São Paulo, 26 de Setembro de 2016

/ Gestão

Como tornar sua empresa mais inovadora em 90 dias
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É possível implementar um programa de inovação no dia a dia, sem necessidade de consultores externos. Como? A chave é identificar e mobilizar os talentos em cada posição

Gerar produtos e serviços inovadores é o objetivo perseguido pelas empresas que pretendem crescer continuamente. Como não se espelhar numa Apple ou Procter & Gamble, que constantemente desenvolvem novos produtos e conquistam mais mercado? 

O maior desafio, para as pequenas e médias empresas, é desenvolver um ambiente que favoreça a inovação de forma ordenada.
Uma possível solução para essa batalha é criar um programa de inovação enxuto – um sistema que reúna metodologias para garantir que as boas ideias sejam incentivadas, identificadas, desenvolvidas e realizadas – tudo baseado nas demandas e interesses da empresa. 

Não é necessário se valer de grandes investimentos ou contratar gente nova. Basta realizar pequenas mudanças de gestão e realocar recursos nas oportunidades mais promissoras. 

Veja o que a empresa precisa fazer para desenvolver um programa de inovação em apenas três meses, de acordo com os especialistas, Scott Anthony, David Duncan e Pontus Siren, da consultoria americana Innosight: 

DIA 1 AO 30 – DEFINIR QUAL INOVAÇÃO A EMPRESA PRECISA 

Toda inovação corporativa está relacionada a apenas dois objetivos. O primeiro é aumentar a capacidade de atuação da empresa na área em que é especializada. Essa inovação é chamada de core-inovations. São ações para melhorar produtos, serviços e processos já existentes.

O segundo objetivo é gerar receitas em áreas que a empresa ainda não atua – em inglês, batizada de new-growth innovations. Essas inovações visam atender novos segmentos de clientes e mercados. Às vezes, até por meio de um novo modelo de negócio, como uma rede de lava-rápido que pretende vender produtos automotivos no varejo. 

Projetos destinados a reforçar o foco da empresa devem ser vinculados ao planejamento estratégico e, geralmente, vão oferecer retorno substancial em curto e médio prazo e precisam ser financiados em grande escala. 

O empreendedor também deve pensar em longo prazo. De acordo com os especialistas, “pode haver uma grande diferença entre as metas de crescimento da empresa e o que a operação principal pode gerar de faturamento.” 

Para preencher essa lacuna, é necessário investir na segunda opção, inovações para criar produtos complementares para os atuais clientes, atuar em novas regiões ou desenvolver algo totalmente novo e original. 

O empreendedor deve tirar algumas semanas para levantar os números de faturamento e lucro que a operação atual pode proporcionar nos próximos cinco anos e, em seguida, compará-los com as metas de crescimento da empresa no mesmo período. A diferença nos números vai mostrar a porcentagem que a empresa precisa investir para criar inovação na área de atuação principal ou em novos mercados.

Caso a diferença seja muito grande, os especialistas recomendam que a empresa divida os recursos destinados a novos mercados em até três projetos diferentes. 

DIA 20 AO 50 – ESCOLHER OPORTUNIDADES ESTRATÉGICAS 

O empreendedor deve concentrar seus esforços em poucas oportunidades, mas com potencial de crescimento suficiente para preencher a lacuna de receitas no futuro. 

O primeiro passo para identificar oportunidades é fazer uma pesquisa com cerca de doze bons clientes para sondar suas queixas. Também é necessário ouvir as impressões dos próprios funcionários sobre o mercado para identificar possíveis tendências do setor que, em muitas vezes, o dono do negócio desconhece. 

O empreendedor pode reunir altos funcionários num encontro de uma tarde, compartilhar os resultados das pesquisas e pedir que eles identifiquem três oportunidades nos seguintes critérios:

• algo que muitos clientes necessitam, mas que nenhuma empresa oferece de forma satisfatória 

• uma tecnologia que permita aos clientes acessar suas necessidades com mais facilidade e sem grandes custos

• uma capacidade única da empresa que os concorrentes podem ter dificuldade para copiar e que pode ser vantagem competitiva 

O ideal é detectar oportunidades que reúnam os três critérios. Um produto ou serviço de que o cliente necessita, com baixo custo, fácil de ser utlizado pelo consumidor e em um segmento em que a experiência da empresa será uma vantagem. 

