São Paulo, 25 de Junho de 2017

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Com baixo movimento de clientes, comércio resiste à greve geral
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Mesmo com a ausência de funcionários, lojistas do centro da capital e região da avenida Paulista tentavam manter a rotina na manhã desta sexta-feira (28/04)

Mesmo com o anúncio de greve geral, parte do comércio da avenida Paulista e da região central de São Paulo abriu as portas na manhã desta sexta-feira (28/04) com o objetivo de manter a rotina. 

A maioria dos lojistas, no entanto, teve dificuldades com a ausência de funcionários por causa da paralisação do transporte público e da queda no movimento de clientes. De nove lojas visitadas pelo Diário do Comércio, apenas um estabelecimento na avenida Paulista não se queixou de queda nas vendas.

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), avalia que essa mobilização não reflete o desejo do trabalhador. “O direito à greve está assegurado pela Constituição e deve ser respeitado, mas o movimento precisa ser espontâneo. Para a greve ser legítima, ela tem de partir do próprio trabalhador”, diz Burti, que também preside a Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

“Assistimos a cenas de trabalhadores tentando chegar a seus locais de serviço e sendo impedidos por pequenos grupos de manifestantes, geralmente ligados a sindicatos”, afirma o presidente da ACSP.

Para o comércio, segundo Burti, fechar as portas nesse dia significa perder um sexto do faturamento da semana. "Se levarmos em conta os feriados prolongados em abril, esse prejuízo atinge uma proporção ainda maior. O Brasil só vai progredir trabalhando."

Na região central da cidade, na rua São Bento, Jéssica Angelo, 30 anos, gerente da padaria e doceria São Bento Doces, vendeu apenas cinco das 100 formas de pães que costuma comercializar diariamente.

PRATELEIRAS DA SÃO BENTO DOCES FICARAM COMPLETAMENTE VAZIAS 

Na frente da loja, a vitrine que toda manhã expõe 50 bolos caseiros também estava vazia. 

As guloseimas são preparadas por uma funcionária que entra às 5h para bater e assar as massas, mas que não conseguiu chegar.   

O mesmo aconteceu nos balcões da padaria que sempre amanhecem recheados de salgados e outros tipos de pães. “Os fornecedores não quiseram entregar nada”.

Dos 11 funcionários que trabalham na loja, apenas uma ocupava sua posição no caixa nesta manhã. Assim como Jéssica, ela mora por perto e foi ao trabalho caminhando.

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Com a paralisação dos ônibus, trens e metrô, o proprietário da rede, que possui outras três lojas, liberou o uso do aplicativo de transporte de passageiro para os funcionários. 

Mesmo assim, até às 10h, ninguém havia chegado. “Acho que aderiram à greve”, diz Jéssica.

Com o fiasco nas vendas em duas horas de trabalho, a gerente já se preparava para fechar as portas do estabelecimento. 
Minutos antes, outra unidade da rede, na avenida Cásper Líbero, na República, foi apedrejada por manifestantes que queriam obrigar os comerciantes a se juntarem ao movimento de paralisação. 

CASAS BAHIA FOI APEDREJADA POR MANIFESTANTES

O mesmo aconteceu com a Casas Bahia, da Rua Barão de Itapetininga. Todas as vitrines da loja foram quebradas por manifestantes.

Na rua Direita, apenas as Lojas Americanas, Marisa e Eskala estavam funcionando. No entanto, o movimento de clientes era muito fraco. 

Até às 10h30, horário em que foram consultados pelo Diário do Comércio, somente a Lojas Americanas tinha realizado duas vendas com valores abaixo de R$ 10, de acordo com o gerente que não quis ser identificado.

Ali, a loja funcionava com menos da metade da equipe, que também foi autorizada a utilizar os serviços do aplicativo de transporte de passageiros. 

MOVIMENTO NAS LOJAS DO CENTRO DE SÃO PAULO FOI FRACO NESTA SEXTA-FEIRA

“Liberamos somente para os que moram mais perto, e o restante compensará esse dia em horas”.

