Gestão

Na primeira pesquisa, Doria já nada de braçada


Segundo o instituto Datafolha, o prefeito paulistano, que sabe usar a mídia, é considerado ótimo ou bom por 44% dos paulistanos e ruim por apenas 13%


  Por João Batista Natali 12 de Fevereiro de 2017 às 10:06

  | Editor contribuinte natali@uol.com.br


João Doria (PSDB) tem razões de sobra para comemorar os resultados na opinião pública de seu primeiro mês como prefeito paulistano.

Pesquisa Datafolha, publicada neste domingo (12/02) indica que sua administração é considerada ótima ou boa por 44% dos paulistanos, regular por 33%, e ruim ou péssima por apenas 13%. Não souberam o que responder 10% dos entrevistados.

O detalhe importante está no fato de que os 13% que reprovam o prefeito representam um percentual menor que os 17% que, em outubro passado, votaram em Fernando Haddad, que tentava a reeleição pelo Partido dos Trabalhadores. Ou seja, Doria está sendo aprovado até por uma franja pequena do eleitorado petista.

Os índices de aprovação do prefeito também superam os 31% atribuídos a Haddad em 2013, embora com relação ao petista a pesquisa tenha avaliado os três primeiros meses, e não apenas o mês inicial da administração municipal.

O Datafolha também demonstra que é maciço o apoio da população a decisões pelas quais Doria é enxovalhado pelo pensamento politicamente correto das redes sociais.

Exemplo disso, o aumento da velocidade nas marginais Pinheiros e Tietê é aprovado por 71% dos que dirigem carro e reprovado por 27% de entrevistados na mesma condição.

Entre os que não são motoristas, a pesquisa registrou um empate matemático, com 45% a favor, e 45%, contra. Com os dois grupos misturados, motoristas e não motoristas, a redução de velocidade é aprovada por 57%, e desaprovada por 37%.

Doria não sai bem na foto da pesquisa quando se trata da decisão de apagar os grafites da avenida 23 de Maio. Para 61%, a prefeitura agiu mal, enquanto apenas 32% acreditam que agiu bem.

A população tampouco é otimista com relação ao esforço do prefeito de acabar com as pichações.

Apenas 35% disseram acreditar que os pichadores serão inibidos por meio de punições, enquanto 61% têm a opinião de que os pichadores não se deixarão inibir.

Mesmo assim, 97% dos paulistanos se dizem contra as pichações, e 85% aprovam os grafites em espaço público.

Por sua vez, o programa Cidade Linda, que consiste na poda de árvores, limpeza de calçadas, jardins e monumentos é visto como positivo por 59%, regular por 20% e ruim ou péssimo por 11%.

Ainda assim, para a maioria (51% contra 36%), apesar do programa Cidade Linda, a paisagem urbana não melhorou e permanece a mesma.

O maior índice de aprovação de Doria vem do programa Corujão da Saúde, que visa acabar com as filas de meses para exames clínicos em postos da prefeitura, por meio do encaminhamento desses pacientes a hospitais particulares, onde eles são atendidos de madrugada, quando os equipamentos são menos utilizados.

São 67% os paulistanos que aprovam Doria. Apenas 6% acreditam que a iniciativa é ruim ou péssima, enquanto 11% a consideram regular, e 16% não souberam responder.

Por fim, a aprovação do prefeito é maior nos segmentos de maior renda familiar e de maior escolaridade. A aprovação independe da idade. Ela é maior na faixa de 35 a 44 anos (54%) e menor na faixa de 16 a 24 anos (41%).

UM FENÔMENO DE MÍDIA

Doria, já durante a campanha eleitoral do ano passado, sabia que encontraria dificuldades com a mídia, que o PSDB acreditava estar sentimentalmente comprometida com Fernando Haddad e, por isso mesmo, predisposta a rejeitar um candidato tucano.

 Essa se exemplificou ainda neste sábado (11/02) pela versão online da Folha de S. Paulo. A operação Cidade Linda esteve na praça da República, na região central.

No texto, nenhuma palavra sobre o número de árvores podadas, sobre a pintura do coreto ou do uso de desinfetantes nas calçadas que fediam a urina.

Em compensação, o título da reportagem destacava a presença de um pequeno grupo de manifestantes que hostilizaram a presença do prefeito.

A equipe de Doria conta com a intervenção pessoal do próprio prefeito nas redes sociais, com seus seguidores no twitter e no Facebook, onde ele faz a postagem frequente de vídeos, com depoimentos ou reportagens. 

Esse estilo de comunicação direta está de alguma forma funcionando. Embora o Datafolha registre que uma maioria relativva (36% contra 24%) acredita que o estilo pessoal de Doria, como paramentar-se de gari, beneficie mais a ele que à cidade, o fato é que a aprovação dele é bastante robusta.

Isso também cria um problema político paralelo. Doria tende a ofuscar a popularidade do governador Geraldo Alckmin dentro do PSDB, o que deixa alguns assessores do Palácio dos Bandeirantes sobressaltados.

Em termos nacionais - onde além de Alckmin existem as ambições presidenciais de José Serra e Aécio Neves - também cresce a ideia de que Doria é o único fenômeno positivo novo dentro do PSDB, e que, caso a Lava Jato inviabilize as demais candidaturas presidenciais, o nome do prefeito de São Paulo cresceria como alternativa.

Isso de um lado é bom para Doria. Mas, de outro, ele tende a se transformar em vidraça para as pedras que poderão ser lançadas fora do município e do Estado de São Paulo.

FOTO: Suamy Beydoun/Estadão Conteúdo