São Paulo, 26 de Setembro de 2016

/ Inovação

Crescimento acima da média nacional
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Débora Mazzei, coordenadora do Sebrae, conta como a entidade e o Ministério da Cultura estão mapeando os empreendimentos que unem talento, capital intelectual e cultural

O Sebrae intensificou, há dois anos, o apoio ao desenvolvimento dos negócios que têm a criatividade como motor. Esse movimento respondeu à criação da Secretaria Nacional da Economia Criativa e à proposta do Ministério da Cultura de diminuir o peso da subvenção ao setor cultural e fortalecer a geração de negócio, uma posição mais próxima da visão estratégica da instituição em relação aos empreendimentos criativos.

Nesta entrevista, Débora Mazzei, coordenadora Nacional de Projetos de Economia Criativa do Sebrae, aborda a linha de trabalho definida pela instituição e as oportunidades e desafios que se apresentam para fortalecer a musculatura dos pequenos negócios do novo setor.

Na proposta de atuação do Sebrae, o que define uma atividade como sendo da economia criativa?
Para sua atuação, o Sebrae definiu economia criativa como o conjunto de negócios baseados no capital intelectual, cultural e na criatividade, gerando valor econômico. Foram priorizados os seguintes segmentos:

* Artes visuais

* Audiovisual (cinema, televisão e publicidade)

* Design

* Digital (games, aplicativos e startups)

* Editoração

* Moda

* Música

* Artesanato

* Comunicação (TV, rádio e Internet)

Qual a previsão de desenvolvimento do setor para os próximos anos?
O segmento vive um momento de expansão muito acima da média de crescimento da economia nacional. Os empreendimentos criativos representam 1,86% do total dos negócios formais do país, entretanto, há um volume muito maior de empresas atuando na informalidade.

Quais os pontos essenciais para transformar uma produção informal em um negócio sustentável?
Para que o crescimento do setor seja sustentável e alcance efeitos positivos em médio e longo prazo, entendemos que são necessárias algumas ações de fortalecimento e profissionalização voltadas às empresas e aos agentes do mercado. As fragilidades e gargalos, no que se refere a contratações, financiamentos e comercialização, podem travar a dinâmica e o crescimento em curso do segmento.

Quais os primeiros passos para um empreendedor se formalizar?
São os mesmos de uma MPE tradicional. As empresas de economia criativa podem aderir ao Simples Nacional e a formalização dessas empresas segue os mesmos passos dos demais segmentos, no que diz respeito a contrato social, Junta Comercial, CNPJ e licenças estaduais e municipais. Preparamos o Guia Prático para o Registro de Empresas, que pode ser consultado no nosso portal. 

Está disponível uma capacitação específica para o setor?
O Sebrae oferece atendimento personalizado e diferenciado para os donos de todas as modalidades de pequenos negócios. Oferecemos consultorias, cursos, palestras e cartilhas que ajudam os empreendedores a ter sucesso nos seus empreendimentos. Pretendemos incentivar a profissionalização da gestão empresarial a partir das ações de capacitação, consultorias em gestão e inovação e a promoção do acesso ao mercado. Além de apoiar 180 projetos de economia criativa pelo Brasil, o Sebrae assinou um acordo de cooperação com o Ministério da Cultura que prevê, até 2015, o trabalho conjunto para mapear o setor, capacitar empresários, promover a melhoria da gestão, dar apoio ao mercado e gerar negócios. Estruturamos pontos de atendimento de Incubadoras Brasil Criativo (programa do governo federal em parceria com diversas instituições) em sete Estados e estamos elaborando um Guia do Empreendedor Criativo.

Onde o empreendedor criativo pode buscar financiamento?
O mercado ainda tem um olhar mais voltado para as empresas tradicionais e menos para as criativas. Isso se reflete, por exemplo, no acesso ao crédito. As instituições financeiras são menos ousadas na hora de conceder empréstimos ao setor criativo. O país precisa de políticas públicas mais intensas para estimular o desenvolvimento desse setor.

Quais estados estão se destacando com iniciativas de apoio ao desenvolvimento do setor?
A maioria dos projetos de atendimento coletivo aos empresários de economia criativa se concentra nos Estados do Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Pará, Espírito Santo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Alagoas, Distrito Federal, Acre, Mato Grosso e Paraná.

Leia mais: 

1 - Economia criativa: muito além da imaginação 

2 - O efeito dominó da criatividade 

3 – Geografia da criatividade  

4 - Mapa da criatividade no Brasil 

6 - "A produção brasileira dá audiência à TV paga 



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