São Paulo, 26 de Setembro de 2016

/ Gestão

Dilma indica para a Petrobras executivo que a protegeria de futuras acusações
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Aldemir Bendine era o presidente do Banco do Brasil e é considerado um executivo leal à máquina petista

A presidente Dilma Rousseff indicou para a presidência da Petrobras Aldemir Bendine, até agora presidente do Banco do Brasil. A escolha desagradou o mercado. As ações ordinárias da estatal, com direito a voto, cairam 6,42%, ao fim do pregão da Bovespa.

Bendine é considerado bem mais como um homem de confiança do Planalto do que um executivo capaz de restaurar a confiança da empresa junto aos investidores. A estatal está envolvida desde o ano passado no mais volumoso escândalo de corrupção da história republicana.

Antes do anúncio do novo presidente, eram comentados para o cargo nomes de perfil bem mais sólido, como o ex-presidente da Ford, Antônio Maciel Neto, o ex-presidente da BR Distribuidora, Rodolfo Landim, ou mesmo Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central.

Circulavam igualmente os nomes de Murilo Ferreira, presidente da Vale, e o de José Carlos Grubisich, ex-presidente da Braskem. O PT, partido da presidente, desejava a nomeação de Luciano Continho, presidente do BNDES, bastante identificado com o governo.

A percepção de economistas e investidores é de que Dilma Rousseff procurou se resguardar, em razão das investigações ainda em curso na Polícia Federal e no Ministério Público, além da nova CPI da Petrobrás criada nesta semana na Câmara dos Deputados.

Esta última poderia, em tese, funcionar como órgão de instrução de um possível processo de impeachment. Não interessaria então, à presidente, ter na estatal alguém com liberdade para fornecer ao Congresso indistintas informações. Bendine, é bem mais leal ao Planalto que ao projeto de reerguimento da companhia.

Como previsível, a escolha de Dilma foi fortemente criticada pela oposição. O líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE) a qualificou de "escolha improvisada para um problema seríssimo que o Brasil enfrenta". No PSDB, o senador Aécio Neves acusou a presidente de ter encontrado um "sócio" para o escândalo de corrupção da estatal.

Um operador de renda variável disse à Agência Estado que "Dilma Rousseff escolheu um executivo que já é envolvido em problemas de gestão para controlar uma empresa cheia de escândalos originados de problema de gestão. Essa decisão é vista como a continuidade da interferência do governo na Petrobras."

Para ele, a decisão de tirar Bendine do Banco do Brasil, onde é funcionário de carreira, para colocá-lo na Petrobras pode mostrar que nenhum dos outros profissionais cotados para o comando da estatal aceitaram o difícil desafio de reconstruir a companhia.

Para outro profissional, o trabalho feito por Bendine à frente do Banco do Brasil foi bom, "mesmo com toda a interferência do governo", mas ele destaca alguns episódios que o desgastaram e que até hoje não foram esclarecidos.

Ele lembra do depoimento do ex-motorista do executivo, que afirmou ao Ministério Público Federal, em agosto do ano passado, que fez diversos pagamentos em dinheiro vivo a mando do seu chefe. O motorista afirmou que viu o próprio Bendine carregando sacolas de dinheiro para encontro com empresários. Na época, o MPF chegou a instaurar um procedimento investigatório.

Outro episódio lembrado por operadores foi quando Bendine foi alvo de denúncias após conceder um financiamento em condições favorecidas à socialite Val Marchiori, em novembro do ano passado. Com o desgaste, a saída de Bendine do Banco do Brasil chegou a ser cogitada na época.

O vice-presidente de negócios de varejo do Banco do Brasil, Alexandre Corrêa Abreu, assumirá a presidência da instituição no lugar de Bendine, que foi escolhido para comandar a Petrobras. O nome de Abreu estava sendo cogitado para o cargo juntamente com o do ex-secretário executivo adjunto do Ministério da Fazenda, Paulo Rogério Caffarelli, que também já foi do BB.

Para o cargo de Ivan Monteiro, atual vice-presidente de gestão financeira e de relações com investidores, ainda não foi escolhido um substituto.

Bendine substitui Graça Foster, que se demitiu ao lado de cinco diretores no início da semana. Ela não conseguiu publicar, com auditoria independente, o balanço da Petrobrás do terceiro trimestre de 2014, em razão das dificuldades de contabilizar os prejuízos provocados pela corrupção.

Na Operação Lava Jato, em que o caso é investigado, foi divulgado na quinta-feira que o PT recebeu de US$ 150 milhões a US$ 200 milhões entre 2003 e 2013. A informação constava de depoimento, sob o regime de delação premiada, de Pedro Barusco, ex-executivo da Petrobrás.

Barusco envolveu no caso o tesoureiro do PT, João Vaccaru Neto, convocado na quinta para prestar depoimento na sede da Polícia Federal, em São Paulo.

(Com Estadão Conteúdo)

 



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