São Paulo, 06 de Dezembro de 2016

/ Gestão

Cinco passos para conquistar a atenção da sua equipe
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Ser produtivo não é apertar um botão ou só treinar um processo. É comportamento, vontade, autocontrole – muito autocontrole

O Facebook, o Whatsapp, o amigo do lado, a TV, a moça que passou na rua, a fofoca do fim de semana, o tempo que não passa. Quer dizer, passa, mas você gostaria de estar fazendo outra coisa – e não aprisionado, trabalhando essas seis, oito, quatorze horas por dia.

Tudo é comportamento. Tudo é motivo de dispersão. Tudo é autocontrole.

Falando assim parece coisa de maluco, mas não é.

Vamos começar de trás pra frente: o que precisamos desenvolver em um profissional, acima, de tudo, é o autocontrole. Ele não pode revidar a grosseria do cliente. Não pode bater no idoso que demora na fila. Não pode (ou não deve), enfim, agir impulsiva e impensadamente, sob risco de ganhar um problema não só para si, mas também comprometer a imagem da empresa. Tudo é autocontrole.

Agora, pense em manter-se no eixo nos tempos de hoje e some a isso o senso comum perigoso de que trabalhar é uma escravidão e que a vida poderia ser tão melhor aproveitada viajando pelo mundo, tendo um emprego como o do Zeca Camargo e da Gloria Maria. Tudo é dispersão.

E lá vamos nós, curtindo uma foto, jogando CandyCrush, assistindo ao viral do momento, ansiosos pelo amanhã, querendo uma promoção, mas sem evoluir um milímetro; falando com o cliente de qualquer jeito e rezando pra chegar a hora de ir embora – a cara, antes emburrada, agora é só sorriso (se o metrô não estiver lotado). Tudo é comportamento.

Ser produtivo passa por gostar de fazer o que se faz e, se não gosta, ao menos entende que a tarefa é necessária e a faz com capricho, atenção, competência. Passa por estar presente no ato, algo abstrato e comumente trazido a nós pela filosofia oriental. Simplificando: passa por prestar atenção naquilo que se está fazendo e empenhar-se em fazê-lo da melhor forma.

Um estudo recente da PwC sobre o futuro do trabalho aponta que, em 2020, haverá 7 vezes mais aparelhos conectados do que pessoas no mundo. A força de trabalho do Brasil, que atualmente já é composta de 40% de pessoas oriundas das gerações Y e Millenium, afirma, em sua maioria (41%) que prefere se comunicar por meios eletrônicos, em detrimento do contato pessoal ou do telefone convencional.

Este é o seu funcionário de hoje e é com este material humano que vamos lidar. Não adianta ficar lamentando e lembrando os velhos tempos em que trabalhávamos por dever, abaixávamos a cabeça e fazíamos o que deveria ser feito. Esse tempo, definitivamente, acabou. E isso é ótimo.

Então, mãos à obra, em cinco passos iniciais:

1.    Transparência: em um mundo ideal, as pessoas só falariam o que o Jornal Nacional pudesse filmar e veicular no sábado à noite. Isso quer dizer que todos deveriam ser capazes de assinar embaixo do que dizem e fazem, em qualquer circunstância. Seja você o exemplo

2.    Significado: uma das coisas que diferenciam o ser humano dos demais animais é sua capacidade de significar o mundo. Então, talvez você obtenha mais sucesso com o seu time se explicar o motivo pelo qual a tarefa precisa ser feita. Ainda que o motivo seja: é disso que precisamos no momento

3.    Diálogo: não tente tapar o sol com a peneira. Incorpore a tecnologia. Temas difíceis sempre vão existir; perguntas inconvenientes, idem. Abra espaço para o diálogo sobre TUDO. Eduque as pessoas a trazer qualquer assunto, mas com responsabilidade, sem agressão, sem julgamento. Permitam-se errar sem condenação

4.    Descompressão: dentro do possível, tente criar um ambiente de descompressão para seus funcionários e para você mesmo. Relaxar ou gritar, isso vai de cada um. Quanto mais privacidade, melhor; ou, dependendo do grupo, happy hours e baladas também funcionam bem

5.    Meditação: erroneamente confundida com prática religiosa, a meditação é tão somente entrar em contato consigo mesmo e silenciar, em um mundo tão barulhento. Nada de monges carecas atingindo o nirvana no alto da montanha: você e seus funcionários podem começar com música ou com meditação orientada (em que um narrador te diz o que deve ser imaginado naquele momento), por cinco minutos antes de começar o expediente. No início vai parecer um negócio muito doido, mas logo você verá o bom resultado

Equilibre trabalho duro com aprendizado e relacionamento, dentro e fora do ambiente profissional. Com sensação de justiça, pertencimento e atenção, além de baixar a ansiedade, seus funcionários certamente irão assimilar melhor os treinamentos, entenderão os porquês envolvidos na rotina e, principalmente, se darão conta de que o sucesso de um é o sucesso de todos.

E, se não entenderem, naturalmente serão levados a lugares compatíveis com seu comportamento inadequado. Que, tenho certeza, não é a sua empresa, certo?



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