São Paulo, 20 de Julho de 2017

/ Gestão

Quem é Eduardo Odloak, o prefeito regional da Sé
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Artista plástico e mergulhador, Odloak (à dir. na foto com o prefeito João Doria) diz que a criação de shoppings populares é uma saída para diminuir o número de vendedores ambulantes ilegais na região central de São Paulo

Eduardo Odloak, prefeito regional da Sé, parece ter incorporado rapidamente o estilo Doria de ser. Falante e bem articulado, é também artista plástico e mergulhador.

Odloak, de 44 anos, discorre com orgulho sobre sua gestão à frente da Regional da Mooca, na curta gestão de José Serra na prefeitura -de 1º de janeiro de 2005 a 31 de março de 2006.

Diz que devolveu o Largo da Concórdia à população. Lembra que o local, repleto de vendedores ambulantes, representava o maior símbolo de ocupação da cidade.

“Havia insegurança, com muita violência, exploração e degradação. Busquei alternativas para esse tipo de atividade, a partir dos shoppings populares na própria região. Um banheiro público foi construído em parceria com os lojistas da região, e o ambiente voltou a ser acolhedor”, afirma.

No blog que leva seu nome -eis aí uma das semelhanças com Doria, que sabe muito bem usar as redes sociais -postou um vídeo em que conta, em tom bastante otimista e intimista, como conseguiu tirar os camelôs do Largo da Concórdia.

Diz que a criação de shoppings populares também é a saída para diminuir o número de vendedores ambulantes ilegais na região central. A seu ver,os shoppings têm de ser bancados pela iniciativa privada.

“O poder público não tem dinheiro. E vender produtos nas ruas é de interesse privado. Não é interesse coletivo”. Trata-se do mesmo discurso utilizado por João Doria durante a campanha que o levou à Prefeitura de São Paulo.

A entrevista, realizada na tarde de sexta-feira (27/01) nem bem havia começado quando o celular dele tocou. Era Doria, que tem em Odloak um de seus auxiliares prediletos. A conversa é rápida. Combinam um encontro para o dia seguinte. Bem cedo.

Na programação dos dois, visita à Avenida Tiradentes, no centro, para dar andamento à operação “Cidade Linda”, colocada em prática pelo novo prefeito paulistano, assim que assumiu o cargo.

Então, ele desliga o telefone e volta à entrevista. Diz, rindo, que a preferência por um time de futebol é um dos poucos assuntos que o separa de Doria.

“O Doria é santista, eu torço para o Juventus, da Mooca”, afirma, fazendo questão de enfatizar o nome do bairro em que nasceu.

Pintar quadros é a outra paixão de Eduardo Odloak, neto de checos. Em seu blog, faz questão de deixar espaço para o leitor apreciar os quadros que pinta, muitos deles com temática marinha [Clique aqui para ver os quadros]

“Comecei pintando afrescos em igrejas”, lembra. Trata-se de uma técnica de pintura em paredes ou tetos de gesso, ou revestidas com argamassa, ainda frescas, que assumem a forma de mural.

Ele já expôs seus quadros no salão Belas Artes, do tradicional Paulistano, clube da região dos Jardins.

Um quadro que fez muito sucesso nesta e em outras exposições, o Marina, ficou exposto na sala da presidência da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Foi retirado depois que estudantes da rede pública resolveram acampar na assembleia ano passado, e, em dia de fúria, danificaram a obra. “Minha obra foi danificada por vândalos”.

Se a obra dele foi “danificada por vândalos” e ele não gostou, como explicar que concorda com a destruição do painel do grafiteiro,ou muralista, como ele prefere ser chamado, Eduardo Kobra, que foi completamente apagado por funcionários da prefeitura, na Avenida 23 de maio, por conta da operação “Cidade Linda”?

“O prefeito e eu não somos contra os grafiteiros. Eu adoro grafites. O problema é que a arte é efêmera. É transitória. Apagamos as pinturas que estavam manchadas, por causa da poluição”, afirma.

Odloak iniciou a militância política na Juventude Latino Americana, a Julad e está filiado ao PSDB desde os 18 anos.

Chegou à presidência do Conselho de Juventude do Governo do Estado de São Paulo e, em 1999, foi nomeado, pelo então Governador Mario Covas, coordenador do projeto que criava a Secretaria de Juventude de São Paulo.

Trabalhou como assessor da Casa Civil na primeira gestão do Governador Geraldo Alckmin e coordenou, no Comitê Gestor de Política Social, o grupo técnico de juventude.

Convidado pelo prefeito José Serra, em 2005, chefiou o gabinete da Subprefeitura da Mooca. Em seguida, assumiu o cargo de subprefeito, sendo responsável pelos distritos do Brás, Pari, Belém, Tatuapé e Água Rasa, além da Mooca.

Odloak, formado em administração de empresas, é artista plástico e mergulhador nas horas vagas, comanda uma região com oito distritos, 430 mil moradores e aproximadamente 3 milhões de pessoas que circulam diariamente pela área.

Em relação ao exército de camelôs que vendem seus produtos na região, Odloak avisa que vai colocar em prática uma intensa fiscalização para saber quem está regularizado e quem não está.

Pelo levantamento feito, já sabe que apenas 450 vendedores ambulantes possuem o Termo de Permissão de Uso (TPU). A Regional da Sé tem 14 equipes, com oito fiscais em cada uma delas. Quem não tiver o TPU, não poderá trabalhar no centro.

O primeiro passo na tentativa de regularizar o trabalho dos vendedores ambulantes foi dado na Avenida Paulista.

O alvo foram os artesãos que, na gestão anterior, de Fernando Hadad, tiveram permissão para negociar seus produtos em 50 pontos da região.

O problema é que muitos dos chamados artesãos vendem produtos industrializados, ou seja, peças com metal, normalmente compradas na região da 25 de março.

“Só é considerado artesão quem faz seu produto, artesanalmente. O produto exposto para venda não pode ser industrializado”, afirma Odloak.

A Regional da Sé fez um acordo com a Subsecretaria do Trabalho Artesanal nas Comunidades – Sutaco -, para que seus fiscais sejam orientados a adquirir conhecimentos suficientes para saber exatamente o que é artesanato e o que não é.

Somente depois das aulas com profissionais do órgão especializado é que os fiscais voltarão a campo, principalmente na Avenida Paulista e região, para avaliar quem está dentro ou fora das normas.

PROCESSO

Odloak foi condenado em segunda instância por improbidade administrativa. A condenação refere-se ao período em que atuava na Regional da Mooca.

Na época, o juiz Marcelo Sergio, da 2ª Vara da Fazenda Pública, entendeu que ele não cumpriu a função de fiscalizar corretamente a construção de um shopping na Avenida Paes de Barros, construído fora dos padrões exigidos pela prefeitura e concluiu que ele não podia exercer cargo na administração pública.

O departamento jurídico da prefeitura recorreu da decisão liminar por considerar que o “prefeito regional da Sé, Eduardo Odloak, não pode ser enquadrado como ficha suja, conforme demonstram outros casos semelhantes já analisados pelo Poder Judiciário". A condenação é de natureza simples e ainda depende do julgamento final do recurso.

Odloak diz que não teme ter de deixar o cargo de prefeito regional da Sé por conta da condenação em segunda instãncia.

"Estou absolutamente tranquilo. Agi dentro da lei. Nunca cometi qualquer ato ilícito como administrador público. Nunca tirei proveito financeiro, nem causei dolo ao erário público. Estou certo de que os entendimentos contrários serão revistos durante os recursos jurídicos que ainda cabem", afirma.

FOTO: Divulgação/PMSP

 

 

 



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