São Paulo, 07 de Dezembro de 2016

/ Gestão

Lidar com o fator humano é o que define um bom líder
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Cuidar de cada pessoa na equipe: esse o segredo para fazer com que os subordinados trabalhem a seu favor

Não há como um negócio persistir sem liderança. Mas como fazê-lo? Escreve-se e fala-se muito sobre esse tema, mas, no final, um bom líder se resume ao que é considerado como tal pela sua equipe. Yannis Gabriel, professor da Bath, uma universidade britânica, resolveu justamente estudar o que os subordinados esperam de seus chefes. Sua descoberta: mais do que pessoas competentes que os conduzam a resultados, o que desejam são líderes que se preocupam genuinamente com eles.

Líderes que estão presentes, prontos para ouvir e compreender. Estão dispostos a doar tempo, conselhos, reconhecimento e apoio. Tratam seus subordinados com toda consideração. Não só mostram respeito pela equipe, como também ficam atentos a mudanças nas necessidades e aspirações dos funcionários.

Em empresas noviças ou não tão grandes, o relacionamento acaba sendo mais próximo e pessoal. O líder precisa ter sensibilidade para agradar os subordinados nos momentos felizes, como aniversários e casamentos, assim como dar suporte em épocas difíceis, como quando ocorrem problemas de saúde ou de morte de algum parente. Também pode aproveitar as conversas para sondar do que os subordinados gostam e o que odeiam no trabalho e, ainda, perguntar o que querem fazer de sua vida profissional.

Nem todo mundo consegue ser dessa forma, é verdade. Porém, de acordo com Gabriel, não há líder que seja admirado e, no final das contas, seguido, se for percebido como alguém que não está nem aí para seus subordinados.

É importante deixar claro: líderes zelosos não necessariamente são sempre legais, muito menos estão prontos para agradar o tempo todo. Ao contrário. O teste de verdade acontece quando eles precisam tomar decisões difíceis e assumir riscos para se responsabilizar pelos outros. Nem sempre dá para deixar 100% do time feliz, mas no fim do processo deve ficar claro que determinadas ações serviram para a sobrevivência das pessoas que dependem do negócio.

Em artigo a ser publicado na revista acadêmica Leadership, em versão disponível on-line, o professor de Bath finaliza elencando os problemas a ser evitados pelos líderes que abrem o coração para os subordinados. Em primeiro lugar, esse estilo de liderança pode ter um efeito paralisador na equipe. Como todo pai e toda mãe sabem, cuidados excessivos podem causar dependência e inércia e fazer com que aqueles que recebem atenção não consigam nunca agir de forma autônoma.  

Em segundo lugar, esse estilo de liderança pode almejar a harmonia, mas deixar o clima da empresa pesado e com a sensação de que a injustiça paira. Isso pode acontecer quando o líder se preocupa mais com aqueles que precisam dele – um conceito subjetivo – e com aqueles mais próximos física ou emocionalmente.

Na maioria das vezes, não há como tomar uma decisão que seja julgada moralmente de forma igual por todos. E alguns dilemas são bem difíceis, mesmo. Por exemplo, até que ponto um líder deve se dedicar a reverter o humor de um funcionário insatisfeito sem que isso comprometa os cuidados aos demais funcionários?

Finalmente, é um desafio manter essa marca personalista sem ir contra os planos da empresa. Ter a confiança de todos é fundamental, mas não como objetivo em si próprio, e sim como forma complementar para que toda a equipe compartilhe da mesma visão do negócio e se sinta estimulada a desempenhar acima do esperado.



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