São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Gestão

Funcionários sem dívidas, empresa produtiva
Imprimir

Especialistas explicam a importância de o micro e pequeno empreendedor ajudar seus funcionários a manter a vida financeira em ordem

Contas em atraso, nome sujo e problemas financeiros na família podem tirar o sono — e horas do expediente — de muitas pessoas. Além de atrapalhar a vida particular, a preocupação com dinheiro reflete diretamente no desempenho obtido no ambiente de trabalho. O assunto já rendeu uma série de pesquisas e estudos pelo mundo. A mais recente, feita pela consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) em 2012, revelou que, em média, 97% dos profissionais nos Estados Unidos usam horas de trabalho para resolver questões financeiras. O levantamento "Employee Financial Wellness Survey" apontou também que 22% dos trabalhadores gastam, no mínimo, 20 horas por mês cuidando de pendências financeiras no ambiente profissional. 

Desde 2007, a American Psychological Association (Associação Americana de Psicologia, em tradução livre do inglês) desenvolve uma pesquisa anual para identificar as causas do estresse e os efeitos do problema na vida dos americanos. Na última edição, de 2012, o tópico dinheiro garantiu a primeira colocação no ranking que aponta as fontes de estresse, afetando 69% dos entrevistados.

Um dos pedidos mais comuns quando o funcionário está endividado é o famoso adiantamento de salário, diz a planejadora financeira Letícia Camargo, do Rio de Janeiro. “Essa pressão acaba descapitalizando o micro e pequeno empresário, que precisa, com isso, antecipar seu fluxo de caixa”, explica. Nesse caso, é preciso resistir, diz o consultor financeiro André Massaro. “O empresário deve ficar firme, não pode adotar uma postura paternalista”, enfatiza. Se os problemas refletem no desempenho da empresa, é importante, por exemplo, avaliar se vale a pena ficar com o profissional, orienta o consultor.

 

Ajudar o funcionário a manter as contas em dia melhora a produtividade

 

BENEFÍCIOS CORPORATIVOS

Além de programas de educação financeira, outros benefícios, como seguro de vida e previdência complementar, melhoram o bem-estar e a qualidade de vida no ambiente profissional, o que contribui diretamente para o desempenho da empresa. Uma pesquisa encomendada pela Icatu Seguros ao instituto RGaber com apoio da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ) identificou que seguro de vida e previdência privada estão entre os cinco benefícios mais valorizados por trabalhadores.

Conforme o levantamento, feito com 420 funcionários de diversas empresas (entre pequenas, médias e grandes companhias), 96% afirmam que gostariam que a empresa oferecesse orientação financeira pelo menos uma vez por ano. 

O estudo contou com três fases: a primeira analisou a percepção dos profissionais em relação aos benefícios; a segunda etapa contou com visitas de especialistas para traçar uma espécie de raio-X da vida financeira de cada pessoa. Já na última fase, a pesquisa reavaliou como os profissionais enxergam os benefícios. A grande maioria (76%) afirma que repensou sua vida financeira depois da consulta. 

O maior desafio para as micro e pequenas empresas é encaixar os benefícios na lista de despesas. “É uma despesa nova, mas quando a empresa olha o resultado de médio e longo prazo, como atração e retenção de talentos, consegue enxergar os benefícios”, diz João Levandowski, superintendente da MetLife. Segundo ele, o mais importante é criar a cultura do poupar no ambiente profissional, pensando numa velhice “feliz” do ponto de vista financeiro, por exemplo. “O funcionário endividado acaba trabalhando desmotivado.

Esse apoio da empresa é fundamental”, observa. Para Humberto Sardenberg, superintendente de marketing da Icatu Seguros, o dono da empresa precisa se conscientizar da importância da organização financeira dos funcionários. “A gente percebe que o dono, às vezes, não considera o seguro de vida algo importante, nem para ele, nem para os trabalhadores. O principal desafio é a sensibilização do tomador de decisão”, conclui. 

“Para o próprio empreendedor, é importante conhecer finanças pessoais”, diz a planejadora financeira Leticia Camargo. Segundo ela, esse é o primeiro passo: o micro e pequeno empresário precisa colocar em ordem sua vida financeira. “A pessoa endividada está fisicamente no trabalho, mas com a cabeça nas contas”, destaca. Por isso, é importante que o dono da empresa faça um diagnóstico das finanças pessoais e saiba separar as contas do negócio das despesas particulares.

Feita a organização das finanças pessoais, a próxima etapa é fazer um levantamento para saber qual o real problema enfrentado pelos funcionários. “As pessoas têm dívidas no cartão de crédito? Estão usando muito o crédito consignado? Uma vez que o empresário faz a identificação, vai para a execução”, explica o consultor financeiro André Massaro. 

Nem sempre um programa de finanças pessoais atende a todos os perfis de pessoas, informa, em seu livro, o consultor André Massaro. “Um programa pode ter maior ou menor grau de aproveitamento por um determinado público, e isso depende de vários fatores, como as necessidades individuais, a motivação, o nível socioeconômico, o conhecimento prévio do tema e a capacidade de absorção de conceitos”, destaca. 

Antes de buscar uma consultoria externa, a orientação dada pelos especialistas é verificar se existem profissionais da própria empresa que podem estruturar um programa de educação financeira, oferecer palestras aos trabalhadores e dar apoio em dúvidas sobre finanças pessoais. “Se não for suficiente, aí parte para busca de profissionais externos”, diz Massaro. 

O retorno dos funcionários em relação às atividades desenvolvidas pela empresa pode ser mensurado de diversas maneiras, orienta Massaro. É possível verificar, por exemplo, se a procura por crédito consignado diminuiu ou ainda se o fundo de pensão passou a receber mais adesões. 



O horário para pedir resgate das aplicações também será ampliado. Mudanças começam no próximo sábado (03/12)

comentários

Mauro Calil, consultor financeiro e especialista em investimentos do banco Ourinvest, fala ao Diário do Comércio Entrevista sobre os cuidados ao fazer a gestão das contas

comentários

Para quem pode, este é um bom momento para investir, segundo Marcos L. de Callis (foto), do Banco Votorantim, que ao lado de outros especialistas participaram do FE4 Fórum Empreendedor na Associação Comercial de São Paulo

comentários