São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

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Crise na Grécia fechou 59 empresas por dia nos últimos meses
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As margens de receita e lucro foram duramente atingidas ante a queda de vendas e redução de investimentos. Quem resiste corta custos e muda seu modelo de negócio

Enquanto o governo grego tenta chegar a um acordo com seus credores em Bruxelas neste fim de semana, o setor empresarial tenta se ajustar ao cenário econômico fraco do país.

A incerteza política quanto ao destino da Grécia na zona do euro, impulsionada pelas tensões entre Atenas e seus credores sobre medidas adicionais de austeridade, levou a economia grega de uma frágil recuperação em 2014 para uma nova recessão no primeiro trimestre deste ano.

As dificuldades de reformar a economia do país e manter seu governo solvente devem continuar, mesmo que a Grécia e os líderes europeus consigam um acordo temporário, em uma maratona de negociações na capital belga neste fim de semana.

Após a economia grega encolher cerca de 25% durante os seis anos de recessão, o espectro da depressão econômica voltou ao país, levando empresas a ficar na defensiva.

A piora nas condições leva dezenas de empresas a desaparecer diariamente. A Confederação Nacional Helênica de Comércio (ESEE) afirma que a incerteza levou ao fechamento em média de 59 empresas ao dia, nos últimos meses, além de uma perda de 22,3 milhões de euros (US$ 24,9 milhões) da economia a cada dia.

Muitas empresas, apegadas a seus modos tradicionais de tocar o negócio, não conseguem sobreviver aos tempos mais difíceis.

"Não é fácil para os negócios gregos se ajustarem. Não há uma cultura de negócios na Grécia apoiando mudanças", disse Aristeidis Samitas, professor associado de Finanças na Universidade Aegean. "O empreendedorismo é muito mais tradicional aqui que em outras partes do mundo."

A fim de evitar uma catastrófica guerra de preços, muitos empresários estão rearranjando seus modelos de negócio, cortando custos ou mudando seu foco de mercado. As margens de receita e lucro foram duramente atingidas, diante da demanda mais fraca dos consumidores e de investimentos menores.

Um exemplo é o de Christina Tzekou, cuja família montou uma fazenda para produção orgânica de ervas na região de Halkidiki, no norte grego, há dois anos e meio. Ela diz ter passado meses batendo na porta de possíveis compradores em Atenas e na Tessalonica, a segunda maior cidade do país, com poucos resultados. Agora, ela coloca mais peso em seus esforços para crescer no exterior.

Seu negócio, que produz ervas como orégano, tomilho e sálvia, também está ampliando a variedade de produtos. "Nós percebemos que compensa muito mais buscar negócios no exterior", comenta ela, mas é necessário prudência.

"Nosso orçamento não permite que visitemos qualquer feira de negócios no exterior", diz. "Nós estamos tentando fazer contatos por e-mails, enviando amostras", explica. Agora, a fazenda está mirando nos EUA e na Austrália, após já ter exportado para Alemanha, França e Noruega.

Já Antonis Hatzimichael terminou de mudar a mobília de seu hotel na ilha Kos e agora oferece um serviço para incluir uma refeição a mais, além do café da manhã, como opção para os hóspedes.

Após mudar a agência de viagens com quem trabalha, o hotel está lotado para o verão, resultado que ele espera que continue. Ainda que Hatzimichael e seu irmão trabalhem agora 16 a 17 horas ao dia, em vez das dez horas habituais de antes, ele está confiante de que o trabalho extra vale a pena.

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"Apesar das incertezas, é preciso assumir os riscos extras", disse. "É preciso se mover com cuidado, avaliar seus passos para garantir que você permaneça de pé, mas no fim vale a pena."

*FOTO: Bruno Marfinati /Estadão Conteúdo



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