São Paulo, 28 de Setembro de 2016

/ Gestão

Como se sair bem na disputa pelos profissionais de tecnologia
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Com a falta de pessoal qualificado no mercado, as empresas batalham pelos melhores funcionários de tecnologia de informação. Sem poder oferecer altos salários, as pequenas e médias criam artifícios para recrutar e manter talentos

O profissional de tecnologia da informação (TI) se tornou um dos funcionários mais requisitados do mercado. Não é preciso muita pesquisa para chegar a essa conclusão. Basta observar os anúncios em sites de emprego ou conversar com algum empresário para saber que faltam, por exemplo, programadores, desenvolvedores de aplicativos e especialistas em segurança de dados. Se há alguns anos esse profissionais eram necessários apenas em empresas de informática, hoje desde os pequenos comércios até os grandes negócios multinacionais precisam de um ou mais funcionários que dominem a complicada linguagem dos computadores. 

Mesmo com o fraco crescimento econômico brasileiro, os investimentos nesse mercado estão aumentando – a expectativa é chegar a US$ 165,6 bilhões em 2015, 5% a mais que o ano passado, de acordo com a International Data Corporation (IDC). Contudo, o desenvolvimento do setor pode ser prejudicado por causa da discrepância entre a quantidade de profissionais qualificados que entram no mercado e o número de vagas a serem preenchidas. De acordo com a Brasscom, o Brasil chegará ao ano de 2020 com uma carência de 750 mil profissionais na área. 

Nos últimos anos, contratar e manter um quadro de funcionários de tecnologia está se tornando cada vez mais difícil e também mais caro. “Tivemos que dobrar o salário de alguns cargos para conseguirmos contratar”, afirma o empreendedor Rodrigo Rasera, sócio da Cappta, empresa que faz captura de pagamentos por meio de máquinas de cartão e oferece softwares para transferência eletrônica de fundos. 

Para professor da UniÍtalo e consultor na área de tecnologia Wagner Sanchez, a profissão é nova e ainda desconhecida da maioria dos ingressantes no ensino superior: “Algumas das maiores empresas do mundo são da área de tecnologia, mesmo assim nem todos os alunos entendem o que um profissional de TI faz e poucos conhecem exemplos de pessoas que seguiram nessa profissão”, diz Sanchez. 

O perfil para quem quer ingressar na área também é bastante específico: é preciso se interessar por novas tecnologias, ter raciocínio lógico bastante apurado e estar em constante processo de atualização. A última característica é com certeza essencial. Mais do que em outras profissões, os instrumentos de trabalho dos profissionais de TI mudam constantemente: novos softwares, versões e linguagens são lançados a cada ano.

É um trabalho de reciclagem incessante. “Outro problema é que alguns cursos universitários estão defasados e por isso alguns profissionais chegam ao mercado sem as qualificações necessárias”, afirma Sanchez.   

Essa escassez de bons funcionários atinge principalmente pequenas e médias empresas que não tem recursos financeiros para entrar na disputa de salários com as grandes empresas. Conheça a história de três empreendedores que conceberam armas criativas para entrar nessa guerra de recrutar e manter funcionários de TI:

 EDUARDO CAMPOS, DA PARAFUZO

SOCIEDADE E PARTICIPAÇÃO NA CONTRATAÇÃO

Eduardo Campos, fundador da paulista Parafuzo, abriu a startup quando observou a dificuldade que seus amigos tinham para encontrar bons profissionais de limpeza e pintura. Para driblar esse obstáculo, ele criou um site que coloca em contato os consumidores e os prestadores de serviços. Ao abrir a empresa em 2014, teve de lidar com o mesmo problema: encontrar mão de obra qualificada, mas dessa vez na área de tecnologia. 

O orçamento, a contratação e o contato com os clientes são feitos através da internet. Com isso, a Parafuso tem seis funcionários de tecnologia da informação. “Foi difícil achar no mercado profissionais que se adequassem às nossas exigências”, afirma Campus. Para manter o quadro completo, o empresário teve que fazer algumas adequações.

