São Paulo, 04 de Dezembro de 2016

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Crise já reduziu o fluxo de clientes nas lojas
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Levantamento da consultoria Kantar Worldpanel revela que a frequência dos consumidores no varejo de alimentos e produtos de limpeza e higiene caiu 9,5% neste ano

O varejo já sente os reflexos do impacto que os ajustes na economia têm tido no bolso e nas expectativas dos consumidores. Pesquisas apontam que a ida dos consumidores às lojas segue em queda e isso começa a ameaçar até mesmo negócios que normalmente sofrem menos nas crises, como alimentação e higiene. Aumentos de preços em razão do câmbio e alta de impostos contribuem para afetar as vendas.

Um dos principais termômetros do comércio é o fluxo de clientes nas lojas. De acordo com dados da consultoria Kantar Worldpanel, caiu 9,5% em 2014 a frequência dos consumidores nas lojas do varejo de alimentos e produtos de limpeza e higiene (que inclui supermercados, por exemplo).

Mas o mais preocupante é a tendência: uma parte desse efeito vinha sendo compensada porque, a cada ida à loja, o consumidor comprava um volume maior de produtos e o tíquete da compra subia. O crescimento do tíquete médio, porém, desacelerou desde o meio do ano passado.

"É possível que a queda na frequência fique ainda mais acentuada em 2015", diz Carolina Andrade, executiva de Marketing da Kantar. As pesquisas de comportamento do consumidor, diz, apontam para um cenário de estagnação nas vendas este ano das cestas de produtos monitoradas pela companhia.

A baixa frequência pode forçar os varejistas a elevar as promoções para atrair os clientes às lojas, o que tende a ferir as margens. "O aumento da atividade promocional somado aos altos custos em razão da depreciação do real podem ameaçar as margens operacionais", comenta em relatório sobre o varejo brasileiro o analista Marcel Moraes, do Deutsche Bank.

Nas grandes redes supermercadistas, há um esforço para fazer com que o fluxo cresça. O Grupo Pão de Açúcar viu as vendas se deteriorarem na bandeira de hipermercados Extra ano passado e tem sido mais agressivo em preço e investido mais em comunicação. "Uma melhoria no desempenho de vendas pode vir às custas da rentabilidade", disse Moraes sobre a empresa. No Carrefour, o ano também é de tentativas de recuperar os hipermercados, que em grande parte estão sendo reformados.

O clima é notadamente menos otimista no varejo supermercadista este ano. Exemplo disso são as expectativas de vendas para a Páscoa, um dos períodos mais importantes de vendas de alimentos no ano.

Pesquisa da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apontou que a maioria dos supermercados brasileiros acredita que as vendas não devem crescer: 55,8% creem em vendas estáveis ante 2014 e 17,3% acreditam em queda.

Contribui para a perspectiva menos positiva a alta nos preços pela indústria. Em segmentos que dependem de importação, os impactos da desvalorização do real já têm sido repassados aos preços. É o caso do setor de higiene e cosméticos, diz o diretor executivo da Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), Geraldo Monteiro.

Além do câmbio, pesa sobre o setor a mudança no IPI para distribuidoras de cosméticos, que elevou a carga. "Desde o início do ano, todo esse impacto do IPI já foi repassado aos preços", conta Monteiro.

Para além do varejo supermercadista, dados da empresa de monitoramento Virtual Gate e da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo mostram que até fevereiro o fluxo de clientes na média entre vários segmentos do varejo já caiu 5,8%.

Caio Camargo, diretor de Relações Institucionais da Virtual Gate lembra que os próximos meses já não devem ser animadores. Em março, o desempenho pode ser prejudicado pelo clima pessimista gerado com as manifestações de rua e, em abril, há mais feriados, tipicamente dias com pouco movimento em lojas.



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