São Paulo, 02 de Dezembro de 2016

/ Inovação

Por dentro de um coworking
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Espaços compartilhados ajudam os empreendedores a trocarem informações e a montarem novos negócios

Um espaço pequeno por fora, mas grande por dentro. É tão extenso que cabem várias empresas. As paredes são coloridas e cheias de quadros. Jovens entram, saem e circulam pelo ambiente o tempo todo. Alguns carregam notebooks para cima e para baixo. Ninguém usa roupas formais, o ambiente é bem descontraído. Essa é uma breve descrição de como é o clima na Plug, um espaço de coworking no Brooklin, zona sul de São Paulo

O termo coworking é usado designar locais de trabalho compartilhados por empresas, profissionais autônomos ou freelancers. Cada um paga uma quantia para usar o espaço. Alguns utilizam por algumas horas – apenas para receber clientes ou fazer reuniões –, outros permanecem trabalhando no local por meses e até mesmo anos.

A ideia de dividir o espaço com outra empresa não é algo totalmente novo, diversos empresários compartilham salas ou escritórios há muito tempo. A ideia de coworking, no entanto, vai além de uma divisão de espaço. Esse novo termo pressupõe um lugar onde ocorrem interações e colaborações entre as pessoas.

A palavra começou circular no fim dos anos 1990. Alguns acreditam que termo foi cunhado com esse sentido pela primeira vez por BernieDeKoven, um designer de vídeo games americano, ou por Brad Neuberg, que em 2005 fundou um dos primeiros espaços desse tipo, o Hat Factory, em São Francisco na Califórnia.

Desde que essa concepção surgiu, ela vem crescendo e ganhando rapidamente novos adeptos tanto no Brasil quanto no mundo. “Em 2010, existiam por volta de dez espaços de coworking no país, hoje são 110 cadastrados no site. O fenômeno é também mundial há espaços em lugares como o Alasca e o Egito”, afirma Fernando Aguirre, idealizador e administrador do coworkingbrasil.org, site que reúne os diversos espaços desse tipo no Brasil.

No começo, o principal motivo para os empresários se juntarem num espaço comum era o de reduzir custos. Hoje, a ideia é mais complexa. Grande parte das empresas está atrás de ambientes em que podem dividir informações, experiências, projetos e até mesmo clientes.

“Acreditamos que nosso coworking é um ecossistema, uma comunidade interativa e para isso estimulamos constante os relacionamentos entre as pessoas que estão aqui”, afirma Bruno Freitas, sócio do espaço de coworking Plug.“Não somos apenas metros quadrados, já vimos empresas nascerem dentro do nosso espaço”.

Uma mudança observada nesse curto espaço de tempo em que os coworkings chegaram no Brasil é o público que procura esses locais. Inicialmente, esses ambientes eram voltados para profissionais liberais que não tinham um escritório fixo. Hoje, além de advogados, contadores e consultores, esses lugares servem de escritório para diversas pequenas empresas e startups.

O espaço também é utilizado por empresas de grande porte que precisam de um escritório temporário ou por multinacionais que estão se estabelecendo no Brasil. È caso da americana Uber e da britânica Virgin, que possuem escritórios dentro da Plug. “Nós ajudamos as empresas estrangeiras a se estabelecerem no país antes de terem seus próprios espaços”, afirma Jorge Pacheco, fundador da Plug.

 

Bruno Freitas e Jorge Pacheco, sócios da Plug, incentivam a interação entre as empresas do coworking 

 

COMO FUNCIONA

Dentro de um espaço de coworking, os empresários têm uma estrutura preparada com internet, telefone, salas de reunião, copa, serviço de limpeza, segurança, recepcionista e, em alguns casos, até auditório e sala de jogos. “Se todos os serviços fossem adquridos individualmente, eles sairiam mais caros que a mensalidade do espaço. Isso sem falar da burocracia e do tempo que demora em contratá-los”, diz Pacheco.

Em média, a mensalidade de um espaço num coworking em São Paulo custa entre R$ 600 e R$ 1.800 reais por pessoa, os valores podem variar de acordo com o número de funcionários e com as necessidades de cada negócio. Alguns lugares também podem ser usados por poucas horas, nesse caso os preços costumam ser de R$ 15 a hora. Alguns coworkings como a Plug vão além e oferecem outros serviços, como consultoria financeira e operacional para empresas.

O formato dos espaços de coworking pode variar: alguns são têm grandes mesas em que todos sentam juntos e trabalham lado a lado e outros são compostos por pequenas salas repartidas por meio de divisórias. “O modelo aberto é para estimular a interação entre os coworkers [termo usado para definir as pessoas participam de um coworking] e o fechado é para quem precisa de privacidade para fazer ligações ou atender a clientes, mas isso não impede que haja contato com outras pessoas”, afirma Fernando Aguirre.

Parte do trabalho de Pacheco, Freitas e dos demais administradores de coworking é criar eventos que estimulem a interação entre as pessoas. “Ás vezes as pessoas sentam próximas e mesmo assim não conversam, por isso tentamos incentivar os contatos”, afirma Freitas. A maioria dos coworkings organiza Happy Hours, palestras e festas para que as pessoas se conheçam e se relacionem.

 

Os espaços abertos com grandes mesas que abrigam diversas pequenas empresas

 

Espaço separados com divisórias ajudam a ter  privacidade dentro do coworking

 

 

OS COWORKERS 

A analista de sistemas Juliana Glasser trabalhava no mercado financeiro quando decidiu montar suas própria empresa para desenvolver softwares, a Carambola. Ela começou a procurar um local para servir de escritório e decidiu que o melhor lugar para começar seu próprio negócio era dentro de um espaço de coworking. “Minha antiga área era muito certinha, queria um espaço informal”, diz Juliana. A empresa dela está há um ano e dois meses na Plug.

A Carambola cresceu dentro do coworking. Começou com quatros funcionários e hoje tem 24. “É muito produtivo trabalhar num ambiente como esse. Sempre que tinha dúvidas sobre meu negócio, eu ia conversar com as pessoas aqui de dentro e eles me ajudaram muito. Quase todos os clientes e contatos que fizemos foram dentro do coworking. É como se fossem um mini cidade em que todos se ajudam e tem sempre gente nova para renovar o ambiente”, afirma Juliana. “Quem vem para um coworking deve estar disposto a colaborar”.

Para a empresária, a principal desvantagem de estar num ambiente como o da Plug é o excesso de projetos que aparecem. “É fácil sair do foco e querer pegar mais coisas do que você tem capacidade, com o tempo aprendemos a não fazer mais do que podemos”.

Outro coworker que está na Plug é Associação Brasileira da Startups. Eles decidiram alugar um espaço dentro de um coworking porque esse é um ambiente favorável ao crescimento dessas novas empresas. “Muitas startups começam ou vêm para dentro de espaço de como o da Plug. É um lugar dinâmico que estimula os negócios e a criatividade”, afirma Guilherme Junqueira, gestor de projetos da associação. 
 

 

 



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