São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Negócios

Comerciantes fazem 'dobradinha' em shopping centers
Imprimir

Lojistas que migraram para o shopping Bourbon estão retornando ao West Plaza, mas sem fechar os pontos abertos também no concorrente. Eles dizem não temer a canibalização

De olho no potencial de consumo da região oeste, lojistas que se mudaram do West Plaza para o Bourbon no fim dos anos 2000 estão retornando ao West Plaza, mas sem encerrar a operação no Bourbon. Eles não temem a canibalização de vendas por causa da proximidade entre lojas da mesma marca.

Sérgio Zeitunlian, diretor da Handbook, que vende itens de vestuário de moda jovem, recentemente retornou ao West Plaza, após ter deixado o shopping em 2006 porque a operação não era rentável. "É como se fosse um shopping novo", diz, comparando o empreendimento atual com o de dez anos atrás.

Com um investimento de R$ 700 mil, ele inaugurou uma loja de 120 metros quadrados, bem maior que o ponto de venda que teve no passado nesse mesmo shopping. O fator decisivo para o retorno ao West Plaza a foi a boa negociação que teve com shopping.

Apesar da proximidade entre os shoppings, Zeitunlian pretende manter a loja da mesma marca no Bourbon. "Os shoppings têm públicos diferentes", diz ele. A loja do Bourbon é maior, tem 200 metros quadrados e teve condições diferentes de negociação em relação a do West Plaza.

Segundo o empresário, a expectativa é que a unidade do West Plaza seja uma loja do grupo B dentro da sua empresa, isto é, de faturamento intermediário, a mesma categoria da loja do Bourbon Shopping. Copa Tito Bessa Júnior, diretor da TNG, é outro empresário que está otimista com as mudanças do West Plaza.

Com lojas no Bourbon e no West Plaza da mesma bandeira, ele acredita que até o fim deste ano a nova loja do West Plaza vai se equiparar em resultados a do Bourbon Shopping.

O empresário conta que no dia da derrota do Brasil na Copa, ele foi entregar as chaves da loja que tinha no shopping porque a operação não era rentável no espaço que ocupava. Nesse dia foi surpreendido com uma boa notícia: uma oferta interessante para que ocupasse um espaço maior, de acordo com um novo projeto que tinha em mente.

"Tripliquei o tamanho da loja. Aquele dia foi inesquecível", conta ele. De acordo com o novo projeto, Bessa agregou uma área específica para vestuário infantil, a TNG Kids. Na nova loja, foram aplicados cerca de R$ 500 mil. A expectativa é que em dois a três anos esse projeto se pague.

Fernando Finateli, sócio da franquia Imaginarium, é outro empresário que decidiu apostar no shopping. "Valeu a pena, a negociação foi vantajosa", conta ele, sem detalhar as condições do contrato. Na sua opinião, além do contrato de locação, um conjunto de fatores que fez com que ele aceitasse a proposta.

Entre eles estão o plano de revitalização do shopping e o potencial de consumo da região. Nem mesmo o fato de ter uma outra franquia da mesma marca instalada no vizinho Bourbon Shopping, vendendo os mesmos produtos com os mesmos preços, preocupa o empresário. "Não vejo risco de canibalização."

 

MAIS DE 200 MIL PESSOAS MORAM NA ÁREA DE INFLUÊNCIA DOS SHOPPINGS BOURBON (NA FOTO) E WEST PLAZA, COM UM POTENCIAL DE CONSUMO QUE ATINGIU R$ 9 BILHÕES EM 2014

 

REVITALIZAÇÃO

Após uma fase de estagnação e perda de lojistas, o Shopping West Plaza está voltando ao jogo e investindo R$ 38 milhões na revitalização do empreendimento para disputar com o concorrente e vizinho Bourbon Shopping o cobiçado mercado de consumo da zona Oeste de São Paulo.