Na Eskala, nenhum funcionário foi dispensado, mas vai poder compensar o dia. “Quem conseguiu carona, veio a pé ou de bicicleta se deu bem porque a loja deve fechar mais cedo”, afirma um dos atendentes da loja, que também não quis ser identificado. 

Na Marisa, os funcionários não quiserem dar informações sobre como o esquema de trabalho foi montado. 

Na região da rua 25 de março, a cada dez lojas fechadas, uma estava aberta. 

Os carros circulavam livremente pela rua que costuma receber 1 milhão de pessoas por dia.  

Entre os poucos comércios abertos estava a M.Camicado, loja de artigos de festas, na rua Barão de Duprat. Sem o movimento frenético de clientes que o estabelecimento costuma ter, os funcionários tiraram o dia para organizar e contabilizar o estoque, receber e repor mercadorias, além de arrumar prateleiras. 

Também com a equipe reduzida, quatro funcionários que moram na zona leste, aproveitaram a liberação da zona azul e dividiram o valor do combustível para chegar ao trabalho. O gerente da loja preferiu não dar entrevista.

Perto dali, Claudio Manoel Lima, 36 anos, segurança da Jona Bijoux foi o único a conseguir chegar à loja. Responsável por abrir o estabelecimento, ele também ficou a cargo das vendas, que só puderam ser feitas em dinheiro.

"Venho de moto, então foi tranquilo. Nem a dona conseguiu chegar porque usa o metrô. Como vim, ela pediu para eu abrir a loja até meio-dia", diz.

AVENIDA PAULISTA

Na avenida Paulista, a ausência de dois funcionários não afetou o movimento de uma loja da Starbucks Coffee, em frente ao Masp (Museu de Arte de São Paulo).

Fiéis, os clientes que conseguiram chegar à região para trabalhar mantiveram a rotina de consumo na cafeteria. 

Com fila no caixa para pagar a conta, mesas ocupadas e o entra e sai de clientes, Osmar Pinheiro Lima, gerente da loja, não tinha do que reclamar por volta das 10h – apesar de estar sem dois funcionários que trabalham no caixa. Segundo ele, esse foi o único fator negativo provocado pela paralisação desta sexta-feira (28/04). 

“Não posso dizer quanto a loja fatura diariamente, mas o que entrou no caixa até agora é o mesmo valor que entra até este horário todos os dias”, disse. O gasto médio dos clientes dessa unidade da Starbucks é de R$ 40,00.

MONTEIRO, DA BRASIL CACAU JÁ CONTABILIZAVA PREJUÍZO LOGO CEDO

No estabelecimento vizinho, a Chocolates Brasil Cacau, o cenário era bem diferente. Além da ausência de funcionários que, por causa da paralisação do transporte, não conseguiram chegar ao trabalho, o gerente Maurício Monteiro contabilizava prejuízo às 10 horas da manhã. 

“Em dias normais, neste horário, costumo ter entrada de cerca de R$ 250,00 no caixa. Hoje, até agora, só entraram R$ 65,00”, disse.

Maurício engrossa a fila dos que dizem que a greve veio num momento inoportuno. "Este é um momento de união, de trabalho, não de paralisações”, afirmou.

DONO DE BANCA, VARGAS RECLAMOU DA PARALISAÇÃO

Valdir Vargas, dono da banca de jornais que fica bem em frente à sede da Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo, reclamou da paralisação. Mostra ao repórter que a banca está vazia. E diz que, apesar do pouco movimento, não vai poder fechar o seu comércio e aproveitar para descansar.

“Não posso fazer isto. Tenho contas para pagar diariamente. Tenho de ficar aqui até às seis da tarde”, avisa.

Carros da Polícia Militar e policiais em duplas ofereciam segurança à via. Por falta de transporte – as estações do metrô ficaram fechadas e a maioria dos ônibus não circulou -, as pessoas tiveram de andar a pé, nos dois sentidos.
 

Reportagem e fotos: Mariana Missiaggia e Wladimir Miranda



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