São Paulo, 30 de Setembro de 2016

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Cosméticos do Brasil para a Colômbia
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Com o apoio da Apex, Phytos Essence e Feitiços Aromáticos desbravam novos mercados

Paciência. Eis um atributo necessário para o eventual exportador. É o que afirma um executivo de uma empresa de cosméticos que há sete anos se prepara para exportar. Com o apoio da Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos) e da Apex-Brasil, a empresa participou em maio passado de uma rodada de negociações, muito bem-sucedida, com empresários colombianos.

“As chances de vender na Colômbia são boas”, diz Toshihiro Asamura, diretor comercial da Phytos Essence, especializada em produtos para tratamento dos pés. Em 2007, a empresa chegou a dar alguns passos para colocar os produtos lá fora, mas a ação foi considerada prematura.

Naquele momento, a Phytos Essence não poderia dar conta da exportação de uma linha de produtos para diabéticos para a Arábia Saudita, pois não tinha capacidade suficiente de produção. Além disso, faltava registrar os produtos no mercado saudita e alterar as embalagens.

Hoje a Phytos Essence, que produzia de 2 mil a 3 mil unidades por mês, está preparada para fabricar 10 mil unidades mensais de uma linha composta de 11 produtos. A opção, considerada mais segura, foi começar a exportar para a região da América do Sul.

A empresa já está em processo de registro dos produtos na Colômbia e, na medida em que a demanda for crescendo, vai trabalhar com terceirização. Estados Unidos e países da Ásia são outros mercados que a Phytos Essence começou a estudar, a prospectar.


Minicolônias da Feitiços Aromáticos: parcerias têm amadurecido a estratégia de vendas externas

CAPACITAÇÃO

O mercado externo sempre foi foco da Feitiços Aromáticos, empresa que surgiu em 2002 com a produção de minicolônias, com o apelo de “atrair sorte, amor e encantamento à vida das pessoas”.

Porém, somente de dois anos para cá, quando a empresa decidiu participar de um projeto setorial da Abihpec, em parceria com a Apex-Brasil, passou a sentir-se bem mais à vontade para correr atrás de clientes no exterior.

Afinal, foi também nesse período que a Feitiços Aromáticos se firmou como uma fabricante de cosméticos naturais e sensuais. O mercado externo representa 3% da receita empresa, de R$ 3 milhões por ano, e a expectativa é engordar esse percentual, com exportações para Colômbia e Chile.

A parceria com as instituições tem sido de grande importância para o amadurecimento da empresa no quesito exportações, segundo Raquel da Cruz, fundadora da Feitiços Aromáticos. “Exportar é hoje uma realidade para a pequena empresa, mas são necessários alguns cuidados. Além da adequação de rotulagem e preços, no caso de cosméticos, é preciso prestar muita atenção no uso de ingredientes e na obrigatoriedade de registros nas agências de saúde dos países para os quais se pretende exportar. O processo é demorado e de muito aprendizado”, avisa.

APOIO

Há diversos programas no país para orientar as empresas. Desde 2009, as PMEs brasileiras podem participar do Peiex (Projeto de Extensão Industrial Exportadora), criado pela Apex-Brasil. O objetivo é incrementar a competitividade e promover a cultura exportadora, qualificando e ampliando os mercados das indústrias por meio de soluções para problemas técnico-gerenciais e tecnológicos.

Mais de 13 mil empresas participaram do programa até agora. “Não tem mágica, é tempo de trabalho”, afirma Tiago Terra, gerente de competitividade empresarial da Apex-Brasil.

Consultores do Peiex estão espalhados por 14 Estados brasileiros para dar suporte às companhias, em sua maioria PMEs. Para participar, as empresas devem entrar em contato com a Apex-Brasil  e fazer a inscrição. “Para ir para o exterior, a empresa tem que estar com uma estrutura competitiva. E esta é a concepção do projeto”, diz Terra.