Mais de 200 mil pessoas que moram nos bairros da Lapa, de Perdizes e da Barra Funda, a área de influência do shopping, gastaram em 2014 quase R$ 9 bilhões, segundo a consultoria especializada em avaliar potencial de consumo IPC Marketing. Entre 2009 e 2014, enquanto o consumo cresceu 83,2% na cidade de São Paulo, nesses três distritos o aumento foi maior, de 93,4%.

O avanço do consumo superior a média da capital foi puxado pelo maior número de domicílios na região. "Percebemos o grande potencial de consumo do shopping", afirma a superintendente do West Plaza, Bettina Quinteiro. Ela ressalta que a região ganhou impulso econômico adicional com novos empreendimentos imobiliários comerciais e residenciais, além da recente inauguração da arena multiúso Allianz Parque.

Desde 2012, quando a Aliansce, empresa especializada em desenvolver shoppings e dona de 25% do empreendimento, assumiu a administração do West Plaza foram gastos R$ 20 milhões na revitalização do shopping. Até o final deste ano serão aplicados mais R$ 18 milhões. Os recursos dos sócios do empreendimento, que além da Aliansce (25%) inclui Brookfield (45%) e BTG Pactual (30%), estão sendo aplicados na modernização do shopping e expansão.

O novo West Plaza, que estará concluído até o fim deste ano, terá sete novas salas de cinema da bandeira Cinemark, um teatro, a padaria 24 horas St. Etienne, com acesso pelo boulevard, e até um laboratório de análises clínicas, o Lavoisier, além de uma faculdade com cursos de MBA.

"Muitas lojas que saíram do shopping estão retornando", conta Bettina. Quando assumiu o empreendimento em 2012, a taxa de vacância do shopping beirava 6%, que é um indicador alto. Hoje está em 2%. "Reestruturamos o mix de lojas de acordo com o público", diz ela.

Até o final deste ano, o shopping terá 216 lojas, 46 a mais em relação a três anos atrás. A executiva ressalta que além reunir o maior número de âncoras, o shopping atraiu novas operações como a The Body Shop, Handbook, Mercatto, Mundo Verde, por exemplo. Também tem operações específicas de algumas bandeiras, como a Riachuelo Mulher e uma loja da Mr. Kitsch Family, a única nesse formato entre as 80 da marca.

Para Luiz Alberto Marinho, sócio-diretor da GS&BW, consultoria especializada em shoppings, o potencial de consumo na região onde está instalado o West Plaza é tão grande que há espaço para dois shoppings. Essa também é a avaliação de Tiago Torres, presidente da FB4 Brands, dona da marca Mr. Kitsch. Ele, que em investiu R$ 3 milhões numa loja de 300 metros quadrados no West Plaza, acredita que o shopping não é concorrente do Bourbon.

O West Plaza, na sua avaliação, deve atrair o público das classes B menos e C, enquanto o Bourbon, o das classes B mais e A. "Os shoppings têm posicionamentos diferentes e são complementares." Decadência Inaugurado em 1991, o West Plaza viveu anos de ouro na década de 1990.

Mas entrou em decadência no período seguinte por causa desentendimentos entre os sócios iniciais do empreendimento, o Grupo Victor Malzoni e a gestora de fundos Funcesp, do setor de energia elétrica. As divergências resultaram na paralisação dos investimentos.

Ambos deixaram o negócio em 2007. No ano seguinte, o cenário que já era desfavorável por causa da falta de atualização do shopping piorou com a abertura do Bourbon, do grupo gaúcho Zaffari. Com uma arquitetura moderna, o novo shopping atraiu lojistas do West Plaza. Agora o concorrente quer dar o troco. Procurada, a direção do Bourbon não se manifestou.



Agora ele espera que o discurso se materialize na prática, de acordo com o presidente do Citi no Brasil, Hélio Magalhães

comentários

Em evento organizado pelo setor de shoppings, eles disseram que buscam ativos de boa qualidade, bem localizados e a preços razoáveis

comentários

Nem o Dia dos Pais salvou o movimento dos shoppings de todo o Brasil, segundo levantamento da FX Retail Analytics

comentários