamado a atenção das gigantes, já que tem sido necessário enxugar os custos.

Com isso, as agências de comunicação e seus BVs (a Bonificação por Volume, uma espécie de bônus adicional pela quantidade de pedidos feitos) têm sido evitados. O desenvolvimento das artes publicitárias e de papelaria têm sido feito dentro de casa e, de lá, partem direto para as gráficas.

“Tivemos de desenvolver um departamento de contas-chave, que atende de uma forma mais profunda e completa esses clientes de grandes contratos”, conta o co-fundador Pencz que garante que os pequenos não saíram do alvo da empresa. “Nos dedicamos a melhorar o atendimento e o suporte, mas se o pedido estiver fora do nosso perfil de produção, nós não fazemos.”

A ESTRATÉGIA

Trocando em miúdos, o forte da Printi está na padronização. Ao criar um portfólio de formatos pré-estabelecidos, a empresa consegue juntar diversos pedidos em um único comando para as máquinas. Assim, ficam garantidos os preços baixos, já que a quantidade produzida continua grande. “Precisávamos criar escalabilidade para conseguir manter os preços”, afirma Pencz. 

 

O GALPÃO PRÓPRIO DA EMPRESA. Foto: Divulgação

Escala, definitivamente, não é o problema. Com cerca de 10 mil pedidos por mês – e 50 mil clientes ativos –, a empresa tem seis parceiros que imprimem seus pedidos, além do parque gráfico próprio, que já opera em dois turnos. Para lidar com os fornecedores, Pencz garante um controle de qualidade e de padrões.  

Agora, estão partindo também para a produção de materiais rígidos como displays de mesa e placas – a ideia continua sendo a de vender em quantidades pequenas, mirando o mercado de reposição de bares, restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.

A ideia da dupla é manter o mesmo padrão de qualidade para todo o processo – desde o pedido até à entrega. A frota própria da empresa já faz 50% das entregas em São Paulo. O restante fica por conta dos Correios e da Total, mas esse formato não os satisfaz completamente. “Estamos verticalizando as entregas justamente porque buscamos o controle da operação inteira, de ponta a ponta. ”

SÓCIOS NORTE-AMERICANOS

A operação da dupla interessou os americanos da Vista Printi que, em outubro do ano passado, investiu R$ 60 milhões para comprar uma participação minoritária na empresa. Embora estivessem interessados em 100% da operação, tiveram de se contentar com 40% – uma parcela comprada dos investidores anjo que ajudaram a dar o pontapé inicial no negócio e uma outra parte dos próprios fundadores.

Os sócios não quiseram abrir mão do controle e da independência na gestão da Printi, mas contam com a Vista Print para o que mais interessa. “Eles estão nos ajudando na redução de custos operacionais, no estabelecimentos de fluxos, além da parte de automatização e da operação online do negócio”, diz Pencz, comemorando uma redução significativa na margem de erros e de desperdício.

“Seria mais caro para eles montar uma operação inteira do zero aqui. Optaram por comprar parte de uma operação que já estava em funcionamento”, afirma. 

POR QUE O BRASIL

Na época em que Pencz e o sócio, o alemão Florian Hagenbuch, decidiram vir para o Brasil, o momento era de franco crescimento. Mesmo assim, a vinda foi mais que oportuna: Hagenbuch já conhecia muito bem o país graças a seus pais, que se mudaram para São Paulo quando ele tinha apenas quatro anos de idade. 

Pencz estudou em Harvard. Hagenbuch se dedicou aos estudos na The Wharton School, uma das mais proeminentes escola de negócios do mundo, pertencente à Universidade da Pensilvânia. Em Londres, enquanto dividiam a experiência de trabalho no mercado financeiro, também decidiram dividir a jornada empreendedora. Juntos, vieram para São Paulo e moraram em uma espécie de república na região da Faria Lima, que reunia cerca de 10 empreendedores estrangeiros em busca de lucros no Brasil. 



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