Cerca de 2.200 empresas estão sendo atendidas atualmente pelo Peiex. A consultoria, com duração média de quatro a cinco meses, não se resume a esse período. A empresa pode se inscrever para participar de novo atendimento, mas somente após ter estabelecido processo de gestão financeira, controle de fluxo de caixa, se for o caso. Numa segunda fase, entra a ajuda dos técnicos para pesquisa de mercado, design de produtos, além de certificações nos países importadores, e também começam as rodadas de negociações.

No ano passado, a Apex-Brasil levou 800 empresas para negociar com potenciais clientes. Neste ano, a participação de 33 empresas em rodadas que aconteceram no Peru e na Colômbia gerou negócios da ordem de US$ 36 milhões para empresas brasileiras dos setores de alimentos, cosméticos, máquinas agrícolas e equipamentos.


Linha de produção da Top Cau: a empresa é veterana dos programas da Apex

ADEQUAÇÕES E CERTIFICAÇÕES

A Top Cau, fabricante de chocolates há 20 anos, participa de programas da Apex-Brasil. Depois de uma análise técnica de uma equipe de consultores, a empresa recebeu a feliz notícia de que já estava prepara para exportar. Os mercados-alvos da empresa são países da África e do Oriente Médio, mas também negocia exportar para países da América Latina.

A consultoria da Apex não tem custo. O que tem custo são as mudanças que as empresas eventualmente tenham de vir a fazer para melhorias de processos, treinamento de pessoas e criação de departamentos.

A Top Cau, por exemplo, gastou perto de R$ 1 milhão para fazer dezenas de alterações para melhorias de qualidade e segurança na produção de chocolates, com destaque para o manuseio do produto, além de reformulação de embalagens (atóxicas) e equipamentos (detector de metais). “Nós tínhamos detector de metais na fábrica, mas o que temos agora é muito mais eficiente. Tivemos também de trocar fornecedores, que não possuíam a qualidade de que precisávamos”, afirma Rodrigo Alvarenga, gerente comercial da empresa.

A empresa também foi buscar a certificação ISO 22000, norma que trata de gestão e segurança de alimentos, que a forçou a atualizar documentação, capacitar funcionários, contratar consultoria externa para a realização de auditorias internas, além de prestar bem mais atenção às reclamações de consumidores. “Todo o processo é lento mesmo.”

BUROCRACIA

Depois de seguir toda a cartilha de preparo para a exportação, as empresas, e aí de todos os portes, sem exceção, precisam correr atrás de documentação para a liberação dos embarques. Essa tarefa também não é fácil, pois são dezenas de órgãos envolvidos, dependendo do setor e do produto. Uma das grandes reclamações das empresas, especialmente das PMEs, é a burocracia brasileira para poder efetuar a exportação, o que acaba provocando o desinteresse pelo mercado internacional. A promessa do governo, porém, é que, no caso das exportações, a burocracia vai diminuir.

O Programa Portal Único de Comércio Exterior, lançado recentemente, objetiva justamente reformular os processos de importação, exportação e trânsito aduaneiro, tornando-os mais eficientes para o comércio exterior. Todos os órgãos envolvidos para liberar o comércio exterior poderão ser acessados pelo portal. Parte do programa estará em operação em 2015, com conclusão prevista para 2017.

O governo promete que o processo on-line vai tornar o processo de exportação muito mais leve, com a redução de custos para as empresas. A liberação de documentos para uma exportação, que demora de 15 a 17 dias, deve cair para 5 a 8 dias. A conferir.

FINANCIAMENTO

O Proex, principal instrumento público de apoio às exportações brasileiras, é outro mecanismo, segundo os especialistas em comércio exterior, que pode ser utilizado pelos pequenos e médios empresários, na falta de recursos do exportador. O programa permite que a empresa financie a exportação por um prazo de até dez anos, com juros de mercado internacional, isto é, mais baixos do que os do Brasil.

Com todos os programas de apoio e financiamento às exportações, segundo os consultores, as exportações se tornam viáveis para as PMEs. “Sucede, porém, que só os empresários com visão mais globalizada é que buscam mesmo a internacionalização dos produtos”, afirma Vladimir Guilhamat, diretor- titular de Relações Internacionais e Comércio Exterior do Ciesp.

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