São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Gestão

Todos são iguais perante a lei. Mas...
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Como o respeito às diferenças boas e ruins pode ser determinante para a percepção de justiça dos funcionários.

Todo mundo já passou por algo parecido: mesmo sendo um bom pagador, com todas as prestações em dia, basta acontecer um problema para que o credor não tenha dó – e tome juros, nome sujo, ligações de cobrança, um transtorno sem fim.

É a mesma punição aplicada ao mau pagador que, deixando muitas parcelas em aberto, ainda consegue renegociar sem juros, com desconto, facilitado em mais parcelas, com facilidades sem fim.

Em vários segmentos da vida é comum sentir-se injustiçado diante da regra geral e, analisando friamente, de fato parece impossível que uma empresa pondere e aplique sanções diferenciadas para cada tipo de perfil pagador, por exemplo. Mais que isso: é totalmente necessário ter diretrizes gerais e processos que organizem a inadimplência e garantam a entrada de receita na Organização.

No fundo, é uma questão de ter mecanismos para lidar com o tipo de comportamento relacionado a não cumprir suas obrigações. O ponto sensível é que os motivadores que levam alguém a ter esse comportamento podem ser os mais variados possíveis – desde um problema financeiro pontual até a sem-vergonhice descarada mesmo.

O problema é colocar todo mundo no mesmo balaio e tudo aquilo que alguém fez de bom, de repente, não vale de nada.

Quando olhamos pra dentro da empresa, é muito comum ver esse tipo de dinâmica como padrão de relacionamento. O que é um perigo, porque as diretrizes gerais internas servem a um propósito mais amplo, que é o de garantir que todos sejam vistos e tratados da mesma forma, independentemente das circunstâncias.

"O problema é colocar todo mundo no mesmo balaio e tudo aquilo que alguém fez de bom, de repente, não vale de nada"

E, aqui, não vamos discutir esse princípio, simplesmente porque acredito ser totalmente necessário desenhar regras comuns a todos e, além disso, comunicá-las com clareza e transparência (numa conversa, num treinamento, como for melhor para sua realidade).

No entanto, achar que somente isso será suficiente é um grande erro.

Porque o bom funcionário, assim como o bom pagador, pode se sentir injustiçado quando, ao ter um problema pontual, não obtiver a permissão para ir a uma consulta médica em horário de expediente. Ele olha pro lado e se vê ganhando o mesmo salário, submetido às mesmas regras e punições que o seu colega – aquele que se atrasa com frequência, produz menos, sai toda hora pro café e passa uma parte considerável do tempo respondendo mensagens de whatsapp e facebook.

Não tem motivação que resista.

Regra igual pra todos é fundamental. Mas você, como líder de pessoas, não deveria negligenciar as diferenças. O bom funcionário, assim como o bom pagador, poderia obter concessões diferenciadas, dentro da lei, baseadas em critérios igualmente claros e transparentes, de conhecimento de todos.

Faria bem pra ele, pra sua empresa e para educar o mau pagad- ops, o mau funcionário.



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