São Paulo, 24 de Setembro de 2016

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Chineses querem dominar o comércio eletrônico no Brasil
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Sites internacionais, especialmente os da China, atraem os consumidores brasileiros com preços atrativos

Cuidado com os chineses. Enquanto as vendas por dispositivos móveis caminham para a consolidação, os chineses protagonizam uma tendência crescente no comércio virtual em 2015. Trata-se do chamado comércio Cross Border, no qual as compras são feitas em sites internacionais e a entrega chega ao endereço do consumidor. 

Segundo a 31ª edição do relatório “Webshoppers 2015”, divulgado nesta quarta-feira pela E-bit, em 2014, as compras em sites internacionais totalizaram R$ 6,6 bilhões – o equivalente a 18% do faturamento do comércio eletrônico brasileiro. Foram 17,4 milhões de consumidores que compraram pelo menos uma vez em sites internacionais e receberam o produto em casa.

Integrante do relatório, a pesquisa “Cross Border”, apurada entre 24 de novembro e 1º de dezembro de 2014 com 1.834 consumidores, mostra que quatro em cada 10 brasileiros efetuaram compras em sites estrangeiros. Em janeiro do ano passado, o número era de três em cada 10.

Deste total, 55% compraram em sites chineses, como o AliExpress. Entre os 20 sites estrangeiros mais procurados pelos consumidores, 12 são chineses, sendo que 72% dos clientes destes sites entram no grupo dos que compraram duas vezes ou mais, ante 64% dos que compram nos demais sites.

A propósito, o AliExpress está no topo do ranking geral: no período analisado, a loja virtual do grupo Alibaba pulou do terceiro para o primeiro lugar entre os mais procurados, desbancando gigantes do e-commerce como e-Bay (1º para 2º lugar) e Amazon (2º para 3º).

O grande atrativo desses sites é o preço final – sem frete nem impostos. Por isso, 84% dos consumidores pesquisados preferem os chineses porque consegue economizar. Clientes também vão parar em sites chineses para comprar produtos não encontrados em sites nacionais (25%), ou que ainda não foram lançados por aqui (7%).

Além das ofertas em língua portuguesa, há sites que até fazem a conversão estimada do preço dos produtos, geralmente apresentados em dólares, para reais. 

Se há alguns anos a indústria brasileira de vestuário e calçados apanhou da concorrência chinesa no varejo físico, essa briga continua pela internet. Os produtos mais procurados – e comprados – de sites chineses são moda e acessórios, como roupas, calçados e bolsas (33%).   

“O consumidor compra mesmo sabendo que prazo de entrega é maior, em torno de 40 dias, e que a experiência de compra será pior que em sites nacionais, principalmente por motivo de atrasos nessa entrega ou produtos fora de padrão”, afirma Pedro Guasti, diretor executivo da E-bit. 

Nem sempre essas compras acabam bem. O indicador NPS (Net Promoter Score), da E-bit, que mede a satisfação e fidelização dos clientes virtuais, mostra que, enquanto sites brasileiros tiveram aprovação de 57% dos consumidores em 2014, os internacionais tiveram 23%. Já os chineses, apenas 13%.

O perfil Knock Off Nightmares, no Facebook, reúne fotos comparando os vestidos de noiva oferecidos aos que de fato chegaram a casa das clientes. Seria mais divertido se não fosse trágico.

Guasti afirma que, aos poucos, o consumidor brasileiro percebe que comprar de empresas nacionais oferece garantia maior, entrega mais rápida, política de trocas, assistência técnica local e acesso ao Código de Defesa do Consumidor.  E também a experiência de compra omnichannel, que oferece vantagens que esses sites nunca vão oferecer.

Por isso mesmo, os varejistas brasileiros se mantêm na disputa. A C&A acaba de anunciar a volta ao e-commerce após 12 anos, assim como fizeram as concorrentes Renner e Marisa. Nesta quarta-feira (4/2), a Ricardo Eletro também anunciou parceria com a Camisaria Colombo para expandir negócios no mercado de moda. 

CONCORRÊNCIA DESLEAL

Entre as vantagens dos concorrentes orientais, estão os custos operacionais baixos – muito inferiores aos das empresas nacionais. “A maioria das operações de e-commerce de fora não estão de acordo com as leis brasileiras. Isso gera um problema enorme de competitividade”, diz Leonardo Palhares, vice-presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico.  

"Se a Receita Federal decidir apertar o cerco e colocar esses sites sob análise [já que os produtos vêm sem impostos], ou o dólar aumentar, eles perderão toda essa atratividade”, diz Guasti

M-COMMERCE CONTINUA A CRESCER

Em 2015, o e-commerce brasileiro deve faturar R$ 43 milhões – 20% a mais que em 2014, segundo o Webshoppers. No ano passado, a alta surpreendeu: o comércio eletrônico cresceu 24% ante 2013, fechando o ano com receita de R$ 35,8 bilhões.  Esse valor é resultante de 103,4 milhões de pedidos, ou 17% a mais que o ano anterior.  

Do total de consumidores, 51,5 milhões que estiveram ativos no ano passado, 10,2 milhões foram de novos entrantes. Esse número, nas estimativas de Guasti, deve crescer em torno de 20% também em 2015 com entrada prevista de 8 a 9 milhões de novos clientes.  “As lojas estão melhorando a experiência de navegação e compra, por isso os consumidores estão confiando mais e aproveitando a praticidade e as vantagens da compra online.”

O m-commerce (vendas feitas por dispositivos móveis, como smartphones e tablets) já vem dando sinais de consolidação em 2015. As compras realizadas via browser representam 9,7% das vendas virtuais no Brasil. Até o fim de 2015, quando o segmento deve gerar R$ 5 bilhões em faturamento, segundo Guasti, essa participação deve chegar a 15%. 

“Só não estamos hoje com 20% de participação, como os Estados Unidos, pela falta de qualidade da banda larga no Brasil. Mas é um número que deve ser alcançado entre 2016 e 2017”, afirma. 



O resultado é de agosto e segue a trajetória de queda iniciada em junho, segundo levantamento do Ibevar/Provar

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