São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

/ Inovação

Avião solar inicia teste do vôo sem combustível
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Projeto liderado por dois suíços prevê dar a volta ao mundo em cinco meses, movido apenas a energia solar

Um feito tecnológico inédito deu a largada nesta segunda-feira, a viagem de um avião sem combustível, projetado para tentar dar a volta ao mundo em cinco meses, movido apenas a energia solar. Chamada de Solar Impulse 2, a aeronave decolou de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e vai cruzar os cinco continentes em um percurso de 35 mil quilômetros. 

O aparelho será pilotado pessoalmente pelos suíços fundadores do projeto Solar Impulse, o empresário e piloto André Borschberg e Bertrand Piccard, conhecido balonista. 

O ponto crítico do roteiro será o cruzamento dos oceanos Pacífico e Atlântico, que exigirão respectivamente um vôo contínuo de cinco dias. Os dois pilotos suíços, conhecidos por suas façanhas aéreas, ficarão confinados alternadamente em uma cabine concebida para acomodar apenas uma pessoa.

Misto de projeto de pesquisa e de divulgação, o plano de viagem prevê paradas em vários países, para descanso dos pilotos, manutenção da aeronave e oportunidade de intensificar a divulgação da campanha sobre o potencial das tecnologias limpas como a que o avião usa.

O conceito foi testado em 2013, quando o primeiro protótipo do projeto Solar Impulse cruzou os Estados Unidos, em um vôo de 26 horas, e estabeleceu alguns recordes mundiais para vôos de longa distância impusionados por energia solar. A viagem de volta ao mundo, no entanto, pode ser considerada um feito mais extremo e exigiu a construção de um aparelho com maior capacidade. 


FAÇANHA TECNOLÓGICA

A aeronave é feita de fibra de carbono e, embora tenha uma envergadura de asa semelhante a de um Boeing 747, de 72 metros, pesa 150 vezes menos, apenas 2,3 toneladas. A velocidade terá a incrível lentidão de 70 km/h contra a média de 800 km/h de um avião comercial em velocidade de cruzeiro.  

A chave da energia solar está na superfície das asas, coberta por 17 mil células solares, que alimentam quatro motores elétricos capazes de atingir velocidade de 140 km por hora. Durante o dia, as células recarregam as baterias de lítio e mantêm os motores em funcionamento à noite.

Pilotar na escuridão é o ponto crítico do roteiro, que deve sua longa duração à baixa velocidade do avião. A capacidade de armazenamento das baterias será essencial durante a passagem sobre os oceanos Atlântico e Pacífico, que vai exigir cinco dias e cinco noites de vôo sem parada.

 
PILOTOS NINJA

Os pilotos terão que permanecer alertas quase o tempo todo em que estiverem no ar. O descanso se resumirá a alguns cochilos de apenas 20 minutos durante cada fase da viagem. O espaço representa outro teste de resistência. A cabine comporta apenas uma pessoa, com um assento reclinável que possibilita ao piloto se exercitar e tirar as sonecas curtas. Do tamanho de uma cabine telefônica, o espaço não tem controle de oxigênio ou temperatura.

Para enfrentar a façanha física exigida pela experiência, os suíços passaram por longo treinamento com simuladores de vôos. Além disso, os dois adotam métodos próprios de autocontrole mental e físico, como ioga e técnicas de auto-hipnose.

Por trás dos dois aventureiros há uma equipe técnica especialmente treinada. A missão será coordenada de uma sala de controle instalada em Mônaco. Em paralelo, um grupo de engenheiros vai acompanhar passo a passo o avião durante todo o percurso, munida de um hangar móvel para abrigar o avião enquanto não estiver voando.

Ao anunciar o início da jornada, Borschberg atribuiu ao projeto a missão de abrir o caminho para se chegar à aviação de carbono zero. O setor é apontado como o campeão de queima de carbono entre os meios de transporte e o mais difícil para se controlar as emissões. A energia limpa do Solar Impulse pode ser a solução.

Foto: Justin Sullivan/Getty Images



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