São Paulo, 08 de Dezembro de 2016

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Agora é oficial: PT e aliados do PMDB e PP são implicados na corrupção da Petrobrás
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Ministro Teori Zavascki (na foto) divulga nomes de 49 suspeitos a serem investigados. Renan Calheiros (presidente do Senado) e Eduardo Cunha (da Câmara) estão na lista

Depois de uma demorada espera, o ministro Teori Zavascki, do STF, divulgou às 20h30 desta sexta-feira (6/3) a lista de políticos, sobretudo governistas, que serão investigados por corrupção na Petrobras.

Zavascki deferiu o pedido do procurador-geral da República Rodrigo Janot, que defendia a revogação do sigilo e a divulgação dos nomes dos possíveis implicados.

Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado, e Eduardo Cunha (PMDB-RJ), presidente da Câmara, estão envolvidos nas investigações de corrupção, conforme informações que vazaram nos últimos dias.

O PP é o partido mais atingido, com 32 indiciados - entre eles, o senador Ciro Nogueira e o deputado Simão Sessin - , seguido dos sete nomes do PMDB, sete outros do PT e um do PSDB, o senador Antonio Anastasia (MG), já implicado no chamado mensalão mineiro.

O SENADOR ANASTASIA: O ÚNICO DO PSDB NA LISTA

 

Em termos de peso político, no entanto, o PT foi o mais duramente atingido, com investigações agora abertas contra seu tesoureiro, João Vaccari Netto, a senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann,  o ex-ministro da Fazenda, Antônio Palocci, terial jornalístico produzido pelo Estadão é protegido por lei. Para compartilhar este conteúdo, utilize o link:http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,zavascki-autoriza-abertura-de-inqueritos-e-revoga-sigilo-em-investigacao-sobre-petrobras,1646057o senador Humberto Costa, líder petista no Senado, e o ex-deputado Cândido Vacarezza.

O PTB tem um único nome na lista, o do ex-presidente Collor de Mello.

Nenhum dos políticos listados foi indiciado. Não há, portanto, abertura de processo penal. Mas isso pode acontecer, dependendo das investigações das quais a Polícia Federal e o Ministério Público passam a fazer sob a direção do STF.

Com a exceção de Anastasia, todos os políticos agora investigados fazem parte da base aliada dos governos Lula e Dilma.

Nos últimos dias, rumores de que pessoas do primeiro escalão do governo procuraram vazar para a mídia os nomes dos envolvidos provocaram reações temperamentais dentro do PMDB e do PP.

Confirmando-se esse comportamento, o programa de ajuste fiscal, comandado pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, encontraria novos obstáculos para ser apoiado pelo Congresso.

Em termos regionais, dois políticos importantes do Maranhão, ambos ligados ao ex-senador José Sarney, também estão na lista: a ex-governadora Roseana Sarney e o senador Edison Lobão.

ROSEANA SARNEY, EX-GOVERNADORA DO MARANHÃO

 

O senador Aécio Neves, ex-candidato presidencial do PSDB, teve arquivado seu pedido de abertura de inquérito, por inexistência de provas. 

NO PLANALTO

O governo e a cúpula do PT tentam criar uma rede de proteção para evitar que o escândalo na Petrobras grude na imagem da presidente Dilma Rousseff e abale ainda mais o partido, já desgastado com sucessivas acusações de corrupção.

No Palácio do Planalto, a ordem é não entrar no mérito das investigações e produzir uma "agenda positiva" para Dilma, com o objetivo de se contrapor ao terremoto político. No PT, a estratégia prevê repetir à exaustão que toda denúncia precisa de prova e adotar a tática do enfrentamento com o PSDB.

O ministro de Relações Institucionais, Pepe Vargas, admitiu nesta sexta-feira, 6, que a lista de políticos enviada ao Supremo Tribunal Federal pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, provocará "algum grau" de instabilidade" no Congresso, mas disse esperar que todos tenham a oportunidade de se defender.

O presidente nacional do PT, Rui Falcão, divulgou nota reafirmando o "integral apoio" do partido ao prosseguimento das investigações da Operação Lava Jato, que envolve diversos filiados ao partido.

"O partido reafirma ainda sua convicção, manifestada publicamente em seguidas reuniões do Diretório Nacional, de que todos os acusados devem ter direito ao contraditório, à ampla defesa e ao devido processo legal. E, ao final de eventual processo, caso seja comprovada a culpa de qualquer filiado ao PT, serão aplicadas punições previstas no Estatuto", diz a nota assinada por Falcão.  

*Com Estadão Conteúdo



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