São Paulo, 26 de Setembro de 2016

/ Gestão

Rogério Amato faz um balanço de sua gestão à frente da ACSP
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Às vésperas de transmitir o cargo a Alencar Burti, ele discorre sobre a reinvenção da entidade quando ela se separou do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito)

Ao longo dos últimos quatro anos, o empresário Rogério Amato esteve à frente da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) e da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (Facesp).

Foi um período de mudanças profundas na cultura e na gestão das entidades. Ainda em 2011, Amato assumiu as duas entidades durante a transição da passagem do SCPC (Serviço Central de Proteção ao Crédito) para a Boa Vista.

O SCPC foi criado e administrado durante 50 anos pelas associações comerciais.  “Foi preciso reinventar nosso modelo de gestão para enfrentarmos um mercado mais exigente e competitivo”, diz Amato.

Agora, às vésperas de passar as presidências a Alencar Burti, Amato narra ao Diário do Comércio os desafios que enfrentou à frente das entidades e o legado que deixa. Leia a entrevista a seguir.

 

AMATO EM REUNIÃO DURANTE SEMINÁRIO REGIONAL EM FRANCA, EM 2014

O senhor assumiu a presidência da ACSP com a administração do SCPC passando para as mãos da Boa Vista. Como foi esse processo?

Primeiro é preciso destacar a decisão corajosa da administração anterior à minha de fazer o que fez. Foi preciso adequar o SCPC à nova realidade do mercado, mais competitivo, tendo a maior empresa do mundo nesse segmento (a Experian, que incorporou a Serasa) batendo de frente. Esse processo foi necessário, mas muito difícil porque mexeu não apenas na nossa gestão, mas com aspectos culturais da nossa entidade. Quando assumi, 90% da energia da entidade estava concentrada no SCPC. Quando a administração passou para a Boa Vista, a ACSP também precisou se reinventar.

Como se reestrutura uma entidade de 120 anos?

Não se pode tratar o mundo dos negócios como uma instituição. Por outro lado, temos uma instituição centenária, e não faria sentido abandonar o lado associativo. Com a administração do SCPC passando para a Boa Vista, as demais atividades da casa precisaram ganhar destaque. Nossa entidade depende de três eixos: o institucional, que é a razão da nossa existência; a sustentabilidade, já que para prestar os nossos serviços é preciso ter dinheiro, e a infraestrutura, que irá garantir que os serviços da instituição sejam realizados. Esse último eixo foi o principal desafio ao longo desses quatro anos. Foi preciso todo um trabalho de infraestrutura para modernizar a entidade e levar os nossos serviços e produtos a um nível de excelência.

 

AMATO E O IMPOSTÔMETRO: REDUÇÃO DA CARGA TRIBUTÁRIA É LUTA DA ENTIDADE/Foto: Paulo Pampolim-Hype

A ACSP precisou correr ao lado do SCPC...

É importante que as pessoas saibam que a Boa Vista é da ACSP. Nós a controlamos. É nosso principal ativo. Mas para sobrevivermos como instituição foi preciso que as outras atividades da casa sobressaíssem. Nossos produtos e serviços precisaram ser reinventados. Precisaram ganhar escala, sair do ambiente local para um ambiente mais amplo. Eles foram incluídos no mundo digital. Para tanto, tivemos de investir em uma plataforma tecnológica que comportasse essa transição. Hoje posso afirmar que temos uma senhora plataforma de TI. Temos hoje plano de saúde, certificado digital, celular corporativo, entre outros produtos, todos integrados à nossa rede de mais de 400 entidades espalhadas pelo Estado, por meio da Facesp.

Sua gestão buscou integrar mais o interior. Qual a importância disso?

Desde a nossa origem, quase todos os nossos dirigentes são rotarianos, possuem atuação expressiva nas cidades ou regiões onde vivem. Isso é muito importante, mas temos uma nova geração de empresários chegando que não possuem mais essa disponibilidade. Hoje existem novas formas de relacionamento, mais amplos, mais globais. Essa transformação foi tão rápida que se as empresas e entidades não se atentarem para isso, em pouco tempo ficam irrelevantes. Bom, temos dez mil lideranças locais nas 420 regionais multifacetadas que precisam interagir, falar a mesma língua, perceber que estão inseridos em algo maior. Temos hoje o ACconecta, que integra quase todas as nossas entidades, permitindo que troquem informações. De outra maneira essa troca de experiência não seria possível.

A atuação política da ACSP também ganhou mais importância nesse processo?

Nós temos ouro em pó nessa casa. Somos multifacetados. Somos comércio, indústria e serviços. Temos quadros técnicos em nossos conselhos que permitem defender os interesses de todos esses setores. Durante toda essa transição fizemos pesquisas que mostraram que a ACSP tem credibilidade diante da população. Muito dessa credibilidade está ligada ao SCPC, mas também às bandeiras que defendemos, às lutas em defesa da livre iniciativa, à liberdade de empreender. Um estudo de um dos nossos conselhos, o Caeft (Conselho de Altos Estudos de Finanças e Tributação), gerou um projeto de simplificação tributária que chegou às mãos do governo. Com a situação atual, é uma agenda positiva que está pronta, que pode reduzir custos indiretos das empresas. É uma solução que está pronta. A divulgação dos trabalhos da ACSP é um outro desafio que temos pela frente.

AMATO: "NÓS TEMOS OURO EM PÓ NESTA CASA"

O CRM (Customer Relationship Management) tem papel importante nesse sentido?

Sim. Nosso CRM está começando a ser implantado, é um trabalho de um ano e meio, algo que vai nos aproximar dessa massa de dirigentes e possíveis associados, levando nossos trabalhos e serviços para eles de maneira mais direta.

E o SCPC, está no caminho certo também?

Hoje nós temos uma Boa Vista moderna, com novos produtos e dirigentes com objetivos claros. A Boa Vista incorporou o terceiro maior concorrente do mercado (a Equifax), o que foi fundamental porque trata-se de uma empresa com experiência mundial. O SCPC deixou de ter uma visão local para ter uma visão global. Sem isso não seria possível fazer frente à maior empresa desse mercado. Essa transição foi difícil, mas necessária. É importante dizer que ao longo dos 120 anos da ACSP enfrentamos uma verdadeira corrida de obstáculos, com um presidente passando o bastão para outro. Não fui o único a enfrentar grandes desafios, todos os dirigentes pegaram alguma fase complicada e tiveram de promover mudanças.



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