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Trump dá sinais de que pode recuar em promessas de campanha


Entre elas está a construção de um muro na fronteira com o México. Um homem é baleado em protesto contra o presidente eleito


  Por Agência Brasil 12 de Novembro de 2016 às 10:47

  | Agência de notícias da Empresa Brasileira de Comunicação.


O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, está dando sinais de que pode recuar em algumas promessas feitas durante a campanha eleitoral, entre as quais a construção de um muro na fronteira com o México (a ser pago com dinheiro do governo mexicano), a proibição de muçulmanos de entrar em território norte-americano, a expulsão de imigrantes sem documentos e a revogação do Obamacare, uma lei aprovada pelo pelo presidente Barack Obama em março de 2010 que reduz os custos do seguro saúde de milhões de americanos.

Trump foi escolhido o novo presidente dos Estados Unidos em eleições realizadas na terça-feira (8). Mas agora, tanto Donald Trump quanto seus principais assessores estão passando a mensagem de que algumas medidas vão ter de esperar, porque serão revistas, e que outras só serão cumpridas parcialmente.

Donald Trump, que havia repetidamente prometido durante a campanha que iria revogar o Obamacare, disse em uma entrevista ao The Wall Street Journal que pensa em manter partes importantes da lei.

Ele mudou de opinião depois de ouvir ponderações do presidente Barack Obama, em um encontro que eles tiveram na Casa Branca um dia depois do anúncio da vitória de Trump nas eleições para presidente dos Estados Unidos.

Na entrevista ao jornal americano, Trump disse que está disposto a deixar em vigor disposições que proíbem as seguradoras de negar cobertura aos pacientes, alegando condições de saúde preexistentes.

E disse também que pretende manter a parte da lei que garante aos filhos dos segurados a cobertura do plano até a idade de 26 anos. "Eu gosto muito disso", disse Trump na entrevista.

Segundo o jornal The Washington Post, o ex-presidente da Câmara dos Representantes (que equivale à Câmara dos Deputados brasileira) Newt Gingrich, hoje um dos principais assessores do presidente eleito, lançou dúvidas esta semana sobre a viabilidade de o novo governo conseguir recursos do México para pagar o muro que Trump pretende construir na fronteira sul dos Estados Unidos.

"Ele já vai gastar muito tempo controlando a fronteira. Mas ele pode não [ter esse tempo todo para] gastar para fazer com que o México pague por ele, mas [de qualquer forma] foi uma grande promessa de campanha ", disse Gingrich.

O ex-prefeito de Nova York Rudolph W. Giuliani, um dos conselheiros mais próximos de Trump, disse que sem dúvida o muro será construído, mas a data da construção está longe de ser uma questão resolvida.

Ele disse em uma entrevista à emissora de televisão CNN que o que Trump deve priorizar inicialmente é a aprovação da reforma fiscal, e não a construção do muro na fronteira mexicana.

Se realmente Donald Trump quiser cumprir a promessa de campanha de expulsar imigrantes sem documentos, a primeira dificuldade será saber quantas pessoas estão nessa situação. A falta de números confiáveis pode atrasar ou inviabilizar a proposta.

As estimativas sobre o número de imigrantes que trabalham sem documentos nos Estados Unidos variam de 1 milhão a 6 milhões de pessoas. Durante a campanha eleitoral, Donald Trump disse, em vários comícios, que pretendia expulsar 11 milhões de pessoas que estariam em território norte-americano sem documentos.

Banir a entrada de muçulmanos nos Estados Unidos é uma das propostas de campanha mais difíceis de serem viabilizadas porque envolve questões éticas e de religião.

Ao longo da campanha, Donald Trump foi fazendo modificações nessa proposta. No início, ele se referia genericamente aos muçulmanos. Depois, disse que só seriam barrados os muçulmanos vindos de países "comprometidos com o terrorismo".

Agora, depois de eleito, Trump sequer mencionou a expulsão dos muçulmanos. Ao fazer a primeira visita ao Congresso americano, Trump citou como propostas a serem executadas por seu governo apenas as questões de fronteira (imigrantes), os cuidados com a saúde (Obamacare) e a criação de empregos.

PROTESTOS 

Pela terceira noite seguida, milhares de manifestantes voltaram às ruas das principais cidades dos Estados Unidos para protestar contra as políticas do presidente eleito, Donald Trump. 

Em Portland, a maior cidade do estado de Oregon, as manifestações se estendaram até a madrugada deste sábado (12/11) e estão sendo classificadas pela polícia local de motim em razão das depredações que ocorreram na cidade. 

Os manifestantes bloquearam ruas e interromperam o tráfego na Ponte Morrison, que atravessa o rio Willamette. Uma pessoa foi baleada nos protestos.

Em Atlanta, capital do estado da Geórgia, centenas de pessoas saíram às ruas para protestar contra a vitória de Trump nas eleições da última terça-feira (08/11). 

As manifestações de Atlanta foram pacíficas e acompanhadas a distância pela polícia. Na marcha, as pessoas entoavam a frase "Trump não é meu presidente".

Em Miami, no estado da Flórida, protestos interromperam o trânsito do centro da cidade. Em Manhattan, área central de Nova York, centenas de pessoas participaram de um ato chamado comício do amor, em protesto contra Trump, no Washington Square Park, um parque público da cidade. 

Ecoando palavras de ordem como "Trump não é meu presidente" e "Trump fascista", mais de 200 pessoas protestaram nas escadarias da sede do governo do estado de Washington, em Olympia.

Em Nashville, no estado do Tennessee, os estudantes da universidade de Vanderbilt cantaram canções dos direitos civis e marcharam por uma rua da cidade, obstruindo temporariamente o tráfego. 

Mais de 100 manifestantes também saíram às ruas em Kansas City, maior cidade do estado de Missouri, e gritaram refrões contra o presidente eleito Donald Trump.

FOTO: Mark Taylor/Creative Commons

Atualizado - 12h10