São Paulo, 27 de Setembro de 2016

/ Gestão

Funcionários sem dívidas, empresa produtiva
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Especialistas explicam a importância de o micro e pequeno empreendedor ajudar seus funcionários a manter a vida financeira em ordem

Contas em atraso, nome sujo e problemas financeiros na família podem tirar o sono — e horas do expediente — de muitas pessoas. Além de atrapalhar a vida particular, a preocupação com dinheiro reflete diretamente no desempenho obtido no ambiente de trabalho. O assunto já rendeu uma série de pesquisas e estudos pelo mundo. A mais recente, feita pela consultoria PricewaterhouseCoopers (PwC) em 2012, revelou que, em média, 97% dos profissionais nos Estados Unidos usam horas de trabalho para resolver questões financeiras. O levantamento "Employee Financial Wellness Survey" apontou também que 22% dos trabalhadores gastam, no mínimo, 20 horas por mês cuidando de pendências financeiras no ambiente profissional. 

Desde 2007, a American Psychological Association (Associação Americana de Psicologia, em tradução livre do inglês) desenvolve uma pesquisa anual para identificar as causas do estresse e os efeitos do problema na vida dos americanos. Na última edição, de 2012, o tópico dinheiro garantiu a primeira colocação no ranking que aponta as fontes de estresse, afetando 69% dos entrevistados.

Um dos pedidos mais comuns quando o funcionário está endividado é o famoso adiantamento de salário, diz a planejadora financeira Letícia Camargo, do Rio de Janeiro. “Essa pressão acaba descapitalizando o micro e pequeno empresário, que precisa, com isso, antecipar seu fluxo de caixa”, explica. Nesse caso, é preciso resistir, diz o consultor financeiro André Massaro. “O empresário deve ficar firme, não pode adotar uma postura paternalista”, enfatiza. Se os problemas refletem no desempenho da empresa, é importante, por exemplo, avaliar se vale a pena ficar com o profissional, orienta o consultor.

 

Ajudar o funcionário a manter as contas em dia melhora a produtividade

 

BENEFÍCIOS CORPORATIVOS

Além de programas de educação financeira, outros benefícios, como seguro de vida e previdência complementar, melhoram o bem-estar e a qualidade de vida no ambiente profissional, o que contribui diretamente para o desempenho da empresa. Uma pesquisa encomendada pela Icatu Seguros ao instituto RGaber com apoio da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-RJ) identificou que seguro de vida e previdência privada estão entre os cinco benefícios mais valorizados por trabalhadores.

Conforme o levantamento, feito com 420 funcionários de diversas empresas (entre pequenas, médias e grandes companhias), 96% afirmam que gostariam que a empresa oferecesse orientação financeira pelo menos uma vez por ano. 

O estudo contou com três fases: a primeira analisou a percepção dos profissionais em relação aos benefícios; a segunda etapa contou com visitas de especialistas para traçar uma espécie de raio-X da vida financeira de cada pessoa. Já na última fase, a pesquisa reavaliou como os profissionais enxergam os benefícios. A grande maioria (76%) afirma que repensou sua vida financeira depois da consulta. 

O maior desafio para as micro e pequenas empresas é encaixar os benefícios na lista de despesas. “É uma despesa nova, mas quando a empresa olha o resultado de médio e longo prazo, como atração e retenção de talentos, consegue enxergar os benefícios”, diz João Levandowski, superintendente da MetLife. Segundo ele, o mais importante é criar a cultura do poupar no ambiente profissional, pensando numa velhice “feliz” do ponto de vista financeiro, por exemplo. “O funcionário endividado acaba trabalhando desmotivado.

Esse apoio da empresa é fundamental”, observa. Para Humberto Sardenberg, superintendente de marketing da Icatu Seguros, o dono da empresa precisa se conscientizar da importância da organização financeira dos funcionários. “A gente percebe que o dono, às vezes, não considera o seguro de vida algo importante, nem para ele, nem para os trabalhadores. O principal desafio é a sensibilização do tomador de decisão”, conclui. 

“Para o próprio empreendedor, é importante conhecer finanças pessoais”, diz a planejadora financeira Leticia Camargo. Segundo ela, esse é o primeiro passo: o micro e pequeno empresário precisa colocar em ordem sua vida financeira. “A pessoa endividada está fisicamente no trabalho, mas com a cabeça nas contas”, destaca. Por isso, é importante que o dono da empresa faça um diagnóstico das finanças pessoais e saiba separar as contas do negócio das despesas particulares.

Feita a organização das finanças pessoais, a próxima etapa é fazer um levantamento para saber qual o real problema enfrentado pelos funcionários. “As pessoas têm dívidas no cartão de crédito? Estão usando muito o crédito consignado? Uma vez que o empresário faz a identificação, vai para a execução”, explica o consultor financeiro André Massaro. 

Nem sempre um programa de finanças pessoais atende a todos os perfis de pessoas, informa, em seu livro, o consultor André Massaro. “Um programa pode ter maior ou menor grau de aproveitamento por um determinado público, e isso depende de vários fatores, como as necessidades individuais, a motivação, o nível socioeconômico, o conhecimento prévio do tema e a capacidade de absorção de conceitos”, destaca. 

Antes de buscar uma consultoria externa, a orientação dada pelos especialistas é verificar se existem profissionais da própria empresa que podem estruturar um programa de educação financeira, oferecer palestras aos trabalhadores e dar apoio em dúvidas sobre finanças pessoais. “Se não for suficiente, aí parte para busca de profissionais externos”, diz Massaro. 

O retorno dos funcionários em relação às atividades desenvolvidas pela empresa pode ser mensurado de diversas maneiras, orienta Massaro. É possível verificar, por exemplo, se a procura por crédito consignado diminuiu ou ainda se o fundo de pensão passou a receber mais adesões. 



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    Danylo Martins
    Jornalista de Finanças Pessoais e autor do blog Economia sem Enrosco - www. economiasemenrosco.com