São Paulo, 03 de Dezembro de 2016

/ Gestão

Petrobras é rebaixada e nota de crédito do Brasil está sob ameaça
Imprimir

Perda do grau de investimento da petroleira coloca equipe econômica em estado de alerta

O rebaixamento da nota de crédito da Petrobras pela agência Moody’s caiu como um balde de água fria na equipe econômica do governo Dilma Rousseff. O grupo, formado pelos ministros da Fazenda, Joaquim Levy, e do Planejamento, Nelson Babosa, além do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, vem se esforçando desde o fim do ano passado para melhorar o quadro das contas públicas brasileiras, aumentando a transparência e melhorando a comunicação com o mercado. 

Mas na noite desta terça-feira (24/2) o que havia era uma sensação de receio de que o rebaixamento da estatal acabasse "contaminando" a nota de crédito dos títulos brasileiros. O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, evitou comentar sobre a perda do grau de investimento da Petrobrás, "Assuntos da Petrobras só a Petrobras comenta", limitou-se a dizer. 

Após o anúncio, foi definido que o melhor era discutir alternativas para evitar este eventual contágio. Nesta quarta-feira (25/2), os ministros da equipe econômica devem se reunir com a presidente Dilma para fazer uma avaliação da perda do grau de investimento da Petrobras e definir uma estratégia de trabalho.

Para os próximos dias, o governo prepara medidas fiscais, como a unificação e simplificação do PIS e da Cofins, e também um corte profundo de despesas federais no Orçamento. As medidas são esperadas pelas agências de rating e pelo mercado para melhorar o quadro fiscal do governo federal e também o ambiente de negócios no País, que está há quatro anos consecutivos com crescimento muito fraco da economia.

Nelson Barbosa, ministro do Planejamento, optou por não se posicionar. Foto: AE

Na visão do Bank of America (BofA) Merrill Lynch, a decisão da Moody’s aumenta a pressão sobre a classificação do Brasil. O rating soberano do País na agência está em Baa2, com perspectiva de possível rebaixamento, e poderia ser reduzido em um nível sem que o Brasil perdesse o grau de investimento.  Tal revisão, segundo os analistas Anne Milne, David Beker e Juan Andres Duzevic, se mostra "mais provável" neste momento.

MOODY’S ESPERA BALANÇO AUDITADO ATÉ 30 DE ABRIL

A agência de classificação de risco Moody's rebaixou o rating de crédito corporativo da Petrobras em dois graus, de Baa3 para Ba2, além de cortar todas as outras notas da empresa. Com o resultado, a Petrobras perde o grau de investimento da agência.  

Isso significa que a agência já não considera a estatal uma boa pagadora de seus débitos, o que complica ainda mais a situação da companhia, que é a petroleira mais endividada do mundo. Sem o grau de investimento, o acesso a novos financiamentos fica mais difícil e a empresa pode ter de pagar juros maiores do que os que conseguia até agora.

O rebaixamento para grau especulativo reflete maior preocupação com as investigações de corrupção, assim como pressões de liquidez que podem acontecer em razão do atraso na entrega do balanço auditado. 

A agência ainda acredita que a Petrobras terá dificuldade em reduzir significativamente sua elevada dívida nos próximos anos. "Os ratings da Petrobras permanecem em revisão para rebaixamento por causa da pressão sobre a liquidez que pode acontecer caso a empresa não consiga entregar o balanço em tempo. A empresa precisa fornecer o balanço anual auditado até 30 de abril de 2015. Maiores atrasos trazem o risco de que os credores possam tomar ações que resultem na declaração de um default técnico", diz o comunicado da Moody’s.

Embora a estatal deva gerar mais caixa este ano do que em 2014, a agência de rating acredita que isso não deve ser suficiente para cobrir todas as suas despesas, resultando em mais um ano de geração de caixa negativo. "Caso a empresa consiga resolver seus problemas de liquidez no curto prazo, os ratings podem ser elevados", diz a Moody’s. Ainda assim, provavelmente a empresa não voltaria ao grau de investimento "porque deve continuar a enfrentar tensões relacionadas às investigações de corrupção e seu alto nível de endividamento".

A estatal ressalta, em comunicado, que "não possui covenants (obrigação de fazer) relacionados ao rebaixamento de rating por parte das agências classificadoras de risco ou relacionados a rating abaixo da classificação 'grau de investimento'. No comunicado, a Petrobras destaca que a Moody’s afirmou que continuará monitorando o desenvolvimento das investigações e o progresso da companhia em relação à publicação de suas demonstrações contábeis auditadas. "A agência considera em seu rating a possibilidade de suporte financeiro do governo federal à companhia, se necessário, e alerta que o rating da Petrobras poderá ser sensível a mudanças na classificação de risco do governo brasileiro", diz a estatal.

JUROS EM ALTA

Como esperado, o mercado de juros teve uma abertura tensa diante da decisão da Moody’s. Pela manhã, porém, as taxas futuras desaceleravam o ritmo de alta inicial, em linha com o movimento do dólar.

Todos os títulos de dívida da Petrobras negociados na manhã desta quarta-feira (25/2), no mercado secundário em Frankfurt, registram queda. Alguns papéis já são negociados abaixo de 80% do valor de face. Isso indica movimento dos investidores de tentar se desfazer dos bônus da brasileira.

Com esse fenômeno, o retorno oferecido pelo papel, o chamado yield, sobe e já supera 9% em alguns vencimentos. A Petrobras tem 31 diferentes vencimentos de títulos de dívida, os chamados "bonds", listados no mercado secundário de papéis corporativos da Alemanha – destes, 20 já tinham sido negociados pela manhã.



Para o Juiz federal, independentemente da intenção dos senadores ao alterarem a Lei de Abuso de Autoridade, o momento atual não é o mais adequado para mudanças

comentários

Plano era transformar anistia ao caixa dois em lei mais extensa. Operação, com o aval do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (foto), foi neutralizada por grupo que exprimiu a indignação da sociedade

comentários

Saiba mais sobre o projeto que nasceu da Operação Lava Jato e tramita na Câmara dos Deputados

comentários