São Paulo, 08 de Dezembro de 2016

/ Leis e Tributos

Supermercados defendem uso de sacola reutilizável em vez da plástica
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Técnicos do IPT dizem que, se não for descartada corretamente, a sacola verde é tão danosa para o meio ambiente quanto a convencional, de cor branca

A Associação Paulista dos Supermercados (Apas) está orientando os lojistas para que estimulem o consumidor a usar as sacolas reutilizáveis, como as de pano ou mochilas, para diminuir o descarte de todos os tipos de embalagens plásticas no meio ambiente.

Para a associação, o que deve prevalecer no comércio paulista é o que a entidade considera a "essência" da legislação da Prefeitura de São Paulo: o estimulo ao uso das sacolas reutilizáveis, não as plásticas, sejam elas brancas ou verdes.

Em 2011, ainda na época do então prefeito Gilberto Kassab, a lei municipal proibiu a distribuição gratuita e a venda de sacolas plásticas para os consumidores, como forma de contribuir com o meio ambiente. O assunto se tornou polêmico entre fabricantes de embalagens, comerciantes e consumidores.

No início deste ano, a Secretaria de Serviços – Autoridade Municipal de Limpeza Urbana (AMLURB) de São Paulo instituiu as especificações técnicas do que chama de sacolas bioplásticas reutilizáveis a serem adotadas pelos estabelecimentos comerciais em São Paulo.

As sacolas devem conter em sua composição ao menos 51% de matéria-prima proveniente de fontes renováveis, como a cana-de-açúcar. A de cor cinza deve ser reutilizada pelo consumidor para descarte de resíduos sólidos domiciliares. A verde, destinada a material reciclável, como plásticos e vidros.

Diretores da Apas entendem que o que está havendo é uma grande confusão no comércio. Para lojistas e consumidores, as novas sacolas - as verdes - podem dar a ideia errônea de que seriam biodegradáveis.

“A forma de contribuir com o meio ambiente, que é a essência da lei, consiste em reduzir o número de embalagens plásticas no mercado", afirma Paulo Pompilio, vice-presidente da Apas. As redes de supermercados paulistas, segundo a Apas, estão cobrando de R$ 0,08 a R$ 0,15 a unidade da nova sacolinha. "Esse é o desafio do setor. Cobrar pela sacola plástica do consumidor é, inclusive, uma forma transparente de desenvolver a conscientização”

A rede Mambo informa que decidiu não cobrar pelas embalagens plásticas e que está incentivando o uso das sacolas retornáveis, feitas de pano e alça. Por mês, as seis unidades da rede espalhadas pela cidade distribuem cerca de 1 milhão de sacolas plásticas por mês. A sacola retornável personalizada do Mambo já é vendida por R$ 3,99.

A Braskem é a maior fabricante de polietileno renovável, usado na produção de sacolas plásticas, do país. Há cinco anos, a empresa investiu cerca de R$ 500 milhões no pólo de Triunfo (RS) para fabricar o produto, o chamado plástico verde, a partir de cana-de-açúcar. Apesar de alguns pequenos lojistas informarem que está faltando a sacola verde no mercado, a Braskem informa, por meio de sua assessoria de imprensa, que tem capacidade para atender à demanda do mercado.

Vários fabricantes de embalagens passaram a adotar esses polímeros, como a Extrusa - Pack, que utiliza, por enquanto, 10% de polietileno renovável para a produção de 1.500 toneladas de sacolas plásticas por mês.

“O que é preciso esclarecer para o lojista e para o consumidor é que, se essa sacola verde que está sendo colocada no mercado não for descartada corretamente, isto é, se for jogada no meio ambiente, ela será tão danosa quanto a convencional. Não há diferença entre elas”, afirma Pompilio.

MEIO AMBIENTE

A diferença entre a sacola convencional e a verde é a origem de produção. “Quando você utiliza uma matéria prima de origem renovável, como a cana-de-açúcar, você contribui para diminuir a emissão de carbono no meio ambiente. Quando você planta uma árvore, você ajuda a captar CO2 da atmosfera. Agora, se esta embalagem não for para a reciclagem, ela é tão ruim para o meio ambiente como a embalagem de plástico, que só usa derivado de petróleo na produção”, afirma Mara Lúcia Siqueira Dantas, pesquisadora do Laboratório de Embalagem e Acondicionamento do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas).

Como a nova embalagem estabelecida para uso em São Paulo é maior e mais resistente (0,48 cm de largura por 0,55 cm de cumprimento, com capacidade de dez quilos), na sua avaliação, ela pode contribuir para reduzir a quantidade de sacolas no mercado. “Vamos ver”, diz ela.

Alencar Burti, presidente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Facesp (Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo), diz que a associação é “totalmente a favor do meio ambiente”, mas quer ser ouvida. “A medida precisa atender ao interesse da sociedade e corresponder com a capacidade de adequação dos pequenos e médios empresários.”

LEIA MAIS: Faltam sacolas verdes para os pequenos comerciantes 

 



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