São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Gestão

“É preciso fisgar os novos formadores de opinião”
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Rogério Amato, presidente da Facesp e da ACSP, conta em palestra como as entidades criaram condições para se comunicar a qualquer momento com os atuais e potenciais empreendedores

Não há mais dúvida de que os jovens da classe C, que hoje representa cerca da metade da população brasileira, ou aproximadamente 100 milhões de brasileiros, são os novos formadores de opinião do país.

Quem souber conquistá-los terá um mercado fiel nos próximos anos. Isso vale para a venda de produtos e serviços de grandes corporações, bancos e também para a questão de representatividade, extremamente importante para a obtenção de conquistas sociais, econômicas e políticas.

E o que fazer para ter a atenção desse público? A única maneira é ouvi-lo e compreendê-lo, criando condições para se comunicar com ele a todo o instante, compartilhando informações, conhecimento, opiniões. E tudo isso só é possível por meio de ferramentas que estão à disposição no mundo digital.

Esta foi a principal mensagem transmitida por Rogério Amato, presidente da Facesp (Federação das Associações Comerciais de São Paulo) e da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), para um público de cerca de mil pessoas no XV Congresso da Fascesp realizado nesta semana em Águas de Lindóia (SP).

A Facesp e ACSP não querem e não podem, acrescentou ele, deixar este público de fora: “Para sermos de fato a voz do empreendedor, temos de aprender a ouvir e a entender este empreendedor, e é que o estamos fazendo”.

Uma pesquisa realizada pela consultoria DataPopular, especializada em estudos sobre a classe C, surpreendeu Amato. “O número de favelados no país já é maior do que o de gaúchos. Só que, ao contrário do que a gente imagina, a vida das pessoas que moram em favelas, de modo geral, melhorou substancialmente. O número de microempreendedores que está saindo desta base cresceu de forma extraordinária. São cerca de 9,5 milhões de microempreendedores individuais (MEIs).”

A pesquisa também constatou que 87% dos entrevistados afirmam que a vida melhorou graças aos esforços próprios. Só 9% disseram que contaram com o apoio do governo. Outro dado que surpreende, diz Amato, diz respeito ao número de cartão de crédito em poder da classe C. Dos 183 milhões de cartões em circulação, 103 milhões pertencem à nova classe média.  “Esta população quer crescer, empreender, se desenvolver por esforço próprio e temos de enxergar isso.”

Para dar conta do processo de interação com atuais e os potenciais novos empreendedores do país, os 300 mil associados, as 2 mil associações no Brasil e as 27 federações estaduais, a Facesp e a ACSP criaram uma potente rede de infraestrutura digital capaz de reunir informações, compartilhar dados, palestras e vídeos pelo meio digital.

“Alguém aqui vive sem CRM?”, indagou Amato à plateia. CRM (Customer Relationship Management) é um termo em inglês que, em português, pode ser traduzido para gestão de relacionamento com o cliente, criada para definir as ferramentas que automatizam as funções de contatos com os clientes, consideradas fundamentais para as corporações.

“Bem, nós criamos um sistema parrudo, forte, que possibilita à entidade deter informações sobre os associados. Se alguém deixa um cartão de visita na porta da ACSP, os dados são colocados no sistema, que vai se retroalimentando. Só que, para isso, é necessário uma infraestrutura de TI”, diz.

Aos poucos, a ACSP está colocando “no ar” todos os seus produtos digitais, um trabalho que começou a ser desenvolvido há mais de um ano. Um deles é o Diário do Comércio, que acaba de migrar com um novo modelo editorial. Sua distribuição na versão impressa estava restrita a São Paulo. Agora não apenas pode ser acessado de qualquer parte do país, como possibilita a interatividade dos leitores com seus colunistas e a Redação.

O outro é o ACCONECTA, que promete intensificar a troca de informações entre todas as associações comerciais do país.

Trata-se de uma espécie de Facebook da Facesp, que possibilita arquivar e compartilhar documentos, vídeos, fotos, assim como faz o usuário do Facebook. “As palestras de especialistas na sede da associação em São Paulo, que ficavam restritas a meia dúzia de pessoas, poderão ser vistas agora por todas as associações, em tempo real”, afirma.

