São Paulo, 29 de Maio de 2017

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A força da mulher nos pequenos negócios
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Pesquisa do Sebrae mostra que entre 2001 e 2014 o número de mulheres empreendedoras aumentou 34%

O universo das pequenas e microempresas possui forte participação feminina no Brasil. 

A adaptação a novas realidades do mundo do trabalho, a busca por maior liberdade criativa por meio de um negócio próprio e atividades que ajudem a flexibilizar a rotina familiar têm levado as mulheres a investir, cada vez mais, no empreendedorismo. 

O número de brasileiras donas de empresas cresceu 34% entre 2001 e 2014, enquanto o aumento de homens nesta situação, no mesmo período, foi de 14%. As informações são da pesquisa Donos de Negócios - Análise por Gênero 2015, elaborada pelo Sebrae com dados da Pnad/IBGE de 2014. 

Em 2014 eram 7,9 milhões as empresárias em atuação no mercado formal e informal. Desse total, 98,5% eram donas de micro e pequenas empresas. 

De acordo com o presidente do Sebrae, Guilherme Afif Domingos, o crescimento da participação feminina no mercado de trabalho é uma realidade forte no país, e, consequentemente, elas também têm procurado mais o empreendedorismo. 

Afif ainda destaca que ter uma empresa é a escolha de muitas mulheres que querem conciliar trabalho e família. 

“A flexibilidade de horário de um dono de negócios é um atrativo para as mulheres que desejam organizar as finanças e, ao mesmo tempo, cuidar da família, já que 35% delas empreendem em casa. Entre os homens, esse número cai para 7%”, diz o presidente do Sebrae. 

A pesquisa ainda revelou que a proporção de mulheres empresárias que são chefes de domicílio aumentou de 27%, em 2001, para 41%, em 2014. 

Enquanto isso, a proporção dos homens donos de negócio que são chefes de família diminuiu de 82% para 70% no mesmo período. 

Entre 2001 e 2014, o tempo médio de estudo das mulheres passou de sete para nove anos. “Isso demonstra que se preparam mais do que os homens antes e durante a implantação das empresas”, afirma Afif. 

Um bom exemplo é a paulistana Agnes Martins, que trabalhava como analista de crédito de uma confecção atacadista quando foi surpreendida com a demissão, seu quinto trabalho como empregada. 

Até então, tornar-se empresária era um projeto que não estava em seu radar.  Mas a demissão do emprego acabou mudando de vez sua trajetória profissional. 

Com o dinheiro da rescisão, comprou uma máquina de costura para a fabricação de bolsas artesanais, como forma de reforçar a renda enquanto não achava outra colocação. 

O sucesso inicial das vendas, entretanto, foi afastando gradativamente a ideia de voltar ao mercado de trabalho com carteira assinada e cartão de ponto. 

Êxito semelhante tem registrado a publicitária Vanessa Alekssandra Bastos, que ao lado de duas amigas montou o marketplace Espichamos, em São Paulo. 

A ideia do trabalho, que ficou entre os finalistas da última edição do programa InovAtiva – programa de aceleração do Sebrae –, é promover o consumo consciente entre famílias por meio da troca, venda ou doação de artigos infantis usados e seminovos (também podem ser novos, apesar de não ser o foco). 

“Criamos esse negócio porque mais de 300 bebês nascem por dia no Brasil e, para o enxoval, os pais costumam comprar tudo novo, desnecessariamente, já que os artigos geralmente são pouco usados por outras famílias e descartados praticamente novos”, disse ela, que contou, para isso, com a sua própria vivência de mãe de duas crianças.

IMAGEM: Thinkstock



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