A primeira foi mudar a forma de contratação.  Pediu para que os funcionários de TI ajudassem no processo de admissão dos futuros colegas de trabalho: “Percebi que esses profissionais trabalham melhor em grupos enxutos. A coesão entre eles tem que ser boa para que equipe esteja em sincronia. Por isso, eles participam do processo de seleção e ajudam a decidir quem será contratado”, diz Campos. 

Outra maneira encontrada pelo fundador da Parafuzo para manter os profissionais de TI motivados foi chamá-los para fazer parte da empresa: “Eles participam de decisões importantes e têm liberdade para dar palpites sobre a precificação e atendimento ao cliente, por exemplo”, diz Campus. “Dependendo do desempenho, eles podem se tornar sócios – a ideia é que os funcionários cresçam junto com a Parafuzo”.  

A empresa não só está conseguindo manter os profissionais de tecnologia como também está em rápido crescimento. Nos primeiros seis meses, a empresa movimentou 10 milhões de reais e pretende crescer 50% ao mês em 2015.  

LUAN GABELLINI, DA BETALABS

BÔNUS POR PRODUTIVIDADE e CONTRATAÇÃO EM UNIVERSIDADES

Outra empresa paulista que entrou na batalha por profissionais de TI é a Betalabs – especializada no desenvolvimento de sistemas de gestão, e-commerce e softwares para pequenos e médios negócios.

A ideia de montar a empresa surgiu em 2010 quando o fundador, Luan Gabellini, percebeu que havia uma parte do mercado que não estava sendo bem atendida: “A prioridade das empresas que prestam esse tipo de serviço é atender as grandes e, geralmente, as de menor porte não recebem a devida atenção”, afirma Gabellini.

Entre os clientes da Betalabs estão a Clubeer, que vende cervejas online, e a Men’s Market, e-commerce de produtos masculinos. 

Assim que negócio começou a ganhar forma, foi preciso recrutar profissionais de tecnologia. A falta de mão de obra na área fez com que Gabellini tivesse que ir direto na fonte – recorrer às universidades para encontrar funcionários capacitados: “Começamos a procurar desenvolvedores em instituições do interior do estado de São Paulo, como na UNESP e na UNICAMP”, diz Gabellini. Hoje, a empresa tem 27 profissionais de TI, a maioria cooptada em faculdades. 

Uma maneira de evitar a rotatividade na área foi oferecer uma remuneração variável de acordo com a produtividade. Cada um dos funcionários recebe uma meta e, dependendo do desempenho, eles podem ganhar até três salários extras.

“Essa é uma prática muito comum no mercado financeiro que adaptamos para o nosso negócio e tem dado bons resultado”, afirma Gabellini. “Somos uma empresa que preza pela meritocracia, os melhores são recompensados e se sentem motivados”. 

RODRIGO RASERA, DA CAPPTA

ESCRITÓRIO PRÓXIMO E HORÁRIO FLEXÍVEL
Rodrigo Rasera, da Cappta, decidiu optar pela qualidade de vida dos funcionários para atrair talentos na área de tecnologia. A empresa – que faz captura de pagamentos por meio de máquinas de cartão e oferece softwares para transferência eletrônica de fundos – tem 100 funcionários, sendo 20 no setor de TI. “Tivemos muita dificuldade para encontrar programadores qualificados que soubessem usar a linguagens específicas, por exemplo”, diz Rasera.  

Um dos incentivos para trabalhar na Cappta é o ambiente. A empresa tem um escritório moderno, ao estilo do Google nos Estados Unidos. Além disso, os funcionários gozam de regalias como horários flexíveis e permissão para usar roupas casuais durante o expediente. “Temos um local que ajuda a incentivar a criatividade”, afirma Rasera. 

Outra dificuldade ao contratar profissionais de TI está ligada à localização da empresa em Barueri, na microrregião de Osasco. O deslocamento entre São Paulo e município é de cerca de 25 quilômetros. “Alguns funcionários preferem trabalhar em locais mais próximos as suas residências, mesmo ganhando menos”, diz Rasera.

A solução encontrada foi abrir um pequeno escritório no Brooklin, na zona sul da capital paulista. Os profissionais de TI podem trabalhar nesse local alguns dias da semana para não terem que se deslocar até a sede. “Dessa forma, conseguimos evitar a rotatividade, mesmo assim temos algumas vagas na área de tecnologia que precisam ser preenchidas”, diz Rasera.  



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