Glossário do Empreendedor: o que é transmídia?


Termo usado no universo de comunicação, transmídia é processo de contar a história de uma marca explorando diferentes meios para cativar o consumidor


  Por Italo Rufino 09 de Junho de 2016 às 14:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


A contação de histórias é uma das mais antigas artes desenvolvidas pelo ser humano. Antes do advento da escrita, o contador de história era reconhecido por sua experiência e sabedoria – e detinha grande importância social por transmitir o conhecimento por meio da fala. 

Com a escrita, as histórias se materializaram em suportes físicos. Se, por um lado, o texto escrito poderia ser mais bem elaborado e multiplicado para ter maior alcance, a prática de contar história oralmente mantinha o ato performático, em que se estabelecia a troca de experiências e bagagem cultural em tempo real entre o contador e o ouvinte.  

"Uma narrativa pode se desenvolver em diferentes meios, sendo que cada meio tem potencialidades diferentes que influenciam de maneira distinta a percepção do receptor", afirma Wilson Bekesas, doutor em Comunicação e Semiótica e professor da Escola Superior de Marketing e Propaganda (ESPM). 

Quase seis mil anos após a criação da escrita, as marcas também passaram a fazer história – e nos últimos anos começaram a contá-las em diferentes mídias.

E é a ideia de convergência de mídias está por trás do conceito de transmídia, que, no universo das marcas, é o processo de comunicação em que uma narrativa contínua é transmitida em diferentes capítulos por distintos meios para que a história envolva e cative o consumidor.  

ORIGEM DA EXPRESSÃO

O termo transmídia foi cunhado pelo estudioso da comunicação americano Henry Jenkins, autor do livro Convergence Culture (Cultura da Convergência), publicado em 2006.

BEKESAS: MARCAS PRECISAM CONTAR BOAS HISTÓRIAS/DIVULGAÇÃO

No ano seguinte, Jenkis escreveu um artigo em seu blog que tratava de Transmedia Storytelling, “um processo onde elementos de uma narrativa se dispersam em múltiplos canais com a finalidade de criar uma experiência de entretenimento unificada e coordenada.”

No artigo, Jenkins cita a franquia Matrix, que possuía na época três filmes, uma série de curtas de animação, duas histórias em quadrinhos e vários jogos de videogame.

No caso de Matrix, não havia uma única fonte em que o consumidor poderia colher todas as informações sobre a narrativa – no entanto, cada mídia trazia capítulos autossuficientes que permitiam ao consumidor compreender a narrativa.  

BENEFÍCIO DA COMUNICAÇÃO TRANSMÍDIA 

As marcas podem usar narrativas transmídia para expressar o seu posicionamento ao mercado, reforçar seus valores e suas características e criar laços e relacionamento com os consumidores. 

Uma narrativa transmídia oferece a possibilidade de comunicar diferentes mensagens baseadas nas preferências e hábitos de consumo do público-alvo em cada mídia. 

O Itaú possui um posicionamento de marca pautado, entre outros aspectos, em ser um banco digital. Em janeiro, a marca lançou uma propaganda na televisão com o slogan Digitau, que abordava as facilidades que os serviços digitais da empresa proporcionava aos clientes. 

Dias depois, após críticas por causa do “u” na palavra digital, o banco divulgou no YouTube um vídeo que explicava a diferença entre as duas palavras – no fim da peça publicitária, os atores saem do personagem e brincam com a quantidade de visualizações do vídeo. 

Em 2015, a marca brincou com um meme que fez sucesso no Twitter em que brasileiros explicavam expressões em português para estrangeiros. Em um tweet, a marca afirmava que no Brasil não se diz “eu te amo”, mas sim “não sou Itaú, mas fui feito para você”.

Nos três casos, a marca mantém o seu posicionamento estratégico como a narrativa principal e utiliza mensagens diferentes mais adequadas para cada mídia – ao mesmo tempo em que mantém empatia com o público. 

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IMAGEM: THINKSTOCK