Gestão

Com o fim do e-Sedex, quais as opções para o pequeno varejo eletrônico?


Fim do serviço dos Correios, que era amplamente utilizado devido preço baixo e agilidade, pode causar aumento nos preços do e-commerce


  Por Italo Rufino 28 de Junho de 2017 às 13:00

  | Repórter isrufino@dcomercio.com.br


Nesta segunda-feira (26/06), os Correios encerraram o e-Sedex, serviço de entrega exclusivo para o comércio eletrônico. 

O e-Sedex possuía preço quase igual ao de uma encomenda convencional, mas os prazos de entrega eram mais rápidos, os mesmos do Sedex.

Lançado em 2000 para suprir a crescente demanda do e-commerce, o serviço era dedicado em envio de mercadorias com até 15 quilos e entregas em centros urbanos, com abrangência em 250 cidades. 

Os mais prejudicados pelo encerramento do modelo serão os micro, pequenos e médios e-commerces – uma vez que as grandes varejistas online possuem transportadoras próprias e, por movimentarem um grande volume de mercadorias, podem negociar preços mais favoráveis diretamente com os Correios. 

CURIONI, DA ELO7: MODALIDADE ERA MUITO POPULAR ENTRE MICRO E PEQUENOS NEGÓCIOS

Para Carlos Curioni, diretor do Elo7, marketplace de artesanatos que reúne 85 mil micro lojistas virtuais, o e-Sedex era uma modalidade de frete muito popular entre negócios de pequeno porte, graças, principalmente, ao preço mais atrativo.

De acordo com a Associação Brasileira do Comércio Eletrônico (ABComm), o frete representa, em média, 12% do total pago pelo consumidor em compras no e-commerce. 

Porém, quanto menor for a loja, maior será a proporção do frete no custo total, devido ao fato de que os pequenos negócios não têm poder de barganha com as empresas de frete. 

Segundo estimativas de associações de e-commerce, com o fim do e-Sedex os pedidos podem ficar até 30% mais caros. 

VERGUEIRO: DA INFRACOMMERCE: PREÇO DO SEDEX DEVE DIMINUIR ATÉ 8%

Para Luiz Vergueiro, diretor de Logística da Infracommerce, especializada em serviços para o varejo online, o fim do e-Sedex não terá impacto significativo no volume de vendas –mesmo com o consumidor tendo que pagar um pouco mais caro em pequenas e médias lojas. 

“Os lojistas poderão migrar para o serviço PAC, mais lento, ou para o Sedex, que teve recente redução de preço, o que foi bem aproveitado pelas lojas para aumentarem as vendas”, afirma Vergueiro. 

Pelos cálculos da Infracommerce, com as mudança dos Correios, haverá uma redução de aproximadamente 7% a 8% no valor do Sedex.

E isso vai tornar o Correios um pouco mais competitivo em relação aos concorrentes, como a Direct e JatLog. 

ALTERNATIVAS PARA O PEQUENO VAREJO

É esperado que as empresas de logística desenvolvam novas modalidades de frete, com valores acessíveis, para atender varejistas desamparados.

Algumas transportadoras, como Transfolha, possuem postos de atendimento que permite ao lojista postar remessas sem o custo de coleta – o que barateia o serviço. 

O próprio Correios lançou, no fim de 2016, o Correios Log, serviço voltado para pequenos e-commerces, que armazena, separa e entrega produtos, nos formatos PAC, Sedex e Sedex 10. O serviço está disponível apenas no estado de São Paulo.

De acordo com Vergueiro, o Correios Log não é o substituto do e-Sedex – e tende ser uma alternativa cara devido a maior quantidade de serviços agregados, como o armazenamento de produtos. 

SAIBA MAIS: Como o pequeno varejo virtual encontra suas rotas

Atualmente, há no mercado empresas que prestam serviço que assumem toda a logística de pequenas lojas, incluindo coleta, embalo e envio das mercadorias. 

Uma dessas empresas é a Mandae, especializada em logística para pequenos e médios lojistas, que, segundo a empresa, correspondem a 98% do total do e-commerce. 

Recentemente, a Mandae lançou o serviço Freedom, que conecta os lojistas a mesma rede de transportadoras utilizada por grandes varejistas. 

Por reunir um grande volume de entregas, a Mandae consegue barganhar preços mais em conta com transportadoras e Correios, prática que as pequenas lojas teriam dificuldades para conseguir sozinhas. 

De acordo com Douglas Carvalho, Diretor de Operações da Mandaê, com o serviço Freedom, o lojista consegue economizar até 15% em comparação com a tabela de preços dos Correios.

No entanto, a Mandae realiza coleta de produtos somente de empresas instaladas na região metropolitana de São Paulo. 

CARVALO, DA MANDAE: EMPRESA REÚNE ENTREGAS DE DIVERSAS LOJAS PARA BARGANHAR PREÇOS COM TRANSPORTADORAS

REDE COLABORATIVA 

Outra alternativa é o aplicativo Shippify, um serviço de entrega que conta com uma rede colaborativa de entregadores, como ciclista, taxistas, motoboys e qualquer pessoa com um automóvel. Os entregadores são autônomos e recebem comissões por cada entrega realizada. 

VEJA MAIS: A empresa que está mudando a logística no país

O sistema da Shippify pode ser integrado ao software de gestão da loja virtual. Dessa forma, a cada novo pedido de compra, uma ordem de retirada e entrega de mercadoria é disponibilizada na rede de entregadores. Quem estiver mais próximo, se torna o responsável pelo frete. Todas as transações são feitas pela internet.  

Atualmente, o serviço da startup está disponível apenas em São Paulo, Belo Horizonte e Rio de Janeiro. Outras sete cidades, como Curitiba e Salvador, estão em fase de testes.

CRISE NOS CORREIOS

A descontinuidade do e–Sedex já era esperada. Em novembro de 2016, os Correios anunciou a decisão de encerrar o serviço. No entanto, a deliberação, na época, foi suspensa após decisão judicial. 

A justificativa do Correios é corte de custo. A estatal está passando por uma grave crise. Uma projeção da empresa estimou prejuízo de R$ 1,3 bilhão para 2017.

Caso a expectativa se materialize, será o quinto ano consecutivo que a companhia terá resultados negativos. Somente entre janeiro e abril de 2017, o prejuízo da empresa foi de R$ 800 milhões. 

De acordo com a Associação Brasileira de Franquias Postais, o e-Sedex representava 30% do faturamento das lojas dos Correios. Agora, a ameaça que fica para os franqueados é a queda nas receitas.

Ao mesmo tempo, a perda de participação dos Correios no mercado pode beneficiar outros prestadores de serviço de entrega.  

IMAGENS: Willian Chaussê e divulgação