São Paulo, 24 de Março de 2017

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Consumidor começa 2015 com orçamento mais apertado
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Para driblar maior comprometimento da renda da clientela, o comércio deve esticar os prazos de pagamento

Fazer com que o consumidor abra a carteira para se comprometer com uma compra a prazo, como geladeira, fogão ou móveis, vai ser uma tarefa complicada neste ano. Não é que ele não queira renovar a casa. O fato é que está com o orçamento bem mais apertado. Além disso, se ele já sentia medo de perder o emprego em 2014, a situação piorou neste mês, especialmente com a decisão da Volkswagen de demitir 800 funcionários nesta semana.

Levantamento recente do Provar (Programa de Administração do Varejo), da Fundação Instituto de Administração/USP, com 500 famílias paulistanas, mostra que o nível de comprometimento da renda continua subindo.

O crediário participa agora com 24,1% das despesas, seguido por educação (20,1%), alimentação (18,6%), habitação (11,8%), transporte (7,5%), saúde e cuidados pessoais (4,8%) e vestuário (3,8%). O que sobra no final do mês, portanto, são apenas 9,2% do orçamento, o menor já constatado. No levantamento anterior, realizado no quarto trimestre de 2014, este percentual era de 11,1%.

“Esta limitação nas sobras reforça a ideia de que este trimestre será bastante fraco para o varejo, ainda mais considerando todo o ajuste que deverá ser feito na economia, com alta de juros e da inflação”, afirma Claudio Felisoni, presidente do conselho do Provar.

Para enfrentar este período, os lojistas deverão esticar os prazos de financiamento, na avaliação de Emílio Alfieri, economista da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). “Se não ampliar os prazos, vai ser difícil vender eletrodomésticos e móveis neste ano. Os consumidores estão também inseguros em relação ao emprego”, diz.

Esda insegurança foi revelada por pesquisa conduzida pelo instituto Ipsos, a pedido da ACSP, com uma amostra de mil brasileiros. Em dezembro passado, 40% dos entrevistados disseram que estavam seguros no emprego. Eram 44% no mesmo período de 2013.

Para tentar driblar a insegurança do consumidor, os comerciantes já começaram, na verdade, a esticar prazos de financiamento. O prazo médio dos financiamentos dos bancos para a compra de bens duráveis, incluindo veículos, que era de 47,9 meses, em setembro passado, elevou-se para 52,4 meses em novembro.

Eis aí uma tendência que deverá se manter ao longo do ano. De qualquer forma, nem o prazo mais longo deve ser suficiente para que o consumo volte ao ritmo do final de 2013. As demissões na Volks assustaram e nada garante que outras grandes empresas não sigam o mesmo caminho.

 

 



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