São Paulo, 25 de Setembro de 2016

/ Gestão

Os segredos de um empreendedor serial
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Flávio Augusto da Silva, fundador da Wise Up e da meusucesso.com, revelou na Campus Party os segredos para se tornar um empresário bem-sucedido

Quando adolescente, o carioca Flávio Augusto da Silva era visto pelos amigos e parentes como um pária.  Filho de uma família humilde que morava na zona oeste do Rio de Janeiro, na infância havia sido expulso de algumas escolas e, após concluir o ensino médio, desistiu de cursar faculdade de ciência da computação na Unicamp para ficar perto da namorada e vender cursos de inglês. 
Ele não tinha carteira assinada, não tirava férias, nem recebia 13º salário. Sem muitas alternativas, Flávio decidiu montar seu próprio negócio e para isso fez o que não é recomendável para nenhum empreendedor: pegou dinheiro no cheque especial para abrir a empresa e arcou juros exorbitantes. Mesmo assim, em 1995, fundou a Wise Up – primeira escola de inglês destinada a adultos. 

A história de Flávio não é convencional. Ele não tem formação formal. Não conhecia administração de empresas. No entanto, conseguiu erguer do nada uma grande rede de ensino de inglês. Qual o segredo?  “Eu acho que existem três elementos básicos para todos os empreendedores: visão, coragem e competência”, afirma. 

Sem ajuda de investidores ou sócios, a Wise Up foi crescendo 30% ao ano, em média.  O que começou com duas escolas em 1995, chegou a 384 em 17 anos, graças ao sistema de franquias. Em 2013, o grupo foi vendido para a Abril Educação por cerca de R$ 1 bilhão. De acordo com Flávio, a negociação foi impulsionada por causa de seu próprio perfil: “Vendi porque sou um construtor, gosto de levantar coisas, e não sou um bom síndico, aquele que fica apenas cuidando da manutenção”, diz Flávio. 

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Bem-sucedido e com domicílio na Flórida, pensou em se aposentar, mas percebeu uma nova oportunidade e decidiu comprar um time de futebol profissional nos Estados Unidos. “As pessoas acham que eu estava louco, mas percebi que o esporte iria se tornar grande naquele país em poucos anos”, diz Flávio. Em 2013, comprou o Orlando City por US$ 110 milhões e, no final do ano passado, o time foi avaliado pelo triplo do valor.

Além da equipe de futebol, hoje ele se dedica a uma nova empresa a meusucesso.com uma escola de empreendedorismo virtual focado no estudo de cases. “São seis semanas em que ficamos concentrados em entender o sucesso de determinadas empresas. A atual é a China in Box. Durantes as aulas, vamos mostrando lições sobre planos de negócios, marketing, precificação, entre outros”, diz Flávio. A empresa, que funciona por meio de um modelo de assinaturas, faturou R$ 1 milhão em seus primeiros 38 dias e tem o plano ambicioso de atingir seu primeiro bilhão em três anos.

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Flávio, no entanto, não considera que o maior desafio para um empreendedor seja alcançar números: “É preciso manter a essência. Eu ainda tenho os mesmos valores de quando eu era um menino que pegava o trem lotado para ir vender cursos de inglês. É muito fácil se perder nesse mundo. Antes eu implorava para os bancos me darem crédito e hoje ele querem me pagar almoços”.  
Confira os cases de sucesso de Flávio Augusto da Silva que ele compartilhou na CampusParty:

WISE UP

Visão: Em 1995, grandes multinacionais estavam chegando no Brasil e boa parte dos profissionais não dominava a língua inglesa. Flávio percebeu que só existiam escolas de inglês para crianças e que os cursos se estendiam por entre 8 e 10 anos. Flávio então decidiu montar uma escola apenas para adultos e que ensinasse a língua em 18 meses.   

Coragem: Abriu um negócio sem capital inicial. Além disso, Flávio não tinha experiência em administração de empresas e nem mesmo sabia falar inglês. 

Competência: Sem investidores e sem sócios, ele decidiu expandir através das franquias. A Wise Up teve 384 unidades, antes de ser vendida.  

ORLANDO CITY

Visão: Quando o filho de Flávio, Breno, de 15 anos, começou a jogar futebol nos Estados Unidos, o empresário percebeu que existia um público muito grande de pessoas interessadas no esporte. Ele encomendou uma pesquisa e se deparou com um resultado surpreendente: o futebol já era o segundo esporte favorito entre os jovens de até 24 anos. A média de público era de 21 mil torcedores por jogo, número superior aos campeonatos brasileiros, paulista e carioca. 

Coragem: Apesar de a maioria das pessoas achar que ele estava ficando louco em investir no futebol nos Estados Unidos, ele decidiu comprar o time de futebol Orlando City por US$ 110 milhões. 

Competência: Flávio investiu na compra de jogadores conhecidos, como Kaká, o que ajudou a colocar o Orlando City no mapa do futebol internacional. Ele também fez parcerias com a prefeitura para construir um estádio, com a promessa de atrair mais turistas para a cidade.  Um ano após a compra, o time foi avaliado em US$ 325 milhões. 

MEUSUCESSO.COM

Visão: Depois de seu sucesso como empresário, Flávio percebeu que as escolas tradicionais são ineficientes ao tratar de empreendedorismo. Ele percebeu que muitos jovens queriam ter conhecimento sobre como montar um negócio, mas não encontravam as informações necessárias. 

Coragem: Ele montou seu primeiro negócio digital, mesmo sem conhecer muito sobre tecnologia. 

Competência: Flávio participa das aulas e ajuda a espalhar a cultura empreendedora.  Em 38 dias, a empresa faturou R$ 1 milhão. 

 



Raí pendurou as chuteiras em 2000, mas sua marca segue faturando muito. É sócio da Fundação Gol de Letra, garoto-propaganda da Caixa e da rede francesa de hotéis Accor, além de contratado pela France Telecom, GNT e ESPN Brasil

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