São Paulo, 24 de Setembro de 2016

/ Gestão

“Nosso partido é o da livre iniciativa”, afirma Alencar Burti
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O novo presidente da Associação Comercial de São Paulo fala sobre suas crenças e sobre os desafios da entidade

O empresário Alencar Burti assume pela quinta vez, nesta segunda feira (23), a presidência da Associação Comercial de São Paulo e da Federação das Associações Comerciais de São Paulo.  Os esforços desse novo mandato serão dirigidos para a redução da burocracia em prol das atividades empresariais.
 
“A velocidade com que as transformações acontecem mudou. O mundo de hoje não admite mais tanta burocracia”, afirma Burti. “Precisamos tornar os processos mais simples. Em alguns casos, no entanto, a simplicidade é extremamente complicada.”
 
Burti tem sua trajetória empresarial intimamente vinculada às atividades associativas. Sua vida profissional começou ainda adolescente no setor de joalheria e, mais tarde, passou para o ramo de automóveis. Desde a década de 1960, atua em associações que representam o interesse dessa categoria. “A integração de esforços e propósitos são imprescindíveis”, afirma. “Por isso, sempre busquei construir pontes que unem, em vez de muros que separam. É importante somar, é fundamental aglutinar”.
 
Ele foi um dos responsáveis pela fundação da Fenabrave (Federação Nacional dos Distribuidores de Veículos Automotores). Também presidiu a ACSP e a FACESP, durante quatro mandatos (entre 1999 e 2003 e 2007 e 2011). E, nos últimos anos, esteve à frente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) e do Conselho Deliberativo do Sebrae-SP. 

GRANDES DECISÕES

Em seus mandatos anteriores, Burti foi responsável por grandes decisões no âmbito da ACSP, como a transformação do SCPC na empresa Boa Vista Serviços. Nessa nova fase, além de levantar a bandeira da desburocratização, irá atuar para fortalecer a Facesp.
 
Para apoiá-lo nessas batalhas, ele conta com a experiência de Roberto Mateus Ordine, 1o.vice-presidente da ACSP: “Ele tem uma grande vivência dentro da Associação Comercial", diz. "Ordine vai me ajudar a viabilizar todos os projetos. Vamos dividir as competências.”

“Algumas associações e instituições estão definhando porque não representam mais o interesse de seus associados”, afirma Burti. “Precisamos nos valer do que o passado nos ensinou e, ao mesmo tempo, olhar para futuro para fazer um presente mais atuante, efetivo e condizente com as novas tecnologias.”

De acordo com o novo presidente da ACSP, os primeiros passos para essa transformação já foram dados. “Hoje, não dependemos exclusivamente da receita procedente dos associados e oferecemos serviços que vão além, como o celular corporativo e os planos empresariais de saúde.”

Burti também pretende dar continuidade às mudanças feitas pelo seu antecessor, Rogério Amato: “É uma pessoa altamente qualificada. Não podemos abrir mão de suas realizações”.

O novo presidente também acredita que a credibilidade que a Associação Comercial conquistou nesses 120 anos ajudará a impulsioná-la para os próximos 100.

HISTÓRIA DE VIDA

Com apenas três anos, ele perdeu sua mãe. “Fui morar com a minha avó que já tinha criado 14 filhos. Ela sempre foi uma referência em minha vida”, diz Burti. “Trabalhei desde a adolescência e sempre acreditei que quando fazemos algo sem esperar nada em troca, ganhamos em dobro.”

Durante 20 anos trabalhou como funcionário e se tornou dono de seu próprio negócio, após um patrão desfazer uma promessa de sociedade. “Eu me lembro muito desse dia porque foi logo depois do Natal. Fiquei desempregado”, diz Burti.

Foi quando se tornou empreendedor e acabou por fundar sua joalheria e uma rede de concessionárias de veículos. Desde então, passou a atuar em paralelo em atividades associativas: “Minha motivação sempre foi melhorar as condições do setor em que atuava.”

Aos 85 anos, ele já poderia estar usufruindo dos resultados de mais de 60 anos de trabalho. Porém, por convicção, continua se dedicando as entidades empresariais. “Todos que trabalham como voluntários de atividades associativas devem fazer isso por amor à causa. É por isso que continuo”, diz Burti. “Tenho mais de 50 anos de voluntariado dedicados aos interesses do setor privado, sempre busquei ser uma pessoa que ajudasse a transformar a sociedade”, afirma. 

Ele afirma ter especial respeito pelo voluntariado: “É hoje a grande mola que propulsiona o país, principalmente nas atividades privadas”.

O novo presidente afirma ser ‘apaixonado pelo óbvio’ – algo que, segundo afirma, está sendo deixado de lado pelas novas gerações. “As pessoas estão se esquecendo do que é mais básico: o contato humano. Precisamos recuperar isso. Conheço minha mulher há 60 anos e em todos os aniversários eu compro para ela um cravo branco”, afirma Burti. “É pelo que ele simboliza.”

BRASIL HOJE

No atual cenário de instabilidade na economia e de disputa ideológica-política, Alencar Burti afirma que as causas da associação estão acima de partidos: “Sempre tivemos um bom diálogo com todos os governos e com as outras instituições. Sempre tentamos deixar as questões partidárias de fora. Nosso partido é o da livre iniciativa”.

Além disso, ele acredita que o momento pede uma transformação tanto na realidade econômica quanto social. “O Brasil precisa mudar e os brasileiros precisam assumir a responsabilidade pelos seus atos”, afirma. “Temos que começar a viver uma nova realidade, onde exista agilidade e justiça.”

Em tempos de alta da inflação e de estagnação no crescimento, Burti faz um alerta: serão anos em que os empresários precisarão ter paciência: “Os resultados podem demorar a aparecer e o planejamento deve ser feito com cautela. É preciso se adaptar a esses novos tempos.”

Em momentos como este, o papel da Associação se torna ainda mais fundamental. “Os estudos produzidos internamente podem ter grande valor para a atual situação financeira do país. Somos mais um cabeça pensando nas soluções para os problemas nacionais”, afirma. 



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