Inovação

Moda e tecnologia, de mãos dadas para o futuro


Trajes personalizados, vestidos criados em impressoras 3D e tecnologias vestíveis. As roupas do futuro serão inteligentes e customizáveis


  Por Thais Ferreira 15 de Março de 2017 às 13:00

  | Repórter tferreira@dcomercio.com.br


Amoda e a tecnologia sempre andaram lado a lado, seja no desenvolvimento de novos tecidos, seja no design de produtos eletrônicos.

Mas, agora, elas poderão criar uma verdadeira revolução: juntas poderão alterar as cadeias de produção e a forma como consumimos.

Essas mudanças – que até podem parecer coisa de um futuro distante – estão, na verdade, dobrando a esquina.  

Imagine ter uma roupa personalizada e que atenda à todas as suas necessidades. Agora, saia da imaginação e entre na realidade.

Já é possível ter uma peça exclusiva, e que não foi criada pelas mãos de um estilista famoso.

O Google e a Ivyrevel, marca digital da rede sueca de varejo H&M, estão trabalhando em um novo jeito de produzir roupas.

Por meio do Coded Couture, um aplicativo recém-lançado, essas duas empresas conseguiram transformar o celular num estilista particular.  

Para isso, eles utilizaram a ferramenta Awareness API do Google, que ajuda a tornar os Apps mais inteligentes e adaptados à rotina das pessoas.

Durante sete dias, oaplicativo é capaz de colher e armazenar diversas informações do usuário. O software consegue registrar, por exemplo, quais lugares essa pessoa frequenta ou quais atividades mais gosta de fazer.  

Após esse período e com base nessas informações, o programa desenha uma peça exclusiva. Esse desenho é enviado para a fábrica que começa a produzi-la.

Entenda como o aplicativo funciona (em inglês):

Essa tecnologia está sendo chamada de “Data Dress”, uma vez que o aplicativo utiliza dados para criar vestimentas.

Por enquanto, o Coded Culture foi testado apenas por algumas pessoas selecionadas. Mas a Ivyreve garante que o aplicativo estará disponível para o público ainda neste ano.

Até o momento, a empresa não divulgou o preço das peças e nem em quais países o aplicativo irá funcionar.

PRODUÇÃO

Apesar de ainda estar em fase de testes, esse aplicativo é apenas a ponta do iceberg em relação ao que moda e tecnologia podem fazer juntas.

Para Renato Jardim, superintendente de políticas industriais e econômicas da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), personalizar a produção é uma das tendências para o setor para os próximos anos.

“Pode parecer um pouco contraditório, mas as empresas estão buscando a customização para as massas”, afirma.

Para alcançar isso, é preciso mudar a maneira como as roupas são produzidas hoje.

Muitas empresas estão tornando seus processos enxutos com apoio de novas tecnologias, como a robótica. O resultado é uma produção mais rápida e capaz de atender demandas personalizadas.  

“Já é possível montar uma pequena fábrica de roupas dentro de uma loja”, diz Jardim. “Essa proximidade com varejo irá tornar a produção mais rápida e atenta às necessidades do consumidor.”

IMPRESSORA 3D

A produção personalizada de roupas também passa por outras tecnologias, como a impressão 3D.

Nos últimos dois anos, peças produzidas com esses equipamentos deixaram de ser uma grande novidade.

Cada vez mais empresas estão surgindo nesse nicho, principalmente para repor peças da indústria, produzir protótipos de embalagens e criar objetos de decoração.

A moda, no entanto, ainda dá os primeiros passos em direção a essa tecnologia. Uma das experiências mais bem-sucedidas foi a da estilista israelense Danit Peleg.

Ela criou uma coleção, para seu trabalho de conclusão de curso do Shankar College of Design, utilizando apenas peças que ela mesma produziu e imprimiu em casa.

A principal dificuldade durante esse processo foi encontrar o material que conseguisse dar o caimento esperado.

O tempo também foi um inimigo. As impressões demoravam muito para ficarem prontas – cada peça levou 400 horas em média.

O trabalho demorou cerca de um ano para ser concluído, mas valeu a pena. A coleção ganhou notoriedade mundial.  

Apesar dos contratempos, a estilista acredita que em breve a impressão 3D será mais rápida e mais acessível. Dessa forma, qualquer um poderá imprimir suas roupas sob medida sem sair de casa.

Veja o trabalho de Danit (em inglês):

A startup Electroloom é um outro exemplo dessa tendência “Faça você mesmo” .  A empresa criou uma impressora pensada exclusivamente para roupas.

 Em vez dos filamentos que são utilizados nas impressoras 3D convencionais, a roupa é formada por uma substância líquida.

Primeiro é criado um molde, que pode ter qualquer formato, como de blusas e saias.  Essa peça é colocada no centro da impressora. Uma solução liquida é guiada até o molde por meio de uma corrente elétrica.

Várias camadas são sobrepostas até formarem um tecido. Em seguida, basta retirar a peça do molde. O resultado é uma peça que parece ser feita com um tecido convencional.  

Entenda como essa tecnologia funciona (em inglês):

TECNOLOGIA VESTÍVEL

Além do valor estético, as roupas têm duas funções principais: proteger o corpo do frio e esconder o corpo dos olhos alheios.

Em breve, novas funções serão agregadas a essa lista. Uma camiseta, por exemplo, poderá monitorar nossos sinais vitais.

Essas peças roupas futuristas são chamadas de “tecnologias vestíveis” (também conhecida como computação vestível). Ou seja, são dispositivos que têm forma de acessórios ou roupas.

O mais conhecido é Apple Watch, relógio da Apple que tem funções similares as de um smartphone.  Mas diversas outras empresas já estão lançando produtos que aliam moda e tecnologia.

A japonesa Logbar, por exemplo, lançou um anel que realiza diversas tarefas apenas com o movimento do dedo.  Por meio de gestos específicos, os usuários podem mandar mensagens, acender e pagar as luzes de casa e trocar contatos com outras pessoas.

Assista ao vídeo e entenda como o anel funciona:

A Visa também já tem utiliza uma tecnologia similar. Uma pulseira que permite fazer pagamentos apenas aproximando o pulso da maquininha de cartão. O dispositivo já está disponível no Brasil.

Algumas empresas brasileiras já utilizam tecnologias com nanomateriais que tornar os tecidos mais “inteligentes”.  Já é possível encontrar no mercado roupas que oferecem proteção UV ou que tem propriedades antibacterianas e antimicrobianas.

De acordo com Jardim, as confecções e as indústrias brasileiras devem oferecer essas tecnologias vestíveis a médio e longo prazo.

“As empresas estão estudando e pesquisando essas inovações”, afirma Jardim.  “Outra questão é que ainda não há uma grande demanda por esses produtos, mas assim que houver as empresas brasileiras estarão prontas.” 

FOTO: Divulgação