São Paulo, 25 de Junho de 2017

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Clientes da classe AB elevam tíquete em compras online
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A classe C, que antes respondia por metade das compras, hoje não chega a 40%, revela a mais recente pesquisa Webshoppers, da consultoria Ebit

O comércio eletrônico sempre buscou oferecer ao consumidor atrativos como preço mais baixo e comodidade. Entre os benefícios mais comuns estava o frete grátis em entregas e o parcelamento sem juros. 

Agora, a clientela do comércio eletrônico terá de se habituar a uma nova realidade. Com o amadurecimento do segmento e os novos tempos na economia brasileira, as táticas para impulsionar as vendas online começam a mudar. 

De acordo com o estudo 34º WebShoppers, desenvolvido pela Ebit, 23,1 milhões de brasileiros compraram pela internet ao menos uma vez no primeiro semestre de 2016. O faturamento nominal do setor cresceu 5,2% – pela primeira vez o percentual ficou abaixo de dois dígitos. 

Para rentabilizar os negócios, as grandes varejistas estão, gradativamente, limitando o frete grátis. No primeiro trimestre do ano passado 43% das vendas ofereciam essa gratuidade ante atuais 26% (veja quadro abaixo). 

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“As lojas também estão preferindo o pagamento à vista”, afirma Pedro Guasti, presidente do eBit. “Mesmo que ofereça 5% de desconto, é uma maneira de a empresa gerar fluxo de caixa e manter a operação financeira mais saudável.”

No primeiro semestre de 2016, as compras à vista saltaram de 39,6% para 42%, em comparação com o mesmo período de 2015. Ao mesmo tempo, os sites que aceitam compras parceladas estão limitando o pagamento em até dez vezes, de preferência em cartões da própria loja. 

Na contracorrente desta tendência, é curioso notar que grandes redes de lojas físicas na área de vestuário e calçado ampliaram sua participação de mercado nos últimos dois anos graças exatamente à oferta de maior prazo de financiamento e menor custo financeiro acabam ganhando a preferência da clientela.[Leia aqui a reportagem]

CLASSE C COMPROU MENOS 

A renda familiar média dos consumidores online aumentou e atualmente é de R$ 5.174,00. No entanto, entre os motivos da alta está a menor participação dos consumidores da Classe C (renda familiar de até R$ 3.000,00), que já foi responsável por metade de todo consumo online e hoje corresponde a 37,5%. 

O pé no freio se deve principalmente às sequelas da recessão econômica: alta taxa de desemprego, inflação e diminuição da renda das famílias, que resultam em menor confiança do consumidor. 

Com menos gente de baixa renda comprando, a participação das classes A e B cresceu. Famílias com renda acima de R$ 8.000,00 movimentaram 19,24% das transações.

O ponto positivo foi o aumento na compra de categorias de maior valor agregado, como eletrodomésticos, que representaram 24% das receitas, telefonia e celulares, 20%, e eletrônicos, 12% (veja as dez primeiras categorias no quadro).

RELAÇÃO DE GATO E RATO NA INTERNET 

Se no passado bastava uma propaganda na televisão ou rádio para encher uma loja física no dia seguinte, hoje, os consumidores realizam diversos pontos de contato com a marca antes de finalizar a compra.

Nem mesmo estratégicas comuns no e-commerce, como enviar notificações de promoções, têm surtido efeito imediato. 

GUASTI, DA EBIT: BLACK FRIDAY TEVE RECUPERAR AS PERDAS DO INÍCIO DO ANO/RUBENS CHIRI/PERSPECTIVA

O eBit estudou a jornada de compra de consumidor em celulares e smartphones, responsáveis por 26% das vendas na internet entre 3 de junho e 11 julho, para entender como são feitas pesquisas na internet. 

Um dado curioso é que 42% dos consumidores pesquisam em lojas físicas antes de comprar pela internet. Ou seja, tocar nos aparelhos e tirar dúvidas com vendedores ainda é valorizado. 

Em média, o processo de compra durou 16 dias, entre o consumidor identificar sua necessidade e realizar o pagamento.

Tal fato mostra que as marcas precisam acompanhar a jornada do cliente para saber qual é o melhor momento de oferecer o fechamento da venda. Emails com descontos na hora errada podem ser facilmente considerados spams. 

O E-COMMERCE PAULISTA 

Desde 2015, a eBit está associada à FecomercioSP para traçar um retrato do varejo digital paulista, que entre janeiro e junho movimentou R$ 3,6 bilhões – representando 3,3% de todo o varejo do Estado.

No entanto, em comparação com o mesmo período do ano passado, as receitas tiveram queda de 7,4%.

"Apostamos muito numa retomada de crescimento no segundo semestre, em especial porque vemos uma melhora nos indicadores de confiança do consumidor e teremos datas importantes, como a Black Friday", afirma Guasti.

IMAGEM: THINKSTOCK



De acordo com a CNC, o valor injetado corresponde a 43% do montante sacado, que somou R$ 16,6 bilhões

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