São Paulo, 29 de Setembro de 2016

/ Gestão

16 minutos de panelaço e vaias em 12 capitais com Dilma na TV
Imprimir

Pronunciamento destacou o ajuste fiscal e deu pouco espaço para escândalo da Petrobras. Oposição aponta tentativa de “terceirização da crise”

A presidente Dilma Rousseff usou o pronunciamento em rede nacional pelo Dia Internacional da Mulher para fazer uma longa defesa ao ajuste fiscal e dizer que a economia do país só deve começar a melhorar a partir do fim do ano.

Ao afirmar que o governo está usando "armas diferentes e mais duras" das que foram utilizadas na primeira fazer da crise, em 2008, ela ressaltou que todos terão de fazer "sacrifícios temporários" e arrematou dizendo que são suportáveis porque tem "o povo mais forte do que nunca".

Enquanto a presidente fazia seu pronunciamento à nação, em 12 cidades brasileiras pessoas gritavam nas janelas, batiam panela e piscavam a luz de casa enquanto vaiavam e gritavam "Fora, Dilma".

As manifestações contra a fala de 16 minutos da petista para a TV e rádio foram presenciadas em diferentes bairros de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte. No Facebook, os internautas inundaram a rede social com vídeos gravados da janela de suas casa.

Enquanto a presidente Dilma Rousseff fazia seu pronunciamento à Nação em rede nacional na noite deste domingo em comemoração ao Dia da Mulher, espectadores de ao menos três cidades brasileiras gritavam em suas janelas, batiam panela e piscavam a luz de casa enquanto vaiavam e gritavam "Fora, Dilma".

As manifestações contra a fala de 16 minutos da petista para a TV e rádio foram presenciadas em diferentes bairros de São Paulo, Brasília e Belo Horizonte por repórteres do "Grupo Estado". No Facebook os internautas inundaram a rede social com vídeos gravados da janela de suas casa.

Em São Paulo, nos Jardins, no centro e em bairros como Vila Madalena, Pompeia, Moema e Perdizes muitos moradores foram para a janela e protestaram. Era possível ouvir gritos de "Fora Dilma". Em alguns pontos da cidade também foram usados fogos de artifício. Nas redes sociais, muitos relataram surpresa e alguns exaltaram as manifestações nas ruas.

AJUSTE FISCAL

No discurso, Dilma passou a maior parte do tempo explicando e defendendo o ajuste fiscal que está sendo implementado no Brasil - que trata do corte de despesas e de investimentos, redução de parte de programas sociais, mudanças nas regras para acesso a benefícios trabalhistas, correção na tabela do imposto de renda. Para executar parte das medidas, o Executivo precisa de aprovação pelo Congresso Nacional, com o qual está passa por uma crise de relacionamento.

A presidente classificou como corajosa a decisão de assumir o ajuste fiscal mesmo que isso lhe renda desaprovação. "Este processo (de ajuste) vai durar o tempo que for necessário para reequilibrar a nossa economia", afirmou, prevendo os primeiros resultados "já no final do segundo semestre".

Dilma declarou que "a carga negativa", até agora absorvida pelo governo, agora será dividida "em todos os setores da sociedade". O escândalo das suspeitas de corrupção na Petrobras, que vem monopolizando o noticiário, foi mencionado rapidamente e apenas no fim de sua fala. Ela disse que a investigação das denúncias de corrupção na estatal é "ampla, livre e rigorosa". 

Com isso, a presidente buscou responder às acusações que vem sofrendo não só por parte de adversários como de parlamentares da base aliada de que seu governo tenta interferir nas apurações da Operação Lava Jato. "Com coragem e até sofrimento, o Brasil tem aprendido a praticar a justiça social em favor dos mais pobres, como também aplicar duramente a mão da justiça contra os corruptos. É isso, por exemplo, que vem acontecendo na apuração ampla, livre e rigorosa nos episódios lamentáveis contra a Petrobrás", afirmou em cadeia de rádio e TV.

O pronunciamento foi gravado na manhã da última quinta-feira (5), um dia antes da publicação da lista de pessoas que serão investigadas por suspeita de corrupção relacionada à petroleira.

