Gestão

Prefeitura de São Paulo vai modernizar rede de semáforos


Em reunião na ACSP, presidente da CET diz que mais de 25 km de cabos semafóricos foram furtados no primeiro semestre. Disse também que tem planos de reestruturar as ciclofaixas


  Por Mariana Missiaggia 26 de Julho de 2017 às 19:00

  | Repórter mserrain@dcomercio.com.br


A cidade de São Paulo registra em média 50 semáforos danificados por dia, além de outros 150 fora de funcionamento - um acúmulo de manutenção que a equipe da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) não consegue dar fim. 

Em geral, os equipamentos são alvos de vandalismo, como o furto de fios. De acordo com João Octaviano Machado Neto, presidente da CET, somente no primeiro semestre de 2017, mais de 25 quilômetros de cabos de fios de semáforos foram furtados na cidade de São Paulo.

Segundo ele, esses roubos estão associados ao tráfico de drogas. "Os usuários queimam os cabos, vendem o cobre no mercado paralelo e compram pedras de crack", disse Neto, durante reunião do Conselho de Política Urbana (CPU) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) 

Ele citou que os eixos mais afetados foram os da região dos Campos Elíseos. Alguns cruzamentos da avenida Rio Branco, por exemplo, já foram revitalizados oito vezes, apenas neste ano.

JOÃO MACHADO NETO, PRESIDENTE DA CET, DISSE EM REUNIÃO NA ACSP QUE A PREFEITURA CONCLUIU NOVA LICITAÇÃO PARA MANUTENÇÃO DOS SEMÁFOROS DA CAPITAL PAULISTA

Para garantir que o vandalismo não volte a afetar os equipamentos, o presidente da CET afirma que estão sendo criados obstáculos para dificultar os furtos e quebras. Ele cita a colocação de cintas metálicas e também blindagem.

Além do vandalismo, Neto disse que parte dos problemas da rede de semáforos está ligada à idade dos equipamentos, que são antigos e atrasados do ponto de vista tecnológico.

LICITAÇÃO

No início do ano, a prefeitura cancelou os contratos com empresas que realizavam a manutenção dos semáforos, um trabalho que teve de ser suprido por 16 equipes da CET.

Para tentar resolver o problema, uma nova licitação da companhia deverá modernizar todos os semáforos da capital. Dessa forma, as empresas contratadas serão responsáveis pela manutenção da rede.

Na última semana, a Prefeitura concluiu a licitação das empresas que serão responsáveis pela manutenção dos equipamentos.

Embora os nomes das três empresas vencedoras ainda não tenham sido divulgados, a companhia solicitou de maneira informal um mutirão à essas empresas para manter em funcionamento os 6.399 cruzamentos semaforizados da cidade, além revitalizar os cabos vandalizados. 

Quando o serviço estiver, oficialmente, a cargo das empresas vencedoras da licitação, elas terão duas horas para chegar ao local do semáforo quebrado, de acordo com Neto.

Em paralelo, uma PPP (Parceria Público-Privada) está em andamento para implantar, de acordo com Neto, uma espécie de "camada inteligente" na cidade.

Ou seja, um sistema de inteligência, que conecte esses semáforos permitindo que a CET os opere de forma remota, como ocorre com 600 deles - apenas 10% do que há na capital.  O novo edital possibilitará, por exemplo, a troca dos detectores de veículos, dispositivo vinculado aos semáforos inteligentes.

"Essa nova licitação irá mudar toda a tecnologia existente hoje".

De acordo com o presidente da CET, esse processo de transformação deve ter início no primeiro semestre de 2018.

Para Antonio Carlos Pela, coordenador do CPU e vice-presidente da ACSP, a reformulação da rede semafórica de São Paulo é urgente para o desenvolvimento da cidade.

"Já nos basta a limitação de velocidade que nos foi imposta em muitas vias, e ainda temos que lidar com as principais avenidas em pane total. Fica impossível se deslocar", diz.

CICLOVIAS

O presidente da CET também informou que a prefeitura vai apresentar ao Ministério Público, em agosto ou setembro, um plano de revisão do circuito de ciclovias da cidade

De acordo com ele, o objetivo do plano – que está sendo conduzido pela Secretaria de Mobilidade e Transportes – é adotar um índice de conectividade entre as ciclofaixas da capital, além de rever seus impactos nos locais em que atualmente existem. 

Para o coordenador do CPU, as ciclofaixas criadas na gestão anterior careceram de planejamento. “Há ciclofaixas pintadas em todo e qualquer lugar, sem preparação adequada, passando por cima de bocas de lobo, buracos”, criticou Pela. 

*FOTO: Thinkstock