São Paulo, 30 de Setembro de 2016

/ Gestão

Os 100 primeiros dias de uma startup
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Três empreendedores relatam na Campus Party Brasil acertos e erros que cometeram ao abrir sua própria empresa

O início de um negócio é sempre complicado, principalmente quando os fundadores são jovens com pouca experiência. Para incentivar os que desejam trilhar esse caminho atribulado, a Campus Party Brasil reuniu três fundadores de startups que estão participando do Startups & Makers Camp – programa que selecionou empresas que estão no início ou em rápido desenvolvimento para atividades de mentorias e workshops. Na palestra Startup: 100 primeiros dias, eles compartilharam com os campuseiros os principais desafios de seus primeiros passos.

EYSO: SEM PROCESSOS E RUÍDOS ENTRE OS SÓCIOS

Uma das empreendedores selecionadas é Ludmilla Veloso, fundadora da Eyso, empresa especializada em tornar aplicativos mais visíveis dentro das lojas de aplicativos, por meio de palavras-chave e descrições. Logo nos primeiros dias de atividade, Ludmilla conseguiu seu primeiro cliente e teve de lidar com a pressão e as exigências de atender uma grande empresa.

“Não tínhamos definido processos e, na verdade, nem sabíamos o que era processo", diz. "Antes de atender um cliente, é preciso verificar se os resultados podem ser repetidos e escaláveis. Não adianta você conseguir entregar para apenas um cliente se os demais não terão o mesmo produto ou serviço com a mesma qualidade.”

Outro equívoco admitido pela empresária foi não alinhar as expectativas e a distribuição de tarefas entre os sócios-fundadores. “Um dos sócios abandonou o barco logo no começo porque ele tinha uma ideia diferente sobre o negócio e isso abalou psicologicamente os outros fundadores”, afirma Ludmilla.

Para evitar que isso aconteça, ela recomenda que os sócios estejam alinhados com os planos e com suas funções. “Às vezes, é preciso se desapegar da sua formação acadêmica. Pode ser que um sócio formado em marketing, por exemplo, tenha mais habilidade em administração.”

Flexibilidade é um dos conceitos mais importantes nos primeiros 100 dias de uma startup. Ludmilla também aconselha que no começo de uma empresa, os sócios não fiquem preocupados em distribuir títulos e cargos. “Essas denominações só funcionam quando a empresa deixa de ser uma startup e tem uma operação muito maior”, afirma Ludmilla. Hoje, além de tocar a Eyso, a empresária é sócia, conselheira ou mentora em seis startups.

SOCIAL MINER: MENOS PLANO, MAIS EXECUÇÃO 

Ricardo Rodrigues não pensava em abrir seu próprio negócio. Fez mestrado em inteligência artificial no ITA, trabalhou em centros de pesquisa na França e foi professor universitário. Mesmo com tantas realizações, não se sentia desafiado. Em 2011, voltou para o Brasil para trabalhar no Peixe Urbano, site de compra coletiva. Nos corredores da empresa, Rodrigues conheceu seu futuro sócio Roger Mattos e juntos fizeram Partyu, um aplicativo de geolocalização para encontrar eventos e comercializar ingressos.

Depois do sucesso dessa primeira experiência, eles fundaram a Social Miner. A startup desenvolveu uma ferramenta que ajuda empresas a identificarem quem são e do que gostam os usuários que acessam seu site, entre os principais clientes estão o Catraca Livre e o Submarino Viagens.  “Nos primeiros 100 dias, o importante é não planejar excessivamente. É fundamental ter um produto para vender, mesmo que ele seja provisório e que sofra muitas alterações depois”, afirma Rodrigues. 

Uma das táticas utilizadas pelos sócios da Social Miner foi criar uma página no Facebook para a empresa antes de começar as primeiras atividades. Dessa forma, eles começaram a estudar antecipadamente se havia um mercado interessado nos serviços que iriam prestar. “Eu costumo oferecer para os clientes produtos que ainda não possuo e ver se há interesse deles. E apenas depois, começo a desenvolvê-los”, diz Rodrigues.

TRAKTOPRO: ESTUDAR A CONCORRÊNCIA 

Até pouco tempo atrás, Paulo Tenório não tinha ideia do que era uma startup. Formado em computação gráfica, criava animações para  emissoras de TV. Em 2013, Tenório pensou em um aplicativo que orientasse profissionais e empresas a avaliar quanto deveriam cobrar pelos seus serviços. Surgiu assim surgiu a TraktoPRO, vencedora de prêmios como DemoDay, da SEED, uma das principais aceleradoras do Brasil.

Um dos fatores que colaborou para que a empresa conseguisse sobreviver aos 100 dias foi um estudo detalhado da concorrência. “Coloquei em uma tabela os nomes dos meus competidores, estudei o modelo de negócio de cada um deles e quais eram os valores que eles cobravam. A partir dessa análise, eu sabia o que oferecer para os meus clientes e onde eu podia me destacar”, afirma Tenório.

Ele também aconselha que os futuros empreendedores se perguntem constantemente quem, de fato, precisa dos serviços oferecidos. “Mesmo que você tenha uma grande ideia, sua startup só vai dar certo se você efetivamente resolver o problema de alguém”, diz Tenório. 



Raí pendurou as chuteiras em 2000, mas sua marca segue faturando muito. É sócio da Fundação Gol de Letra, garoto-propaganda da Caixa e da rede francesa de hotéis Accor, além de contratado pela France Telecom, GNT e ESPN Brasil

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