Em momento algum do discurso Dilma indica que sua gestão tenha cometido qualquer tipo de erro na condução da economia. Ao contrário, declara que a política econômica praticada até agora foi a correta para a circunstância que o País viveu até o fim do ano passado. "Decidimos corajosamente mudar de método e buscar soluções mais adequadas ao atual momento. Mesmo que isso signifique alguns sacrifícios temporários para todos e críticas injustas e desmesuradas ao governo."

CULPA DA SECA E DA CRISE INTERNACIONAL

A presidente tentou explicar o que está ocorrendo no País. Culpou a seca nas regiões Nordeste e Sudeste e a piora da conjuntura internacional pelo aumento dos custos para os consumidores e as mudanças de rumo em sua gestão econômica.

A inflação também foi debitada na conta da falta de chuva. "Entre muitos efeitos graves, esta seca tem trazido aumentos temporários no custo da energia e de alguns alimentos." Diante das argumentações e distribuição de responsabilidades, a presidente diz para o espectador que ele tem "todo direito de se irritar e de se preocupar". E pede "paciência e compreensão", argumentando que esta situação é "passageira".

Retomando a positividade exibida durante sua campanha eleitoral no ano passado, Dilma vê pessimismo por parte de integrantes da sociedade. "O Brasil passa por um momento diferente do que vivemos nos últimos anos. Mas nem de longe está vivendo uma crise nas dimensões que dizem alguns." E defendeu: "Passamos por problemas conjunturais, mas nossos fundamentos continuam sólidos (...) nosso povo está protegido naquilo que é mais importante: sua capacidade de produzir, ganhar sua renda e de proteger sua família". 

TERCEIRIZAÇÃO DA CRISE

Para deputados e senadores da oposição, a presidente Dilma Rousseff tentou "terceirizar" a responsabilidade pelas crises hídrica, econômica e política do País e evitou se alongar no tema corrupção no pronunciamento que fez em rede nacional de rádio e televisão na noite de ontem.

"Mais uma vez, ela terceirizou a responsabilidade pela crise. A presidente perdeu a oportunidade de falar a verdade para o povo”, afirmou o líder do DEM na Câmara, Mendonça Filho (PE).

Roberto Freire, presidente nacional do PPS, criticou o fato de a presidente ter culpado o cenário internacional pelos problemas econômicos do País. "Ela atribui tudo à crise internacional que só ela vê, como se todos fôssemos completos idiotas", criticou o deputado.

Freire disse ainda que a presidente tem tomado uma série de medidas que contrariam o prometido durante a campanha eleitoral. "Ela prometeu não mexer em direitos de trabalhadores, depois o que se viu foi exatamente o contrário", disse Freire.

O líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), criticou a insistência da presidente em não assumir a culpa pela crise econômica no País. "Ela não perde a mania de tentar transferir as responsabilidades. Depois de FHC, ela culpa São Pedro", comentou o tucano, se referindo ao discurso da influência da crise internacional no cenário econômico brasileiro e a crise hídrica.

O líder do DEM no Senado, Ronaldo Caiado (GO), criticou o pronunciamento da presidente em nota e por redes sociais. "Dilma não tem humildade de estadista para reconhecer erros. Quer induzir população a imaginar que tudo é temporário", afirmou o senador. Caiado classificou o momento como "um dos mais críticos do Brasil".

Os oposicionistas criticaram Dilma por ter dedicado pouco tempo dos 16 minutos de discurso ao esquema de corrupção na Petrobras. "Ela dedicou duas frases para justificar a ação da Justiça como se fosse crédito do seu governo", disse Mendonça Filho.



“Venho aqui convidá-los a participar dessa nova fase de crescimento do país”, disse o presidente a empresários americanos

comentários

Redução do volume de investimento não terá grande impacto nas metas operacionais. O plano também prevê a adoção de orçamento zero e novas medidas para redução de custos

comentários

A base da nova gestão, segundo o presidente Pedro Parente (foto), será o conceito de orçamento base zero, que redefine a cada ano os projetos e investimentos prioritários

comentários