São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

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Dilma Rousseff é derrotada na Câmara dos Deputados
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Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é eleito presidente da Mesa, para o biênio, com larga diferença de votos; Renan Calheiros tem vitória apertada no Senado

A presidente Dilma Rousseff foi a grande derrotada com a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para presidir a Câmara dos Deputados nos próximos dois anos. Ele obteve 267 votos, contra 136 para o deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), abertamente apoiado pelo Planalto.

Cunha não é um homem de oposição e integra a base aliada do governo. Ele não se opõe abertamente ao plano de austeridade do ministro da Fazenda, Joaquim Levy. Mas sua candidatura cresceu com base na ideia de que a Câmara deveria ser mais independente do Executivo, sem funcionar como um poder subalterno.

Cunha diminuirá o poder da bancada petista e tomará iniciativas de impacto na mídia, como o retorno do reajuste da tabela do Imposto de Renda para 6 ,5% e o atropelamento do projeto oficial que diminui direitos trabalhistas.

O temor dos governistas, em Brasília, é também que ele rejeite a lógica que já vem sendo trabalhada pelo PT, de que os desdobramentos judiciais da Operação Lava Jato devem centrar nas empreiteiras e nos executivos da Petrobrás comprometidos com irregularidades.

O novo presidente da Mesa tem o poder de colocar em votação punições também para os políticos que o Ministério Público implicar. Embora esse capítulo não seja ainda conhecido, é provável que dirigentes petistas de alto escalão possam estar envolvidos. Partidários de Cunha afirmavam ontem à noite ser inevitável a instalação de uma nova CPI da corrupção.

Uma das possibilidades estaria em implicar a própria presidente Dilma no esquema de desvio de verbas da Petrobrás para financiar sua campanha de 2010. Ela também é vulnerável por ter ocupado a presidência do Conselho da estatal no período da compra da refinaria de Pasadena ou da construção da refinaria de Abreu e Lima.

Dois comentaristas políticos de peso, Lauro Jardim (Veja) e Kennedy Alencar (CBN) afirmaram recentemente que, dependendo da evolução das apurações do escândalo da Petrobrás, fala-se em Brasília até da possibilidade de eventual votação do impedimento da presidente. Chinaglia faria de tudo para evitar essa votação, que Eduardo Cunha não hesitaria em levar adiante, mesmo porque ela transferiria a  chefia do Executivo o atual vice, Michel Temer, também do PMDB.

Trata-se, no entanto, de especulações, em verdade alimentadas pelo imenso esforço do Planalto em evitar a vitória de Cunha. Entre as iniciativas oficiais houve a distribuição de cargos, para indicados por deputados hesitantes, nos Estados que elegeram governadores próximos de Dilma. Ou seja, ampliou-se o estoque de apadrinhamentos, já que na esfera federal indicações do gênero já haviam sido feitas.

BASE GOVERNISTA TEM VITÓRIA NO SENADO

A adesão dos 22 novos senadores ao candidato ao senado Luiz Henrique não aconteceu conforme estimado. Em uma vitória apertada, Renan Calheiros, apoiado pelo PT - e mencionado nas investigações da operação Lava Jato -, conquistou 49 votos, contra 31 para Luiz Henrique e um voto nulo. 

Trata-se de uma vitória para a base governista, mas preocupa o Planalto, uma vez que vitória estreita aponta para uma oposição mais robusta que no mandato anterior.

A campanha de Luiz Henrique contava 36 votos em contagem mais conservadora, o que indica que houve mudanças de última hora entre os votos da oposição. A formação da mesa.

Foi adiada para esta terça-feira (3), às 15h, a eleição dos demais membros da Mesa do Senado. A eleição estava marcada para as 17h desta segunda-feira (2), mas o prolongamento da sessão da Câmara em que foram eleitos o presidente e os membros da Mesa daquela Casa acabou atrasando a sessão solene de abertura dos trabalhos do Congresso Nacional, que ocorreria às 16h, e, em consequência, a eleição da Mesa do Senado.

*Com Bárbara Ladeia e informações da Agência Senado



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