A comunidade da associação de Piracicaba (SP) gostou e entendeu o novo processo de comunicação digital e foi a primeira a ser constituída no ACCONECTA. Para navegar na rede, é preciso acessar o site www.facesp.com.br/acconecta e entrar com login e senha, obtido depois de um convite enviado pela equipe do ACCONECTA.

É claro, na avaliação de Amato, que nada substitui o contato físico. Só que, ao mesmo tempo, é preciso admitir que está cada vez mais difícil realizar um congresso do tipo que aconteceu esta semana em Águas de Lindóia. As pessoas têm cada vez menos tempo. E por que não utilizar as facilidades dadas pelo mundo virtual para ganhar tempo?

“Não é fácil para a minha geração, por exemplo, ter de enfrentar todas estas mudanças, mas não tem jeito”. Ele cita a teoria da evolução natural de Charles Darwin (1809-1882), para quem a sobrevivência está ligada à capacidade de adaptação, não, necessariamente, ao mais forte.

E é preciso se adaptar. Amato apresentou duas fotos tiradas em um mesmo lugar para mostrar a diferença de comportamento do público, não só no Brasil, mas no mundo, em apenas oito anos. Uma mostra os fiéis na posse do papa Bento XVI e, a outra, na posse do papa Francisco.

No caso do papa Bento XVI, a foto aparece escura, quase sem luz. No caso do papa Francisco, há um mar de luz de celular nas mãos dos católicos. “Aqui também no congresso vejo que todos vocês estão com celular na mão, estão conectados”. Dá para escapar disso? Não.

Leia mais: Em Águas de Lindóia empresários pedem ação para recuperar a economia

"Nosso patrimônio de credibilidade é ouro em pó"

Outras pesquisas revelaram que credibilidade é a palavra que expressa o que público sente em relação às associações comerciais. “Vejam o patrimônio que temos. Isso é ouro em pó. As empresas, muitas vezes, passam a vida tentando fazer com que seus produtos e serviços ou sua imagem tenham credibilidade, e nós temos isso arraigado, está no subconsciente das pessoas.”

A conexão das associações por meio do meio digital será multiplicada, assim como seu potencial de mobilização. As associações já possuem força, diz ele, como o importante papel que teve na Medida Provisória 232, considerado o primeiro tranco que o Estado brasileiro recebeu para não elevar os impostos. “Formou-se um consenso no país, a partir de ações que nasceram no nosso meio.”

Outro exemplo da força do setor, diz, é o Impostômetro, uma ferramenta que contabiliza os tributos arrecadados no Brasil pela União, Estados e municípios. “Hoje temos uma medição que, a cada R$ 110 milhões que oscila o Impostômetro, a resposta de mídia é equivalente a R$ 25 milhões por mês. Tomamos um susto quando isso foi medido, é incrível o que vemos nas redes sociais. Cada vez mais o Impostômetro se coloca como um marco.”

O recado de Amato para os 300 mil empresários ligados às associações é que o setor é rico de história, forte em ações, possui informações de interesse do setor e do país, conhecimento, dados estatísticos e realiza um grande trabalho de mobilização para ações voltadas aos interesses do setor, da sociedade e do país que não podem ficar restritos à sede localizada na Boa Vista, no centro de São Paulo.

“Alguém aqui sabe o que é TED?”, pergunta ele para a plateia. Silêncio. Em português quer dizer Tecnologia, Entretenimento, Design, o que consiste em palestras em vídeo, de no máximo dezoito minutos, que são amplamente divulgadas na internet.

“Temos agora capacidade agora de fazer algo semelhante sobre os assuntos de nosso interesse. Por exemplo, a simplificação tributária, um projeto primoroso, como nos mobilizar para isso?” Está feito o convite de Amato para que as associações se envolvam para a formação de grupos ligados às questões que permitam ao setor e ao país ser impulsionados para a frente.



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