São Paulo, 01 de Outubro de 2016

/ Finanças

Um pedacinho de Apple (e gigantes mundo afora) nos seus investimentos
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Investir uma fatia de recursos, pequena ou não, em fundos com ações de empresas do exterior é uma alternativa de diversificação – novas regras para investidores começam em julho

A ideia de investir em ações de empresas do exterior – e até quem sabe num pedacinho da Apple ou da Amazon - parece uma ideia tão distante quanto uma longa viagem internacional. Só que não é. As mudanças de regras nos fundos multimercados, que entram em vigor em julho, podem trazer essa possibilidade para a realidade do investidor, desde que ele tenha algum apetite ao risco. 

Dentro de duas semanas, a partir de 19 de março, a Apple passa a fazer parte do tradicional índice do mercado de ações norte-americano, o Dow Jones Industrial Average, que em um ano subiu 10,85%, até às 15h desta sexta-feira (6). A gigante dos eletrônicos também faz parte do S&P 500, índice que reúne as 500 maiores empresas de capital aberto dos Estados Unidos, que no mesmo período subiu 10,61%.

Será possível tirar maior proveito dessa valorização. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) ampliou, por meio de regulação, as condições para que investidores possam acessar mercados de outros países por meio de fundos de investimentos contratados aqui no Brasil. As novidades, porém, só começam a ser oferecidas em julho. 

O que vai mudar é que os fundos voltados para o investidor de pequeno porte poderão ter até 20% de suas aplicações em ativos do exterior, como ações de empresas como Coca-Cola, Nestlé ou McDonald's, por exemplo. Hoje, esse limite é de apenas 10%. 

Para os fundos voltados ao investidor qualificado, o limite passará de 20% para 40%. No entanto, a partir de julho, para entrar para essa categoria, será necessário ter R$ 1 milhão em aplicações – atualmente, bastam R$ 300 mil para que os investidores sejam considerados qualificados.

Haverá também uma terceira categoria de fundo de investimento no exterior, que poderá ter de 67% a 100% de toda a carteira dedicada a ativos no exterior – o que inclui não só somente ações, mas títulos de dívida de empresas e até mesmo renda fixa estrangeira. Já os fundos que poderão ter até 100% de exposição internacional só poderão ser contratados pelo investidor profissional, aquele que tem mais de R$ 10 milhões em aplicações.

Para cada um dos três fundos, há algumas exigências para que o investidor possa acessá-los. Quanto menor o volume investido, menor a fatia de investimento direcionada ao mercado externo. 

O bom é que junto com esta mudança, virá outra: antes, o investidor qualificado tinha de aplicar, no ato da compra, um valor mínimo, de R$ 50 mil, em média, para entrar em multimercados com exposição internacional. A partir de julho, não haverá valor mínimo de entrada e as instituições podem oferecê-los aos clientes elegíveis.

NOVAS REGRAS DEVEM AUMENTAR ACESSO AOS FUNDOS
O fato é que esse conjunto de regras deve facilitar o acesso a esses fundos com ações de empresas do exterior – e poderá ser interessante, principalmente, para aquele aplicador interessado em diversificar tanto em bolsas internacionais, quanto em moeda estrangeira.

A proposta da maioria desses fundos é oferecer ganhos nessas duas pontas. Há, também, os dois riscos: de queda do valor de papéis nas bolsas internacionais e a desvalorização da moeda estrangeira.

LEIA MAIS: Gestores cogitam aumentar ações do exterior nos multimercados

Luiz Nazareth, gestor de fundos da AZ Futura Invest, diz que a maior parte dos fundos faz a proteção contra a variação cambial, justamente para oferecer os ganhos que a alta na cotação da moeda estrangeira pode trazer. 

“Estamos em um período de readequação, com as mudanças da CVM. Acredito em um movimento gradual, já que dos 14 mil fundos que temos na indústria, apenas 30% tem exposição ao exterior”, diz Nazareth, que hoje distribui pela plataforma aberta 105 fundos de diversas categorias.

Ele explica que o investidor qualificado, pelas regras de hoje, com mais de R$ 300 mil em aplicações, poderá permanecer nas aplicações, mas não poderá migrar para fundos que têm essa exigência a partir de julho, quando a classificação muda para R$ 1 milhão. 

Esse tipo de diversificação acaba não sendo indicado para pessoas de perfil conservador, com pouca resistência aos movimentos bruscos do mercado de ações e de câmbio. Para Nazareth, a exposição para um conservador deve ser de, no máximo, 2% do total de suas aplicações.  

“Não acho que o investimento no exterior seja adequado para quem costuma aplicar em poupança ou de CDB [Certificado de Depósito Bancário]", diz Bruno Stein, diretor da BlackRock, gestora global de recursos.  O mesmo vale para quem tenha menos de R$ 50 mil em aplicações. "É o cliente que não tem recurso suficiente para esse tipo de diversificação”, afirma.

 

No entanto, Stein ressalta que a busca por diversificação tem chamado a atenção desde o ano passado. Para se ter uma ideia, pesquisa da BlackRock com 27,5 mil pessoas de 20 países – das quais mil são brasileiras – mostra que 38% dos brasileiros estão em busca de oportunidades internacionais, fora da América Latina.

De acordo com o levantamento, 39% estão em busca de possibilidade de crescimento em outros países e 38% procuram de diversificação.  Quando questionados sobre as barreiras para entrar nesse tipo de aplicação, 37% alegaram não ter recursos suficientes, 34% não refletiram sobre o assunto, 32% sentem-se mais confortáveis em investir localmente e 31% admitiram falta de conhecimento de outros mercados. 

“As empresas que mais se beneficiaram do consumo no Brasil, nos últimos anos, não são necessariamente brasileiras. Exemplos são a Nestlé, Coca-Cola, McDonald’s e outras, todas multinacionais. O investidor que quiser aproveitar esse crescimento tem de sair daqui”, diz Stein. 

Em qualquer hipótese, o investidor deve consultar a política de investimento e avaliar a carteira – que informará sobre as aplicações e ativos nos quais o dinheiro do fundo está alocado. As informações estão no prospecto (documento com todas as informações do fundo). 

DÓLAR ALTO TAMBÉM É ESTÍMULO À DIVERSIFICAÇÃO

Outra questão que chama para a diversificação fora do país é a valorização do dólar, que subiu no acumulado de 12 meses, 31,49%. Essa variação é da taxa Ptax, apurada pelo Banco Central, que é uma média das negociações das principais instituições financeiras.

A cotação desse dólar, usado em exportações, por exemplo, fechou em R$ 3,03 nesta sexta (6). 

Apesar dos dados indicarem o quão atrativo pode ser ter uma parcela da poupança fora do país, é sempre bom lembrar que não se deve olhar só para o retrovisor.

O retorno passado não garante rentabilidade futura e exatamente por isso o investidor deve ficar atento ao próprio perfil de risco e pensar nos objetivos destas aplicações em bolsas internacionais.



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