Inovação

Resíduos sólidos poderiam levar eletricidade 6 milhões de domicílios


Centralização do setor elétrico inibe iniciativas que transformariam mais lixo em energia. Barueri (SP) tem projeto de usina


  Por Estadão Conteúdo 22 de Fevereiro de 2015 às 00:00

  | Agência de notícias do Grupo Estado


A inexistência de um planejamento adequado para geração de energia a partir de resíduos sólidos faz com que o Brasil desperdice potencial equivalente a uma usina de Furnas.

Esse potencial se torna mais eloquente em razão da crise hídrica e da possibilidade de racionamento num conjunto de hidrelétricas que estão, na região Centro-Sul, com reservatórios bem abaixo do nível habitual do verão.

O levantamento, elaborado pela Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), mostra que os aterros do país poderiam reunir uma capacidade instalada de 1,3 GW de energia, o equivalente ao fornecimento adicional de aproximadamente 930 mil MWh/mês. O volume, diz a entidade, é suficiente para abastecer 6 milhões de residências. Furnas tem potência instalada de 1,22 GW.

O levantamento prevê capacidade potencial de 536 MW a partir do biogás e 742 MW via recuperação energética de lixos sólidos. Esse número considera que apenas 17% da composição dos resíduos sólidos urbanos são rejeitos, o equivalente a 13 milhões de toneladas por ano.

"É uma estimativa bastante conservadora. Falamos de resíduos sólidos urbanos com poder calorífico elevado e que não possuem destinação adequada", diz o diretor-presidente da Abrelpe, Carlos Silva Filho. Não entram na conta os produtos recicláveis.

A situação brasileira começará a mudar em 2017, quando deve entrar em operação a primeira unidade de tratamento térmico de resíduos do Brasil, no município de Barueri, na Grande São Paulo. A unidade de recuperação energética (URE) a ser instalada no local terá capacidade de 17,3 MW, com potencial de geração de 15 MW médios, volume suficiente para abastecer 80 mil residências. O projeto também contribuirá para o tratamento de 825 toneladas de lixo por dia.

A construção da unidade deve ter início em maio, diz o diretor de Novos Negócios da Foxx Haztec, Alexandre Citvaras. A empresa é a administradora do empreendimento, fruto de uma parceria público privada (PPP) do município de Barueri.

O empreendimento está avaliado em R$ 280 milhões e contará com financiamento da Caixa. "Este é um projeto cuja rentabilidade é compatível ao nível de risco que este tipo de projeto tem", afirma Citvaras, sem revelar detalhes.

O sigilo a respeito dos números envolvendo o projeto de Barueri tem explicação. Até então ignorados, os empreendimentos de geração de energia a partir de resíduos sólidos devem ganhar relevância nos próximos anos, o que abrirá nova opção de geração em relação ao atual aproveitamento de biogás.

A geração de energia a partir da decomposição de lixo é considerada uma fonte atrativa em termos energéticos, mas a produtividade é menor do que no caso de projetos abastecidos com resíduos sólidos. Caso optasse pela geração de energia a partir de biogás, a Foxx Haztec teria um projeto com capacidade inferior a 5 MW, compara Citvaras. O volume representa menos de um terço da geração esperada a partir do tratamento térmico dos resíduos sólidos em Barueri.