Gestão

Glossário do Empreendedor: entenda o que é Product Market Fit


Termo usado por empreendedores à frente de startups e investidores designa quando um produto satisfaz a real necessidade do mercado que a empresa almeja atender


  Por Italo Rufino 23 de Agosto de 2017 às 13:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Logo nos primeiros meses após a criação do Snapchat, rede social de compartilhamento de fotos e vídeos, o aplicativo já tinha sido baixado por 200 mil pessoas. Metade dos usuários acessava o app diariamente. No total, eles compartilhavam 1 milhão de fotos a cada dia.

Os números iniciais do Snapchat demonstraram que a startup possuía uma curva de crescimento diferenciada. Ao mesmo tempo, mantinha uma alta taxa de retenção e engajamento.

O que isso significa?

O Snapchat possuía Product Market Fit, conceito que designa um produto que satisfaz a real necessidade do mercado em que a empresa atua. O diferencial do aplicativo é a possibilidade de veicular vídeos e imagens que são automaticamente eliminados em até 24 horas após a publicação.

APP DO SNAPCHAT: 173 MILHÕES
DE USUÁRIOS

O negócio foi tão bem recebido entre os jovens, público-alvo da marca, devido o fato de que conteúdos embaraçosos disseminados indevidamente na internet são motivos de bullying, dissolvem a autoestima e chegam a causar tragédias entre adolescentes.

Atualmente, o Snapchat possui 173 milhões de usuários ativos.

E como ter um produto que seja altamente desejável?

De acordo com Thiago Holtz, executivo sênior de vendas da Mindminers, consultoria de pesquisas de mercado digitais, Product Market Fit diz respeito a tudo aquilo que diferencia uma empresa e seu portfólio de produtos.

Para atingir esse nível, é preciso identificar oportunidades de mercado, instigar discussões sobre o melhor produto e validar hipóteses – sempre com foco no ser humano.

 Os três princípios básicos do Product Market Fit são:

*Encontrar um problema que represente uma dor para um grupo real e considerável de pessoas.

*Desenvolver um produto que possa resolver completamente este problema.

*Criar um modelo de negócio para comercializá-lo, sendo executável, rentável e sustentável.

“Se não cumprir os três pilares, é muito pouco provável que a empresa estabeleça um Product Market Fit”, afirma Holtz.

Nesse processo, o empresário pode lançar mão de um Minimum Viable Product (MVP), um tipo de protótipo, para saber se as pessoas terão interesse de pagar pela solução. É indicado que o MVP seja uma solução rápida e barata para validar uma hipótese.

O MVP da Easy Taxi, por exemplo, era um site com apenas um página, onde o usuário preenchia seu nome, telefone, endereço onde estava e destino final.

As informações eram enviadas para o e-mail de Tallis Gomes, fundador da empresa, que entrava no Google Maps, buscava o ponto de táxi mais próximo da localização do cliente e solicitava por telefone a corrida.

Em seguida, Gomes ligava para o usuário e informava o nome do taxista, modelo e placa do veículo. 

Como é bem difícil que um produto nasça perfeito, o empreendedor precisa focar no refinamento contínuo, ao mesmo tempo em que busca formas de viabilizar sua execução, avaliando se o produto oferece uma boa experiência e se é viável economicamente.

HOLTZ, DA MINDMINERS: PRODUTO PERFEITO
REQUER DE CICLOS DE APRENDIZAGEM

De acordo com Holtz, é necessário aprender com o cliente – e, simultaneamente, ensinar para ele como o produto solucionará seu problema.

“É necessário analisar dados gerados pelo uso do produto (comportamentos do usuário)”, diz Holtz. “E, de forma combinada, levantar informações em entrevistas com perfis de pessoas representativas ao negócio para ter novas ideias.”

Já ouviu falar sobre “construir, medir e aprender”? Então, é isso. Para chegar ao product market fit é preciso percorrer ciclos, baseados em construção de MVPs, criação de hipóteses (e métodos para validá-las), submeter o produto no mercado e medir os resultados da experiência.

Depois, aprender e corrigir – e preparar a empresa para o crescimento.

ORIGEM

O termo foi criado pelo americano Marc Andreessen, fundador de empresas de tecnologia, como Netscape, e investidor no Vale do Silício.

Num artigo publicado no site da Universidade de Stanford, em junho de 2007, Andreessen explica os motivos que levaram algumas startups ao sucesso.

Para Andreessen, o sucesso depende de três variáveis: equipe, produto e mercado.

Se o mercado é grande (formado por muitas pessoas), necessita de um produto que resolva suas dores. E vencerá quem entregar a solução adequada.

Se o mercado não for grande o bastante ou o produto não satisfazer as pessoas, não importa ter uma ótima equipe ou um produto incrível, mas que ninguém deseja.

EXEMPLO BRASILEIRO

O mercado de cartão de crédito brasileiro, até 2014, era extremamente burocratizado e dominado por grandes empresas, que com grande poder de barganha acabavam regulando o mercado – e impondo produtos (e suas taxas de juros) para os consumidores.

Então, foi criado o Nubank, empresa que emite cartão de crédito. O diferencial da empresa é a possibilidade de o usuário administrar o cartão por meio de um app (o que diminui a burocracia).

O cartão também não possui taxa de anuidade e, na época do lançamento, tinha taxas de juros de 7,75% ao mês – quase a metade da média do mercado.

NUBANK: MILHARES DE CONSUMIDORES NA FILA DE ESPERA PARA ADQUIRIR O PRODUTO

Depois que o produto passou por reformulações, o Nubank engrenou. Em maio de 2015, 75 mil pessoas aguardavam numa fila de espera para adquirir o cartão.

Em setembro do mesmo ano, a fila subiu para 100 mil. Três meses depois, quase 300 mil consumidores aguardavam a chance de ter o cartão roxo (marca do Nubank).

Durante um evento organizado pela aceleradora de startups ACE, David Vélez, CEO e fundador do Nubank, afirmou que a equipe da empresa se debruçou no que seria bom para o cliente para desenvolver um modelo de negócio inovador.

“Hoje, é um produto que se vende sozinho e os próprios clientes indicam”, disse Vélez.

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