São Paulo, 25 de Junho de 2017

/ Gestão

Estoque mínimo é regra de ouro para o comércio
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Informação e controle são ferramentas essenciais para gerenciar o estoque de forma eficiente -com ou sem crise

O país é o Brasil e o ano, 2016. Uma grave crise assola a economia nacional, as vendas do comércio despencam e o desemprego cresce – segundo o IBGE são mais de 200 mil empresas fechadas nesses 12 meses de pasmaceira econômica e falta de perspectivas.

Enquanto a economia parece ruir, no interior de Santa Catarina, Ricardo Paixão sabe que está na lista das exceções.

Ao longo de 2016, o empreendedor assistiu a um crescimento de 3% no lucro da sua loja de produtos de limpeza. O empresário é dono de uma franquia da Ecoville em Joinville.

PAIXÃO, FRANQUEADO DA ECOVILLE: OLHO NO ESTOQUE

Mesmo sempre investindo no atendimento e no marketing, Paixão sabe que a maior parte desse resultado vem de uma gestão minuciosa das informações de estoque dos mais de 200 produtos disponíveis na loja.

“O portfólio de produtos é grande e um estoque bem gerido reduz a necessidade de capital de giro”, afirma.

Uma boa gestão de estoque começa, essencialmente, com o levantamento e acompanhamento de algumas informações essenciais.

Segundo Davi Jerônimo, consultor do Sebrae-SP, o erro da maior parte dos empreendedores já começa neste ponto.

“O comerciante não tem informação sobre como o próprio negócio funciona", afirma. "Ele simplesmente deduz que determinado produto vai vender e então faz as suas compras.”

Não surpreende, então, que o estoque fique parado, dificultando ainda mais o giro da empresa, uma vez que boa parte do capital disponível está encaixotado nos fundos da loja à espera de compradores interessados.

CURVA ABC

A primeira informação que o comerciante deve buscar é participação de cada produto no total de vendas da loja – aqui entra em cena uma conhecida ferramenta do comércio, chamada Curva ABC.

Baseada no princípio de Pareto, essa curva gera uma estatística importante para o seu negócio: sinaliza quais são os produtos responsáveis pela maior parte do seu faturamento.

Fazer a Curva ABC de uma loja é relativamente simples. Escolha um período a ser analisado e identifique quantas unidades de cada produto foram vendidas, bem como o valor unitário de cada um –chegando assim ao valor total de vendido de cada produto disponível.

Com esse valor, calcule a participação percentual de cada item no total de vendas. Organize os produtos em uma lista decrescente, dos que tem maior participação no total de vendas para os que apresentaram menor porcentagem.

De cima para baixo, vá somando as porcentagens dos primeiros da lista até que totalize 80%. Esses são seus produtos classe A, ou seja, os principais geradores de receita para o seu negócio.

Esses devem ser o centro das atenções no estoque: não podem faltar. “Em época de crise, a aposta tem de estar, majoritariamente, no que for oferecer maior giro para o caixa da empresa”, recomenda Jeronimo.

Dentro da linha de produtos Classe A, o segundo passo é identificar outros dois pontos igualmente importantes: a média diária de vendas de cada um e o tempo necessário para que o fornecedor entregue esses itens na sua loja.

Com essas informações você conhecerá o estoque mínimo de cada item, informação fundamental para tempos de crise, já que o objetivo é paralisar o mínimo de dinheiro possível em produtos.

Por exemplo, se o lojista vende em média 10 canetas por dia e o fornecedor leva 5 dias para entregar um novo pedido, o estoque mínimo deverá ser de 50 unidades – quando o total de unidades disponíveis para a venda chegar a esse total, a reposição deve ser solicitada imediatamente.

“Quanto menor for o ciclo de reposição de cada produto, menor a necessidade de mantê-lo em estoque”, afirma o especialista do Sebrae-SP.

É claro que um bom sistema informatizado pode facilitar muito o trabalho do responsável pelas compras, mas é possível acompanhar esse fluxo em uma planilha.

Quanto maior o número de produtos classificados na categoria A, maior a necessidade de investir em um sistema.

No caso de Ricardo Paixão, dos mais de 200 produtos disponíveis na loja, 20 são deste grupo.

“Sem um sistema não seria possível gerenciar o estoque de uma forma eficiente”, avalia. Cada vez que algum item atinge o estoque mínimo é acionado um alerta.

Esse sinal também chega automaticamente à fabricante que, no caso de Paixão, também é a franqueadora.

O mesmo tratamento deve ser dado aos produtos que respondem por 15% e 5% das vendas, respectivamente, classes B e C – estes são itens que complementam as compras e elevam o tíquete médio do consumidor dentro da loja.

É fundamental ter também esse estoque sob controle, já que é ele que vai possibilitar um ganho adicional sobre cada venda, além de indicar quais produtos podem ser retirados do portfólio em caso de aperto extremo no caixa.

CAIXA FORTE

Nem sempre o produto que agrega o maior lucro para a empresa está entre as prioridades de estoque, considerando a Curva ABC. No entanto, isso não significa que eles devam ser deixados de lado na hora das compras.

O conselho de Jerônimo, do Sebrae, é investir apenas o necessário nesse tipo de produto, especialmente se ele tiver alto valor agregado, já que a crise reduz o poder de compra do cliente. “Ideal é operar com o essencial, mantendo sempre o nível de estoque no ponto de reposição”, afirma.

A regra do estoque mínimo vale mesmo se a crise tiver beneficiado a capacidade de negociação do comerciante o fornecedor.

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Ou seja, mesmo que o empresário consiga um ótimo preço por um produtro, não convém adquirir um estoque muito acima do necessário para aproveitar a oportunidade.

“Não pode ver o preço mais barato e se empolgar, comprando quantidades absurdas dos itens”, avisa Jerônimo.

Cada produto tem seu ritmo de venda e as variáveis que influenciam nessa velocidade são diversas – bastará a abertura de uma loja concorrência a poucos quilômetros de distância para que a Curva ABC precise ser refeita.

“Depois de algum tempo, o comerciante estará com um volume grande de produtos estocados e será obrigado a fazer promoções”, complementa Jerônimo. “Com isso, abrirá mão de parte do lucro, para mitigar os custos de manutenção e perda de estoque. “

NO BOLSO

A operação industrial da Ecoville, fornecedora de todos os lojistas da rede, sente no bolso os impactos da boa gestão de estoques.

LEONARDO (à dir.), FRANQUEADOR: INADIMPLÊNCIA EM BAIXA

Segundo Leonardo Castelo, fundador da franqueadora, a inadimplência de seus lojistas caiu 15% após a implementação das práticas de controle de estoque.

“Acabamos ajudando o nosso cliente, que é o lojista, a comprar de forma melhor”, diz.

O efeito é o mesmo sobre os estoques da indústria. Em seis meses de operação, Castelo é capaz de delinear o perfil de venda de cada uma das lojas e, com essas informações, flexibilizar a sua produção na direção mais adequada à sua demanda.

“Eu preciso ter disponibilidade industrial para atender a demandas relâmpago, então esse perfil é fundamental para que eu possa projetar e organizar a produção”, diz. “Tem gente que pergunta como estamos crescendo tanto. É o bom uso da informação, a inteligência de mercado.”

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