Caso o empreendedor não encontre uma oportunidade perfeita, ele deve, mesmo assim, prosseguir o projeto. De acordo com os especialistas, a armadilha da inovação é achar que a empresa não dará certo em se arriscar num novo mercado ou numa ideia que tem riscos de não gerar dinheiro. 

DIA 20 AO 70 – FORMAR UMA EQUIPE PEQUENA E DEDICADA AO DESENVOLVIMENTO DE INOVAÇÕES 

Um programa de inovação precisa de, no mínimo, um profissional com dedicação em tempo integral para quebrar a cabeça pensando em como desenvolver coisas novas. Dificilmente será o próprio empreendedor, já que ele tem outras responsabilidades na gestão da empresa. 

Empresas que nunca investiram em inovação podem ter dificuldades para encontrar um funcionário com experiência relevante. No entanto, não é necessário contratar uma pessoa de fora. 

Os especialistas da consultoria Innosight afirmam que hoje há inúmeros autores e profissionais que ensinam técnicas de inovação de maneira similar a temas mais tradicionais, como marketing e desenvolvimento de produtos. Grandes empresas como General Electric e Syngenta, por exemplo, possuem programas para difundir práticas de inovação entre seus funcionários. O programa consiste em treinamentos teóricos e imersões práticas no desenvolvimento de produtos reais. 

Um programa de inovação enxuto pode usar o mesmo padrão das grandes empresas. Os funcionários destacados devem devorar a literatura sobre inovação, como livros sobre design thinking por exemplo. Eles podem exercer os conceitos na prática pensando em soluções para problemas comuns do dia a dia da empresa.

Também é recomendado que a equipe de inovação crie um checklist com perguntas chaves para reforçar os conceitos de inovação, por exemplo “A equipe passou tempo o suficiente com os clientes para compreende-los profundamente?”  

DIA 45 AO 90 – CRIAR MECANISMOS PARA GERENCIAR PROJETOS 

Projetos de inovação em novos mercados (new-growth innovations) podem seguir regras semelhantes às de fundos de capital de risco usadas para acompanhar startups que recebem investimento. 

É recomendado que a empresa crie um comitê formado por profissionais experientes que tenha autonomia para tomar decisões sobre quando iniciar, interromper ou redirecionar projetos de inovação. 

Não é necessário que haja consenso entre todos os membros do grupo para escolher quais projetos serão financiados. É importante que os gestores definam um montante limite que cada projeto pode consumir. No entanto, a forma como esse dinheiro será usado deve ser definida pela equipe de inovação. 

O investimento em projetos também não segue ciclos trimestrais ou anuais de orçamento. Geralmente, quando um problema é resolvido, a equipe recebe um novo aporte para se dedicar a outro projeto. Em casos de anormalidade, como um possível estouro de orçamento, o comitê precisa se reunir emergencialmente para autorizar um novo aporte. 

O comitê também deve integrar a equipe de inovação e suas ideias aos interesses da empresa e ajuda-los em desenvolver sua capacidade inovadora. 

VAI DAR CERTO MESMO? 
Após 90 dias, o empreendedor deverá saber o tamanho do investimento que precisa fazer em inovação em sua área de atuação e em novos mercados. Também terá identificado oportunidades estratégicas e formado uma equipe dedicada à inovação – que deverá ter iniciado um projeto com ajuda do comitê de inovação. O retorno de um projeto pode demorar poucos meses ou mais tempo – tudo depende do seu objetivo final. 

Com o programa de inovação em funcionamento, é recomendado criar funções especializadas para cada membro da equipe de inovação. Um funcionário, por exemplo, pode ser responsável em acompanhar as mudanças de mercado que podem causar impacto nos negócios da empresa. 

É necessário tomar certos cuidados. Por ser um sistema, o empreendedor não deve saltar ou se descuidar de algum elemento, numa vez que fracassará na certa. “Ou faço tudo ou não faça nada”, dizem os especialistas. É imprescindível que haja uma pessoa focada 100% no desenvolvimento de inovação. Projetos que não estão dando certo devem ser abortados sem remorso. Caso contrário, a empresa desperdiçará tempo e recursos.



A fundação está em busca de ideias inovadoras. Os interessados têm prazo até 31 de outubro para apresentar propostas

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