São Paulo, 23 de Maio de 2017

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Dia do frete grátis: contra ou a favor do comerciante?
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Consolidada nos Estados Unidos, a ação ainda busca reconhecimento no Brasil. Vendas do e-commerce podem crescer 19% na data, de acordo com a Busca Descontos

Depois do dia do consumidor, chegou a vez do dia do frete grátis. Na sexta-feira, 28/04, a sexta edição da ação poderá aumentar as vendas do e-commerce brasileiro em 19%, de acordo com previsão da plataforma Busca Descontos.

Nos Estados Unidos, onde foi batizada de Free Shopping Day, a data existe há nove anos. Na última edição do evento americano, em dezembro de 2016, mais de 1,2 mil marcas ofereceram frete grátis para compras de qualquer valor, durante 24 horas. Walmart, Target e Macy`s foram algumas das varejistas participantes.

Já no Brasil, a adesão ao evento por parte dos e-commerces ainda não vingou. Há dois anos, o consumidor online vem percebendo um movimento de queda na oferta de vendas com frete grátis.

Se em 2013 60% das empresas ofereciam o benefício, no ano passado a proporção caiu para 40%. E a tendência é que essa prática se torne cada vez mais escassa. 

A razão disso é a própria maturação do comércio eletrônico no Brasil. A cultura do frete grátis ganhou força nos primeiros anos do e-commerce como forma de atrair o consumidor para o canal, de acordo com Maurício Salvador, presidente da Abcomm (Associação Brasileira do Comércio Eletrônico).

Com o tempo, os empresários brasileiros perceberam que custear o serviço de entrega abalava as contas das empresas, e os consumidores passaram a assumir os custos de entrega -que corresponde de 10% a 15% do valor do produto. 

No entanto, o frete grátis é o fator maior impacto em lojas online e uma das principais demandas do consumidor brasileiro, de acordo com o estudo global UPS Pulse of the Online Shopper, desenvolvido pela UPS e comStore. 

A pesquisa levantou as tendências emergentes nos principais mercados de comércio eletrônico no Brasil, México, Europa, Ásia, e EUA, em 2015.

Ricardo Bove, diretor geral da plataforma Busca Descontos, explica que a diminuição do frete grátis no e-commerce teve influência nas decisões de compras, e contribuiu para o aumento do abandono de carrinhos no varejo online.

Responsável pela popularização da Black Friday no País, a Busca Descontos promove o dia do frete grátis há seis anos.

Em 2016, 15 e-commerces participaram da ação. Marcas como Brastemp e Havaianas fizeram parte de edições anteriores. Até o momento, oito marcas estão confirmadas para a próxima ação, de acordo com Bove, que diz ainda não poder revelar a identidade delas.

Varejistas como Netshoes, Livraria Saraiva e Quem disse, Berenice? optaram por não participar da ação, e não quiseram explicar a razão.

Para Salvador, o consumidor vai ter de se habituar. Já para os lojistas, uma boa estratégia é estabelecer um valor mínimo para garantir o benefício e garantir a rentabilidade, especialmente, quando muitas empresas estão pressionadas pela economia fraca.

Para quem trabalha com grandes volumes, possui uma logística terceirizada bem estruturada e comercializa produtos acima de R$ 500, como os de linha branca, aderir ao evento pode ser um bom negócio, segundo afirma Bove. 

"Em tempos de crise, é importante trabalhar bem a divulgação e promover ações para fisgar o consumidor. Um dia de frete grátis bem planejado pode ser uma boa oportunidade", diz. 

Outro levantamento da consultoria Econsultancy, evidencia que 55% da taxa de abandono de carrinho acontece, exatamente, no momento em que o consumidor descobre o valor que irá pagar pelo frete. 

Para Bove, no atual momento de instabilidade econômica pela qual o país atravessa  é imprescindível que os varejistas adotem medidas estratégicas para aumentar as vendas. 

“Uma delas é justamente o frete grátis, que pode ser usado como estratégia de vendas para motivar os consumidores a comprarem mais”, diz.

Na última edição nacional do dia do frete grátis, as categorias com mais cliques foram as de informática e eletrônicos (com 21% cada), seguidas pelo setor de moda (15%), eletrônicos (10%) e casa e decoração (8%).

A região Sudeste representou o maior número de acessos, com 48%, seguida pelo Nordeste (24%), Sul (14%), Norte (9%) e Centro-Oeste (6%). No dia, durante 24 horas, os e-commerces participantes não irão cobrar pelo frete.

DICAS PARA ADOTAR O FRETE GRÁTIS

No dia do frete grátis tanto cliente quanto e-commerce precisam sair ganhando. No caso dos consumidores, as vantagens são claras.

Para as empresas, o importante é garantir a saúde financeira do negócio e não colocar em risco a qualidade dos serviços prestados. 

A data é a chance de atrair mais clientes e aumentar o volume de vendas. Contudo, é preciso ficar atento, uma vez que bancar frete grátis em grande escala pode prejudicar o faturamento de um e-commerce.

Se houver recursos para custear a ação, promova-a para aumentar suas chances de fidelizar mais clientes, aconselha Salvador.

Margem de lucro – O ideal é conferir se as margens de lucro da empresa são suficientes para cobrir fretes gratuitos dos produtos a serem ofertados.

É preciso analisar a margem de cada produto, e determinar o quanto da parcela de lucro seria prejudicada com o corte na cobrança do frete.

“Nem todos os produtos precisam ser incluídos nessa ação”, diz Bove.

Valor mínimo - A prática estabelecida pela maioria dos e-commerces é também uma estratégia para garantir vendas adicionais.

Fixar um valor mínimo para o frete grátis é recomendado às lojas que quiserem oferecer todos os seus produtos sem que isso possa afetar a margem de lucro do negócio. 

Estimativas - Antecipar cálculos para ter uma ideia dos gastos arcados para distribuir seus produtos em diversas regiões do país é uma providência positiva.

“Alie os resultados dessas contas com a sua margem de lucro e verifique a possibilidade de conceder a gratuidade no frete para todo o Brasil”.

Caso isso não seja possível, outra alternativa é segmentar o dia do frete grátis por região. O objetivo pode ser tanto reforçar a presença da marca em uma região, como penetrar em uma área na qual a participação de mercado da loja virtual pode ser expandida.

IMAGEM: Thinkstock



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