São Paulo, 23 de Julho de 2017

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5 lições de empreendedorismo de Pedro Lima, do Grupo 3 Corações
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Entenda como uma pequena empresa do interior do Rio Grande de Norte se tornou uma das líderes no segmento de café, com faturamento de 3,6 bi em 2016

O empreendedorismo está no sangue da família de Pedro Lima, presidente do Grupo 3 Corações. 

Na pequena São Miguel, cidade onde cresceu no interior do Rio Grande do Norte, seu pai tocava três empresas: uma padaria, uma indústria de café e uma fábrica de sabão.

Por incentivo da mãe, que queria que os filhos estudassem, Lima foi para Mossoró, cidade a cerca de 280 quilômetros de Natal, para fazer faculdade de agronomia.

No quinto período, decidiu largar tudo e tocar os negócios da família. E levou os irmãos Vicente e Paulo com ele.

Após muito trabalho, fusões e sociedades, o Grupo 3 Corações se tornou um dos líderes no segmento de cafés, com 23% do mercado e faturamento de 3,6 bilhões no ano passado.

No início deste mês, Lima foi ao Day1, evento organizado pela Endeavor, para contar sua trajetória. Confira cinco lições de empreendedorismo que podem ser extraídos de sua história.

►LIÇÃO Nº1: ESCOLHER UM FOCO

Após largar a faculdade, Lima e seus irmãos começaram a dirigir os dois principais negócios da família: café e sabão.

Neste período, contrataram um consultor para ajudar a expandir a empresa.  Após uma análise, o especialista aconselhou os irmãos a focarem em apenas um dos negócios.

Se optassem pelo sabão, teriam como concorrente a multinacional Unilever. A outra opção não era muito diferente. Se optassem pelo café, teriam que competir com a Nestlé.

Mas se concentrar nos dois produtos, com concorrentes tão fortes e já estabelecidos no mercado, era arriscado demais.

Os irmãos, então, se decidiram pela segunda opção e venderam a fábrica de sabão para se dedicar exclusivamente ao café.

►LIÇÃO Nº 2: OUVIR OS PUBLICITÁRIOS

O nome da empresa era, inicialmente, Nossa Senhora de Fátima. Quando teve contato com a primeira agência de propaganda, Pedro foi aconselhado a rebatizá-la.

“Eles me disseram que Nossa Senhora de Fátima era muito grande para os anúncios”, afirma Lima. Era preciso um nome mais conciso.

A mãe de Lima fazia questão que o nome ainda fosse ligado à religião. Ele trocou, então, para Santa Clara.

Com ajuda da campanha publicitária, a marca de café ficou conhecida em toda a região Nordeste.  O nome 3 Corações surgiu após a fusão com uma outra empresa.

Em outro momento, a publicidade foi essencial para ditar os rumos da empresa.

Já com a marca estabelecida nos Estados do Norte e do Nordeste, Lima queria expandir para o Sudeste.

Ele contratou uma das maiores agências de São Paulo para fazer a campanha da empresa e trouxe um dos publicitários responsáveis pela conta para conhecer o Nordeste. Dessa forma, ele pode conhecer o espírito da empresa e dos negócios da família.

►LIÇÃO Nº3: PENSAR NA LOGÍSTICA

No Brasil, pensar em expandir uma empresa por todo o território nacional, significa enfrentar inúmeros obstáculos de logística.

Quase sem querer, esse foi um dos primeiros passos de Lima para o crescimento da empresa. Em 1988, o Grupo Santa Clara estabeleceu um centro de distribuição em Mossoró.

“Quando você cria um negócio, você nem sempre sabe que está criando algo importante”, afirma. “Eu mandei Paulo [irmão de Pedro] montar o centro distribuição. Essa seria a plataforma logística que hoje sustenta o Grupo 3 Corações.”

Atualmente, o grupo está entre os dez maiores operadores logísticos no segmento de alimentos do mercado brasileiro.

►LIÇÃO Nº4: UNIR FORÇAS

A história do Grupo 3 Corações é permeada de  sociedades, compras e fusões .

Uma das primeiras tentativas de Lima foi a união da Santa Clara com o Café Damasco, baseada no Sul do país com mais de 60 anos de história. Mas a fusão não foi concretizada.

Enquanto não encontrava a parceiro ideal, a empresa expandiu adquirindo marcas menores, como o carioca café Pimpinela.

“É muito importante manter um crescimento e criar valor das marcas adquiridas. Dessa forma, você não perde o dinheiro que foi investido”, afirma Lima.

Quando a Pimpinela foi comprada, tinha apenas 8% do mercado carioca e, hoje, tem mais de 28%.

Em 2005, a empresa anunciou uma joint venture (associação de empresas sem que nenhuma delas perca sua personalidade jurídica) com o Grupo Strauss, dono da marca 3 Corações. Após as negociações, Lima assumiu a presidência do grupo. 

“É muito importante saber escolher bem os sócios”, afirma Lima. “A sociedade é boa quando todo mundo tem o mesmo objetivo.”

Nos mais de 10 anos de união com o Grupo Strauss, o faturamento saltou de R$ 700 milhões em 2006 para R$ 3,6 bi no ano passado.  

►LIÇÃO Nº5: CRIAR LAÇOS

Apesar de estar à frente de um negócio que movimenta bilhões. Lima garante que uma das principais lições é a que aprendeu ainda criança com seu pai: a importância de criar laços.

Ele afirma acreditar que o sucesso e liderança no mercado são efêmeros. Mas os laços criados com os sócios, fornecedores e consumidores são legítimos e duradouros.  

FOTO: Divulgação



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