São Paulo, 02 de Dezembro de 2016

/ Gestão

Tédio no trabalho? Romantize os negócios
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No livro "The Business Romantic", o consultor de marketing Tim Leberecht propõe reavivar as emoções dos primeiros dias de uma empresa para reencontrar a plenitude da vida

Iniciar um novo negócio costuma ser um dos momentos mais empolgantes da vida, repleto de surpresas, adrenalina, suspense e também sofrimento. Infelizmente, quando as coisas engatam, o sentimento de realização tende a diminuir. O empreendedor vê o entusiasmo que moveu a criação da empresa esfriar e se transformar em tédio e rotina. 

Para o alemão Tim Leberecht, podemos mudar esta sina. Conhecido palestrante e com uma carreira internacional em marketing em algumas das empresas mais criativas do mundo, ele acredita que só o romantismo tem poder para nos liberar do regime de racionalidade e rotina que, segundo suas ideias, tiraniza o trabalho e os negócios nos dias de hoje.

LIVRO DE TIM LEBERECHT DEFENDE MAIS PASSIONALIDADE NO DIA A DIA DOS NEGÓCIOS

Estas ideias são defendidas no livro The Business Romantic (ainda não lançado no Brasil). Junto com a obra, Leberecht se cercou de uma plataforma completa para difundir a proposta, usando com maestria os recursos da internet, das redes sociais e de relações públicas para conseguir a atenção do público. Tente buscar as palavras-chave business romantic e você vai entender do que se trata. Marketing é com o rapaz. As suas origens explicam tanta competência.

Ele trabalhou por sete anos no mítico estúdio alemão Frog Design, cujos designers conseguirem, nos anos 80, assimilar os tortuosos briefings de Steve Jobs e dar forma a muitos produtos da Apple e, depois, de outras companhias do setor eletrônico. Atualmente, Leberecht trabalha como diretor de marketing da NBBJ, escritório internacional de design e arquitetura, que tem entre os clientes a Samsung, Starbucks, Amazon e a ONG Bill & Melinda Foundation.  

TIM LEBERECHT: CONVIVÊNCIA ÍNTIMA COM EQUIPES CRIATIVAS E PROJETOS APAIXONANTES

Às vezes inconseqüente, às vezes polêmico, o autor consegue amarrar com charme e emoção um conjunto de idéias que andam realmente fazendo falta nos dias de hoje. “Para uma empresa ser romântica”, ele diz, “propósito importa, mas aprendizado, excitação e aventura pesam muito mais. A cultura do negócio romântico combina a conveniência do home office com um ambiente de trabalho divertido e leve.” Veja o que ele tem a dizer e a aconselhar para reativarmos um clima de romance com os negócios, o trabalho e com nossas vidas.

ROMANTIZANDO OS NEGÓCIOS - Precisamos de mais romance em nossas vidas e podemos encontrá-lo e criá-lo por meio dos negócios. Para mim, romance tem a ver com as experiências em que seu coração bate mais rápido, a adrenalina corre e nos apaixonamos por tudo. Precisamos romantizar os negócios e manter o encantamento por eles porque estamos enfrentando um grande desencantamento. Todo mundo pode usar o papel do encantamento para fazer sua vida no trabalho ter mais significado.

COMO O TRABALHO DEFINE A VIDA - Gastamos com o trabalho 70% do tempo que permanecemos acordados e os produtos e experiências que compramos nos definem. No entanto, esvaziamos os negócios de qualquer humanidade. Acredito que há uma terceira dimensão além de objetivos e políticas que podem ser reencontradas, como a emoção do trabalho diário, um senso de aventura, momentos de inesperada beleza. Chamo isso de romance com o trabalho. Há inúmeros momentos ao longo da vida profissional que passam a fazer parte da nossa história, então é importante considerar o que nós fazemos com eles. Por que devemos largar nossos corações e sonhos na porta do escritório?

FORA DA ZONA DE CONFORTO - Romances ocorrem quando nos colocamos fora da zona de conforto e nos deparamos com surpresas e outros momentos de disruptura da nossa rotina. Para mim, isto pode ser disparado pela sensação boa proporcionada pelo trabalho bem feito. Ou por cumprir um prazo impossível. Ou encerrar uma apresentação importante ou promover um grande lançamento. Eu me sinto vivo quando há muita coisa em jogo. O empreendedor romântico sempre se lembrará de esperar o inesperado, não importa o quê.

RECOMEÇAR TODO DIA - Encorajo as pessoas a pensar uma empresa por uma lente mais humanística, mais romântica. É inerente à logica dos negócios minimizar riscos, eliminar vulnerabilidades e buscar por máxima consistência e previsibilidade. Entretanto, estas qualidades não combinam com romance. Depois que a mágica da startup ou do novo emprego vai embora, o resultado costuma ser rotina tediosa. Estudos mostram que um profissional perde o entusiasmo inicial após seis meses no trabalho. Por isto, precisamos neutralizar a tendência do mundo dos negócios de formalizar e se repetir. Vá para o trabalho toda manhã como se caminhasse para o desconhecido e se veja como um estranho novamente. Faça pequenos ajustes na rotina constantemente.

O PODER DA VISÃO HUMANÍSTICA – Aprendi que é muito difícil trabalhar para uma companhia que prega a mudança do mundo enquanto seu presidente não tem habilidade para transmitir esta ambição às pessoas em volta. O melhor modo para compreender os negócios é vê-los como uma façanha humana repleta de drama, conflitos e emoções. Este é o olhar artístico, capaz de verdadeiras revelações, ao contrário dos livros e currículos de negócios. Steve Jobs usou a visão da arte para construir a filosofia da Apple.

O VÍNCULO ENTRE EMPREENDEDORES, EMPREGADOS E CLIENTES - Os sentimentos intensos e altamente positivos que experimentamos quando amamos – mistério, intimidade, vulnerabilidade, até um pouco de sofrimento e a perda de controle – são cruciais para nosso trabalho e relacionamentos nos negócios. Estas qualidades românticas são os derradeiros diferenciais em uma cultura desenhada para maximizar e otimizar. Eles nos colocam totalmente no trabalho e nos ajudam a criar produtos, serviços e marcas que ultrapassem o mero relacionamento utilitário e conseguem encantar nossos clientes. Romantizar os negócios não é apenas fazer companhias mais bem sucedidas, mas que também ajudem a nos satisfazer como empreendedores, empregados e consumidores.

SÓ COM SEUS PENSAMENTOS – Aparentemente, a atividade mais difícil para nós é o nada fazer! Estudos mostram que preferimos sentir a dor de receber pequenos eletrochoques a estar sozinhos com os próprios pensamentos. Há um medo enorme de ficar de fora e caímos na hipeconectividade e na hiperprodutividade. Está cada vez mais difícil apenas sentar e pensar. O mundo dos negócios não costuma nos recompensar por isso, mas considero esta uma virtude crítica. A habilidade de abraçar a solidão não é somente um ingrediente-chave de uma vida plena, mas é também a qualidade de um grande líder.

PERDER UM CLIENTE - Se um cliente te deixar, mantenha a mesma atenção até o último dia. Cuide para que as últimas palavras que enviar sejam um reflexo do caráter da sua empresa e de seus líderes.

 

FOTO: THINKSTOCK

 



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